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A mostrar mensagens de setembro, 2018

IGREJINHA DE SÃO PEDRO

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  Junto à Estrada Real           A Igrejinha de São Pedro, como é conhecida, fica situada a cerca de 1 km de Garvão, na antiga Estrada Real do Algarve, ex-Estrada Romana, no caminho para Panóias, Messejana e por aí fora até Lisboa.           Actualmente, encontra-se em ruínas e sem telhado, fruto do abandono a que tem sido votada ao longo dos anos. O desinteresse por esta Igreja, já vem de longa data, havendo, contudo, ainda lembrança na população de Garvão do telhado e dos Santos no altar, e ao que parece só por volta de 1942 devido a umas cheias que chegaram á Igreja, é que levaram os Santos para local seguro, ao que se conta, a imagem de São Pedro já andava a boiar na água, o que foi salvo pelo “Meia Dola”, trabalhador no Monte da Morgada, que o entregou ao Sr Júlio de Matos, pai do Sr Zeca. A imagem de São Pedro encontra-se presentemente na Igreja Matriz.           Nos anos 50 e 60 de 1900, os dançarinos da “Dança de Garvão” costumavam utilizar esta Igreja para ensaiarem os passos ...

RITUAL DE LIBAÇÃO SACRALIZADORA

Sacrifício Humano no Depósito Votivo             Em Garvão, a pesquisa arqueológica, desenvolvida na década de 80 do século XX, no «Cerro do Castelo», uma elevação no interior da própria vila, detectou-se, em 1982, na sua zona central, uma fossa, coberta por lajes de xisto, (que se passou a denominar por Depósito Votivo), dentro da qual se encontrava um crânio humano, separado do respectivo esqueleto e com indícios de trepanação.           O crânio localizado na base do depósito pertenceu a uma mulher cuja idade oscilaria entre os 35 e os 40 anos (Fernandes 1986, 78). A morte foi-lhe provocada por três golpes desferidos na zona occipital e parietal por um instrumento contundente, pesado, dotado de um gume curvo pouco penetrante, que incidiu obliquamente sobre a cabeça da vítima.           Foi assim reconstituído que a vítima se encontraria deitada em decúbito ventral, quando lhe foram desferidos sucessivamente três golpes. Qualquer um deles seria o suficiente para lhe provocar a morte,...

JOSÉ JÚLIO da COSTA - 7ª Parte

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CENTENÁRIO “O famigerado heroi do Crime Grande da Estação do Rocio”   O ATENTADO Parte 7 (de 12)             Na noite de 14 de Dezembro de 1918, à frente da sua comitiva presidencial, Sidónio Pais, dirige-se para a gare na estação do Rossio. Quando a multidão o vê surgir, ovaciona-o como sempre, correm para o saudar, correm lágrimas de exaltação, soam vivas ao Sidónio, soam vivas à República Nova, soam fanfarras e toca-se o hino nacional.           Sidónio Pais, eloquente, agradece à esquerda e agradece à direita, impecável no seu fato de major venialmente curva-se para agradecer à população que o quer agarrar, que lhe quer tocar, que o quer beijar e soa um tiro, soam mais e Sidónio Pais jaz ensanguentado nas frias lápides de pedra da estação do Rossio.           “Morro bem… salvem a Pátria” terá escrito o jornalista Reinaldo Ferreira que chegou ao local mais de uma hora depois dos acontecimentos e já com Sidónio Pais dado como morto na morgue do Hospital de São José. O certo é que Sid...

O SINO DOS CONCELHOS

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O Sino da Casa da Câmara e o Sino do Açougue [1]             Os sinos concelhios, seja na casa da câmara, no açougue ou na cadeia, constituem um dos equipamentos concelhios simultaneamente mais úteis, mais pitorescos e mais representativos do concelho, do seu poder e da sua jurisdição.           Tratando-se de um equipamento e de um atributo concelhio tão vinculativo, o sino estava patente em praticamente todas as antigas casas da câmara, pois ele pontuava não só a vida concelhia e os seus rituais judiciais, administrativos e celebratórios como o próprio quotidiano da comunidade de vizinhos.           O sino da câmara assegurava tanto os toques obrigatórios da alvorada e do crepúsculo, consagrados nas Ordenações como os rebates mais dramáticos, dos desastres naturais e dos grandes acidentes aos desacatos, levantamentos (as temíveis “uniões” da Idade Média e dos Tempos Modernos) e todo o género de “arruídos” públicos em que facilmente descaíam comunidades por vezes bem carenciadas e ind...