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A mostrar mensagens de julho, 2020

Lunae dies ou Segunda-feira?

Dias da semana                   Porque é que Portugal é o único país da Europa Ocidental a nomear os dias da semana, (do latim, septimana, "sete dias"), pela terminologia eclesiástica católica, ( Feria secunda, Feria tertia, Feria quarta, Feria quinta, Feria sexta, Sabbatum, Dominica Dies ), e não pelos nomes latinos pagãos, ( Lunae dies, Martis dies, Mercurii dies, Jovis dies, Veneris dies, Saturni dies e Solis dies ), como se observa nos restantes países?                 Em mais nenhum país católico do Oeste Europeu, se observa tal, tanto a Espanha, como a França, como a Itália e até mesmo o próprio Vaticano, continuam a nomear os dias da semana pelos antigos nomes pré-cristãos.                   Lunes, Martes, Miércoles, Jueves, Viernes, Sábado e Domingo, em espanhol.                 Lundi, Mardi, Mercredi, Jeudi, Vendredi, Samedi e Dimanche, em francês.                 Lunedi, Martedì, Mercoledì, Giovedì, Venerdì, Sabato e Domenica, em italiano.                 Luni, Mar...

COGITO, ERGO SUM

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RENÉ DESCARTES   Não será demais, nestes pandémicos incertos tempos, lembrar René Descartes. Penso, logo existo.   Em contraste com a postura americana, perante esta pandemia, que de facto é a antítese da mensagem original de Descartes.   Parei de pensar, logo não existo.   Esta simples frase, "penso, logo existo", do filósofo francês René Descartes, (1596-1650), ajudou em muito a mudar a mentalidade da época. O trabalho inovador de Descartes na área do racionalismo, acabou por abriu os portões ao Iluminismo, numa época em que ainda ardiam nas fogueiras as acusadas de bruxaria.   A frase, sintetiza, de uma maneira simples o pensamento de Descartes e surgiu a partir da postura em questionar o que se tinha por garantido. Para se chegar ao conhecimento absoluto, para este filósofo, era preciso duvidar de tudo o que existe ou nos rodeia.   Para Descartes, a única coisa de que não se podia duvidar era da própria dúvida e, consequentemente, do seu pensamento, e se duvido de tudo, e...

MALVEIROS IX

A ligação à Galiza   Qual a antiguidade do nome de família Malveiro? O que é que terá surgido primeiro, o lugar ou o apelido? Se em termos toponímicos temos vários exemplos de Norte a Sul no mundo Galaico-português, também em termos patronímicos se encontram diversas famílias a portar este sobrenome.   Se até agora as diversas pesquizas se têm debruçado sobre a origem deste toponímico/patronímico em Portugal, localizando a mais antiga referência ao apelido Malveiro no século XV, (de realçar aqui as contribuições de José Maria Ferreira, Beatriz Rodrigues, Ana Josué, Luís Soveral Varella e J. Valdeira entre outros, no site “geneall”), têm surgido ultimamente, graças à entrada de novos documentos on-line e ao Google maps , novas informações sobre este nome, desde o século XIII, não só em Portugal mas igualmente na Galiza e na França, caso incluamos a localidade francesa de Malvières .   No livro “Coisas Velhas de Velhos Tempos”, Amândio Quinto, [1] referencia a povoação da Malveira, no ...

CONCELHO DE GARVÃO – Extinção II

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  Revolta e Contestação          Iniciado o processo de “arredondamento dos concelhos”, em 1834, no seguimento das reformas liberais que conduzirá à extinção de mais de metade dos velhos concelhos medievais portugueses, incluindo o de Garvão, irá ocasionar momentos de grande convulsão política e grandes tensões a nível local que este tipo de modificações irá sempre provocar.             Este tipo de “revolta” popular, não só pela extinção do seu próprio concelho, mas igualmente por se recusarem a integrar outros concelhos tradicionalmente rivais, gerou em vários lugares do reino, verdadeiras revoltas contra estas medidas.           Garvão não foi exceção à regra e se a documentação é escassa e a memória popular já há muito que se esqueceu de alguns desacatos ou protestos ocasionados pela extinção do concelho, surge-nos, contudo, um documento do reinado de D. Maria II, no qual o Procurador Geral da Coroa concede ao Administrador Geral interino de Beja, poderes para obrigar os vereadores...