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A mostrar mensagens de maio, 2021

AS BIBLIOTECAS ITINERANTES

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Da Fundação Calouste Gulbenkian (1958-2002) Biblioteca/Carrinha Citrôen HY                 As Bibliotecas Itinerantes da Calouste Gulbenkian fazem parte do imaginário de diversas gerações, possibilitavam a leitura de livros para aqueles que não tinham fácil acesso a estes, ou promoviam a leitura junto das Escolas um pouco por todo o País.            A Fundação Calouste Gulbenkian criou este serviço em 1958 segundo uma ideia de Branquinho da Fonseca, que tinha como objectivos “promover e desenvolver o gosto pela leitura e elevar o nível cultural dos cidadãos, assentando a sua prática no princípio do livre acesso às estantes, empréstimo domiciliário e gratuitidade do serviço.” Isto chegava um pouco a todo o território nacional, com especial incidência nas Aldeias ou locais em que não existiam Bibliotecas Municipais ou não tinham fácil acesso a elas.           Na década de 70 eram muitas as vozes na Fundação que eram contra este serviço, devido aos seus poucos lucros e as muitas despesas ...

CURRAL DOS BOIS

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  CURRAIS CONCELHIOS                      Em vários lugares do país encontra-se a denominação de “Curral do Concelho”, em Garvão existia até há relativamente pouco tempo um lugar denominado “Curral dos Bois”, na confluência da Rua Nova com a Rua Direita, junto à Estrada das Amoreiras e presentemente serve para estacionamento de viaturas de apoio à oficina de pneus/mecânica.               As fontes consultadas, até agora, não nos permitam afirmar que era aqui que se situava o “Curral do Concelho de Garvão”, apesar de surgir uma menção ao curral do concelho nesta vila num registo do Tombo do antigo concelho de Garvão: Terreno ao Curral do Concelho, de que é Efiteuta Diogo Mendes Lopes D´Azevedo, paga de foro 600 reis , [1] contudo a proximidade da Rua Direita e do antigo Rocio , (atuais Largo da Palmeira, Lardo da Amoreira e Rua 25 de Abril), lugar onde se realizava a feira antes da urbanização deste espaço e da sua transferência para os terrenos da Sardoa,  leva a crer estarmos present...

O CASO DO SENHOR ROUBADO

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      Os extremos da religiosidade   No dia 23 de Novembro de 1671, no Rossio, em Lisboa, um individuo de nome António Ferreira, com problemas mentais, foi condenado a que lhe cortassem em mãos em vida e queimadas à sua vista, após o que foi garrotado e queimado na mesma fogueira enquanto os padres e as freiras, cantavam hinos ao senhor, a louvar o castigo do malfeitor e a recuperação das peças roubadas da Igreja Matriz de Odivelas, no dia 11 de Maio de 1671.   O ingénuo acusado mesmo depois de ter confessado o roubo dos objetos litúrgicos e das hóstias que perdido de bêbado comeu, foi severamente torturada pelas autoridades religiosas, concluindo que se tratava de um pobre diabo, sem o juízo todo, que ficara fascinado com as reluzentes vestes dos santos e com fome comera as hóstias.   Não seria primeira igreja a ser roubada, mas só este caso, no contexto social da época, mereceu em 1744, setenta e três anos depois, a construção de um monumento e uma nova referência topográfica que mui...

O ABAFADOR JUDEU

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Pois é. Até onde nos leva a fé dos homens Capaz de matar os entes queridos Já Miguel Torga no conto “O Alma-Grande”, nos tinha alertado para a figura do “Abafador” nas comunidades judias. Que não queriam que os doentes no leito da morte recebessem a extrema unção cristã. Preferiam matá-los na graça do Tora. Tempos de perseguições, de intolerância, de medos e segredos. Tempos da inquisição. Que forçou uma comunidade a esconder-se. Com medo dos vizinhos. Dos inquisidores. Da fogueira. Mas persistiram.           Também o “Dicionário do Judaísmo Português”, (de vários autores), publicado pela Editorial Presença em 2009, no elucida sobre esta sinistra figura do “Abafador”. ABAFADORES (ABAFADEIRAS). Alguns autores referem-se à sua existência em Trás-os-Montes e Beiras baseando-se numa tradição segundo a qual os judeus mandariam abafar os seus doentes que se encontrassem em estado terminal. Tal procedimento seria utilizado entre os cristãos-novos, durante a vigência da Inquisição, para evitar...

ESTELA COM ESCRITA DO SUDOESTE

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FRAGMENTO DE ESTELA EPIGRAFADA DA I IDADE DO FERRO DO SUDOESTE PENINSULAR, Procedente de Saboia - Odemira   Estudo de Mário Varela Gomes*, publicado na Revista Arqueologia & História, Revista da Associação dos Arqueólogos Portugueses, volume número 60-61, 2008-2009, por, pag. 143 e seguintes.    * Doutor Mário Varela Gomes, Docente do Departamento de História da F. C. S. H. da Universidade Nova de Lisboa. Membro da Academia Portuguesa de História e da Academia Nacional das Belas-Artes.   Segundo o arqueólogo José Daniel Malveiro, a estela agora estudada foi recolhida em 2003,  pelo Sr. Gualdino, primo do Sr. Henrique, (negociante de ferro-velho e antiguidades na aldeia da Corte Malhão), perto da povoação de Viradouro, em local denominado Cerro dos Mouros (Carta Militar de Portugal, n° 570), onde parece existir necrópole, talvez contemporânea deste monólito. A estela aqui estudada foi posteriormente adquirida pelo autor deste Blog e encontra-se em Garvão.   O monumento Conforme acim...

SELO DA CÂMARA DE GARVÃO

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Fólio do Foral-Novo de Garvão, com furo no canto inferior esquerdo, por onde passava o fio de seda que prendia o selo pendente.               A construção de uma identidade local, dos concelhos saídos da reconquista, como no caso concreto de Garvão, não se construiu ou sustentou somente nos documentos oficias que instituía o concelho, nomeadamente a carta de foral e os direitos consuetudinários, (vulgo: Foros ou Costumes), procurava-se igualmente através da identificação de alguns dos elementos simbólicos de identificação e de reconhecimento externo utilizados pelos concelhos numa fase embrionária da sua organização e do seu papel na criação da sua própria identidade, nomeadamente os símbolos de maior visibilidade como o Brasão e os estandartes dos concelhos, como igualmente sobre os selos concelhios que autenticavam os documentos oficiais, nomeadamente o Foral.           Enquanto os brasões adornavam as ameias e portas de entradas dos castelos e dos Paços concelhios, como ainda se obs...