sábado, 24 de outubro de 2020

DANÇA DOS GUIZOS E DAS ESPADAS I

     Quando o Jornal de Garvão, em Agosto de 1996, noticiou o conhecimento que algumas pessoas da terra com idades aproximadas aos oitenta e cinco anos por essa altura, tinham de um tipo de dança, empregando guizos, cascavéis e espadas, que se realizava tanto em Garvão como nas aldeias e vilas do interior alentejano, não se imaginava que de facto esse tipo de dança estivesse tão enraizado e popularizado na tradição popular portuguesa com estava.

     Chegando até nós unicamente o conhecimento da “Dança das voltas”, “Dança dos Arquinhos” e a “Dança das Fitas” ou “do Mastro”, realizada nesta parte do Alentejo e em várias populações até aos anos sessenta do século passado, tendo a Associação de Defesa do Património de Garvão as recuperado trinta anos depois.

     O guizo, comummente designado por cascavel, na documentação dos séculos XVI e XVII, de utilidade pastorícia e pecuária em geral, aparece-nos, nestas manifestações lúdicas, associado à folia e ao divertimento, estando nessa época intrinsecamente associados à festa e à dança.

     A bibliografia e a iconografia estudada, maioritariamente dos mencionados séculos, revelam frequentemente conjuntos de guizos rodeando as pernas e os pulsos de bailarinos, mas também a mostra apensos ao vestuário e aos chapéus de foliões, como atributo de bobos e chocarreiros de Corte, ou ainda na decoração de flâmulas que esvoaçam ao vento. A subtileza das expressões faciais e delicados gestos de mãos, aliados a rápidos movimentos de pernas e pés, ao som de guizos presos aos tornozelos, são alguns dos aspectos que caracterizam esta dança.

     Esta pequena esfera metálica, de aparência modesta e rústica, aparece em inúmeras situações festivas de todos os géneros e níveis sociais, podendo em certos casos ascender à dignidade de ser fabricada em ouro ou prata. Os guizos são eles próprios instrumento musical ou parte dele, referidos nos tratados por conceituados autores.

     A referência mais interessante que se encontra, prende-se com a menção, tanto à dança das espadas como aos chocalhos e “bozinas”, por Luís de Camões em pleno século XVI:


 “Mas em breves palavras direi a Vossas Mercês a suma da obra: ela é toda de rir, do cabo até a ponta. Entrarão logo primeiramente quinze donzelas que vão fugidas de casa de seus pais, e vão com cabazes apanhar azeitona; e trás elas vêm logo oito mundanos, metidos em um covão, cantando: Quem os amores tem em Sintra; i despois de cantarem farão ua dança de espadas, cousa muito pera ver. Entra mais El-Rei D. Sancho, bailando os machatins, e entra logo Caterina Real com uns poucos de parvos nua joeira; e semeá-los-à pela casa, de que nascerá muito mantimento ao riso. E nisto fenecerá o auto, com música de chocalho e bozinas, que Cupido vem dar a ua alfèoleira a quem quer bem; e ir-se-ão Vossas Mercês cada um pera suas pousadas, ou consoarão cá connosco disso que aí houver.”


     Sobre a “dança de espadas”, Camões dá-nos pormenores interessantes, nomeadamente, indica-nos o número de dançarinos; oito homens.

     Nada nos indica, contudo, sobre se era acompanhada por algum instrumento musical ou se era cantada pelos próprios dançarinos.

     Deduz-se igualmente que embora tanto a “Dança das Espadas” como a “Dança dos Guizos” esteja associado às danças guerreiras em várias culturas da Europa, (já Tácito a menciona em “De Germania” no primeiro século desta era), não deixava contudo de ser exibida noutros cenários menos cerimoniosos, religiosos e ritualistas até, e mais como função de divertimento.

     Já António Maria Mourinho no seu “Cancioneiro Tradicional e Danças Populares Mirandesas”, menciona a ancestralidade destas danças no contexto peninsular, acrescentando que, “As danças de Espadas e de paus (paulitos), são geralmente executadas por homens, tendo a própria igreja permitindo-as nas suas solenidades”.

FOTO ANTIGA da DANÇA








Caros conterrâneos, visitantes, amigos e interessados.

Quem é que tem uma foto da dança, com melhor qualidade da ilustrada?

