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A mostrar mensagens de janeiro, 2023

ESTRUTURAS CULTUAIS

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Depósito Votivo de Garvão        A existência de estruturas cultuais em núcleos urbanos pré-romanos está bem documentada no Sudoeste Peninsular, entre outros pontos em Capote (Badajoz, Espanha), onde se localizou um depósito votivo primário: um conjunto de peças selado enquanto decorria a sua utilização ritual (Berrocal 1992, 1994).        A estrutura a que o depósito se associava era uma pequena câmara, integrada na estrutura urbana do povoado, largamente aberta para a rua. Um banco onde se empilhavam contentores cerâmicos de uma tipologia particular rodeava as paredes, no centro um altar construído em alvenaria a seco serviu como mesa para uma refeição ritual.        Nesta, terá participado, no sentido estrito, um número de pessoas próximas das duas dezenas, logo sendo os animais sacrificados distribuídos pela restante população do povoado. Neste caso parece não ter existido uma noção clara de culto a uma divindade específica, mas sim um ritual público, gentilício ou supra-gentilício...

O Maltês

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Mais vale roubar do que pedir             Embora, hoje em dia, se pretenda romancear o papel do maltês nas décadas de fome e miséria nos campos alentejanos, o certo é que este fenómeno é fruto das graves assimetrias sociais que se manifestavam essencialmente fora dos períodos de trabalho agrícola, a que os sem terra alentejanos recorriam, com caracter mais ou menos de vagabundismo, principalmente fora do período das ceifas, como José Pacheco Pereira, muito bem, apontou no seu trabalho, “As lutas sociais dos trabalhadores alentejanos: do banditismo à greve”. [1]             Os malteses, trabalhadores rurais durante as ceifas, vagabundos o resto do ano, são responsáveis por numerosos roubos, atentados pessoais, incêndios de searas, rixas, extorsão de comida e outros crimes, cuja fronteira entre criminalidade individual e social, sendo difícil de traçar para cada caso concreto, é nitidamente de carácter social se a analisarmos no seu conjunto. [2]          Ainda na segunda metade do sécul...