sexta-feira, 12 de junho de 2009

O PATRIMÓNIO DE GARVÃO. O que fazer? Deixá-lo ao abandono até à sua destruição total ou recupera-lo?

       

O QUE É QUE O CEMITÉRIO VELHO A IGREJA DO SAGRADO ESPÍRITO SANTO E AS FESTAS DE GARVÃO TÊM DE COMUM?


Pelas revoluções Liberais de 1820, que acabou com o Concelho de Garvão, promulgou-se a lei da proibição de enterrar os mortos nos adros das igrejas e a obrigatoriedade dos Municípios construírem Cemitérios nas povoações.


Em todo o reino se construíram cemitérios novos menos em Garvão, onde preferiram derrubar o que restava da primitiva Igreja Matriz de Garvão, para o cemitério ficar no mesmo lugar.


De facto os restos da primitiva igreja Matriz ainda são visíveis na estrutura do Cemitério Velho, são paredes sobrepostas e restos dos contrafortes, pinturas, pia baptismal, fechos das abóbadas e estelas funerárias do adro da referida Igreja.


Devido ao estado de ruína da primitiva Igreja Matriz, devido ao terramoto de 1755, o culto passou para a Igreja da Irmandade do Sagrado Espírito Santo. Desde a fundação da Misericórdia de Garvão no século XVI/XVII que esta tentou apoderar-se dos bens da Irmandade do Sagrado Espírito Santo fundada nos séculos anteriores e era a detentora de propriedades como o Arzil, Mau Passo, Monxica, Pixouto, Val de Inxares, Carvalheira e outras, o que veio a conseguir e acabar com a Irmandade ficando a Igreja posteriormente a ser a nova Igreja Matriz de Garvão e a antiga ao abandono até à sua completa destruição para fazerem o cemitério.


A Irmandade do Sagrado Espírito Santo, caracterizava-se por ter, para além das propriedades, a referida Igreja, o hospital e as festas do Espírito Santo, onde a população se divertia toureando um touro que depois matavam e alimentavam a população mais pobre, daí a força da tradição da festa Barranquenha e outras vilas alentejanas que se arreigam do mesmo direito de matarem o touro para o “Bodo” dos pobres, e da festa do pão em Tomar para alimentarem os pobres pelas festas dos Espírito Santo.


As Festas de Garvão, já sem a tradição de outrora e desvirtuada das tradições que lhe deram origem, terão também a sua origem nestas tradições do "Bodo" do Espirito Santo.


Assim este conjunto arquitectónico Cemitério/Igreja/Ossário, continua abandonado e a degradar-se, já foi horta e curral de ovelhas, as centenárias oliveiras cortadas e os gradeamentos das campas postas a um canto para o gado não fugir, os gradeamentos das campas já foram treze, hoje está reduzido a cinco, das cruzes das cabeceiras já só restam duas.


 

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