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Necrópole e Estela do Pardieiro - 35 Anos depois

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  Necrópole do Pardieiro 35 Anos depois            Foi precisamente há 35 anos, em Agosto de 1981, que José Pereira Malveiro (JPM), Manuel Zacarias e José Pacheco acompanhados pelo proprietário do Monte do Pardieiro, (localmente conhecido por Galinha Preta), junto à Corte Malhão na freguesia de São Martinho das Amoreiras recolheram e levaram para o então Núcleo Arqueológico de Garvão uma Estela Epigrafada com caracteres da Escrita do Sudoeste.            Esta Estela, com o encerramento do Núcleo Arqueológico de Garvão, foi guardada na residência de JPM, (junto a outras peças de interesse arqueológico, achadas e recolhidas ao longo dos anos pelo próprio), onde mereceu a visita de Jürgen Untermann e esposa, (ver artigo a seguir) e de Caetano de Mello Beirão, que foi inclusivamente levado ao local do Pardieiro por JPM,  tendo desenvolvido posteriormente a respectiva publicação com Mário Varela Gomes em 1988, na revista VELEIA - Revista de prehistoria, historia antigua, arqueologia Y filol...

JÜRGEN UNTERMANN

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JÜRGEN UNTERMANN            Faleceu em 7 de Fevereiro de 2013, em Pulheim, na Alemanha, com 84 anos de idade, o Prof. Jürgen Untermann, eminente linguista que dedicou toda a sua vida ao estudo das línguas pré-romanas da Península Ibérica. Esteve, naturalmente, por diversas vezes em Portugal, inclusivamente na residência de José Pereira Malveiro em Garvão, onde tomou conhecimento da Estela do Pardieiro, tendo-se interessado muitíssimo quer pelos textos aqui encontrados em língua dita «lusitana» quer, de modo especial, pela chamada «escrita do Sudoeste», exarada em estelas identificadas no Sudoeste peninsular, designadamente no Alentejo e no Algarve.           Um dos seus primeiros trabalhos, Elementos de un Atlas Antroponímico de la Hispania Antigua (Madrid, 1965), é citado ainda hoje como obra de referência, pois que, embora se tenham multiplicado muito os testemunhos dos antropónimos aí tratados, o certo é que permanecem válidas as conclusões retiradas já nesse longínquo 1965 em rela...

HEMIDRACMA EM PRATA

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Hemidracma descoberto em Garvão Hemidracma (Exemplo)                                    HEMIDRACMA EM PRATA Descoberta em Garvão           A data da constituição do depósito votivo de Garvão é apontada por uma hemidracma em prata, batida em Gades, de 238 ou 237 a.C., que pode ter circulado até aos finais do séc. III. A sua vida “útil” como ex-voto pode, no entanto, ter sido um pouco mais alongada mas, o fecho do depósito não terá ocorrido para além da primeira metade do séc. II a.C. (Beirão et al. 1985, 91 nº 81).           Segundo a discrição dos mesmos autores trata-se de uma moeda (Vala), de prata, pertence à oficina de Gades, com 17 cm de diâmetro máximo, 2 mm de espessura e 2,5 (?) g de peso. No anverso, muito deteriorado, reconhece-se a representação da cabeça de Hércules-Melkart, toucado com a pele de um leão.           O reverso mostra, centralmente, um atum, voltado para o lado direito, sobre o qual se vêem quatro signos, quase ilegíveis, de uma legenda púnica. O conjunto é ro...

AS TRAVESSIAS DA RIBEIRA

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   AS TRAVESSIAS DA RIBEIRA           Antes do nivelamento da ribeira e da cimentação do leito e das margens, o cenário que se apresentava em termos de via, ruas e travessas era totalmente diferente do actual. De facto antes da construção daquilo que ficou sendo conhecido como “A Placa”, ou pelo menos a primeira fase deste nivelamento da ribeira que atravessa a vila, as vias para a sua travessia eram outras.   PONTE DE MADEIRA           Se por esta altura a ponte em alvernaria, no centro da vila, já existia, tempos houve em que a ponte era construída de madeira, e a história de que, “Garvão tem uma ponte rota”, não deixa de ter alguma verdade e remete-nos precisamente para o tempo em que a travessia da ribeira no centro da vila que ligava o Largo do Poço da Praça ao Largo do Lagar, (agora Largo da Amoreira), se fazia através de uma ponte de madeira, segundo a memória popular, que se julga ser tanto para peões como para carros de tracção animal.           De facto a ponte de madeira dev...

O CRÂNIO do DEPÓSITO VOTIVO

O CRÂNIO TRESPASSADO do Depósito Votivo de Garvão           Uma das particularidades do Deposito Votivo de Garvão foi a descoberta de um crânio trespassado numa clara cerimónia de fundação do próprio Depósito Votivo.           O crânio localizado na base do depósito pertenceu a uma mulher cuja idade oscilaria entre os 35 e os 40 anos (Fernandes 1986, 78).           A morte foi-lhe provocada por três golpes desferidos na zona occipital e parietal por um instrumento contundente, pesado, dotado de um gume curvo pouco penetrante, que incidiu obliquamente sobre a cabeça da vítima.           Foi assim reconstituído que a vítima se encontraria deitada em decúbito ventral, quando lhe foram desferidos sucessivamente três golpes. Qualquer um deles seria o suficiente para lhe provocar a morte, e certamente que com o primeiro deles ela entrou em lipotimia (perda de sentidos).           A morfologia das lesões sugere que o instrumento utilizado terá sido um machado de pedra polida de que, aliás, se...