Ou, já agora, outras fotos da dança ou sobre a vila e outros acontecimentos.

Agradeço que enviem para: jpmg6767@gmail.com

Desde já, os devidos agradecimentos





 

sábado, 3 de outubro de 2020

FORAL NOVO de GARVÃO


FORAL NOVO de  GARVÃO - 1512

Pela emissão do Foral-Novo de Garvão, em 1 de Julho de 1512, o rei D. Manuel I reformou o Foral-Velho desta vila, outorgado em Fevereiro de 1267.

Com a reforma dos forais-velhos, o rei D. Manuel procurava acabar com os particularismos locais e uniformizar estes documentos fundacionais da maioria dos concelhos portugueses, tanto em termos de lei geral para com o reino, como na atualização dos impostos e contribuições a suportar pelos concelhos.

Os Forais-Velhos foram outorgados numa altura de reconquista territorial aos Muçulmanos e, de consolidação do reino. Eram cartas de garantia e deveres outorgadas entre as comunidades e o rei, ou por entidades autorizadas para tal.

A reforma manuelina dos Forais ou Forais de leitura nova, se por um lado não deixa de ser um longo processo de reivindicação municipal iniciado durante o reinado dos seus antecessores, por outro, com a redação dos forais novos, D. Manuel reforçou o poder régio, ao submeter à coroa e à lei geral do reino, a maior parte das matérias administrativas concelhias, que anteriormente estavam previstas nos Forais-Velhos.

Igualmente, para um efetivo cumprimento das obrigações foraleiras e modernização das instituições do país, D. Manuel promulga legislação no sentido de uma unificação dos dinheiros, pesos e medidas até aí desigual e variável entre os vários lugares do reino.

 

Ficha Técnica

Autor José Pereira Malveiro
Título FORAL NOVO de GARVÃO
Data da Publicação Outubro de 2020
ISBN 978-989-20-2929-0
Depósito Legal 340830/12
Idioma Português
Formato  21 cm X 24 cm
Tipo de encadernação      Capa mole - colado
N.º de páginas 184 - Cores

 



LIVRO "FORAL NOVO de GARVÃO"









PUBLICAÇÃO do LIVRO FORAL NOVO DE GARVÃO - 1512.

                 Torna-se importante na data em que se assinala os quinhentos anos da outorga do Foral-Novo a Garvão, realçar a importância do resgate da memória local através da valorização do seu património. Valorizar igualmente a identidade colectiva da população, e incutir nas gentes locais o sentimento de pertença e a importância histórica de que se revestiu a outorga deste diploma, por El rei D. Manuel I em 1 de Julho de 1512.

            A antiguidade deste documento e a sua predominância na regulamentação da vida quotidiana da comunidade, do então concelho de Garvão, durante séculos, enquanto “lei da terra”, conferem, a este documento, um estatuto único num contexto social, económico, político e jurídico completamente diferente da realidade actual.

            A outorga dos Forais-Novos às populações, pela reforma dos Forais-Velhos, outorgados maioritariamente no período da reconquista e consolidação nacional, mostravam-se, séculos depois, desactualizados e insere-se num amplo processo de reformas do sistema administrativo e jurídico pelo rei D. Manuel que se destinavam tanto a modernizar o reino, como a uniformizar e a aplicar as leis gerais a todo o território. Visava essencialmente o reforço do poder real e fixar os impostos, encargos e foros a pagar pelos municípios ao rei ou aos senhorios quando era caso disso.

            Apesar do tema das cartas de foral e do poder concelhio não ser novo, não se nota, por parte dos historiadores e juristas portugueses, apesar de cada vez mais se entender, entre os historiadores nacionais, que o reinado e o governo de D. Manuel, se caracterizou por uma acção de reformismo, de modernismo e de construtivismo, tanto interesse pelo estudo e divulgação dos Forais-Novos como pelos forais da primeira geração ou Forais-Velhos.

             Tem, contudo, desde as últimas décadas do século passado e nestes últimos anos, aparecido estudos inovadores e interessantes contributos que apresentam uma nova visão para o entendimento dos Forais-Novos e da história social e económica desta época, por parte de novos historiadores assim como surgiram um número significativo de dissertações de mestrado e teses de doutoramento, em torno destas cartas de “leitura nova” e de monografias ou estudos locais.


 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...