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A mostrar mensagens de dezembro, 2018

O POETA GOMES LEAL e o ALFAIATE JOÃO DA GRAÇA

Desafio de poetas em Garvão           No livro Sul e Sueste, de Joaquim da Costa, de 1940, consta a vinda de um poeta da cidade, António Gomes Leal, para um desafio de poetas na vila.           Segundo o mencionado livro, o encontro, realizou-se na hospedaria do Manuel Rosa e acompanhado de um farto jantar, onde o digno convidado, não se fazia rogado em elogiar as qualidades das meninas Rosas.           Entre os vários presentes, encontrava-se João da Graça, conhecido poeta da vila, alfaiate de profissão que defendeu as cores da terra, nesta contenda poética.             Aqui o poeta de Lisboa, depois de bem comido e bebido, voltando-se para uma das amáveis meninas Rosas, que serviam à mesa, recitou o seu soneto:   Alucina-me a cor! A rosa é como a lira, A lira, pelo tempo há muito engrinaldada, E é já velha a união, a nupcia sagrada, Entre a côr que nos prende e a nota que suspira.   Se a terra, às vezes, cria flor que não inspira, A teatral camêlia, a branca enfastiada, Muitas vezes ...

MARATECA em GARVÃO

          Surge no livro da Misericórdia e do Sagrado Espítito Santo de Garvão a denominação de um lugar denominado por Marateca, este lugar, segundo o mencionado livro, deveria situar-se junto à travessia da ribeira, senão fosse mesmo o lugar da própria travessia ou de alguma característica desse lugar, como se verá.           Surge, assim, na folha 122 verso: Traslado d'Escriptura de Confissaõ de Divida Com obrigaçaõ de paga de proprio, e juros da quantia de vinte quatro mil reis, (...) que fazem Diogo Mendes Lopes d'Azevedo, e sua Mulher Catharina Maria moradores nesta villa, (...) sendo no anno de mil outo centos vinte e seis, aos quinze de Settembro a quantia de vinte quatro mil reis metalicos a razaõ de juro de cinco por cento por tempo de hum anno (...) no dia trez d'Outubro de mil outo centos vinte e quatro, (...) em especial hum quintal com arvores manças sito junto ao Lagar do Azeite nesta villa, foreiro ao Conselho desta mesma em outenta reis, e parte do Norte co...

JOSÉ JÚLIO DA COSTA

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José Júlio da Costa,  O Famigerado Herói do Crime Grande da Estação do Rocio .             Fez, em 14 de Dezembro de 2018, cem anos, sobre o acto cometido por José júlio da Costa, natural de Garvão, que vitimou o presidente da República Sidónio Pais.           Falar do homem que matou um presidente da República não é fácil porque já foi quase tudo dito, ou pelo menos: onde nasceu e quando morreu, nome dos pais, nome da esposa, porque cometeu o atentado, (segundo as várias versões), com quem jantou, com quem falou, onde dormiu, que pistola tinha e pouco mais se adianta, como se um atentado desta natureza pouco mais tivesse de interesse.             Contudo a questão é muito mais complexa do que isso.             A história de José Júlio da Costa é uma história empolgante cheia de mistérios e enredos, de fugas, cabalas e maquinações que subverteram o estado de direito e o remeteram a uma prisão eterna sem julgamento.           Não faltam as conspirações políticas na história de Jo...

JOSÉ JÚLIO da COSTA - 12ª Parte

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CENTENÁRIO “O famigerado heroi do Crime Grande da Estação do Rocio” FINAL e MORTE de JOSÉ JÚLIO da COSTA Parte 12 (de 12)           O “famigerado heroi do crime grande da estação do Rocio” morreu em 16 de Março de 1946, com a idade de cinquenta e dois anos, internado no Hospital Miguel Bombarda ao fim de vinte e oito anos de prisão, sem nunca ter sido acusado nem julgado do acto que vitimou Sidónio Pais.           O que eventualmente poderia depor sobre o seu percurso de militância politica na capital, no período anterior ao golpe de Sidónio Pais, junto de companheiros que anos depois estavam nas fileiras da nova policia politica; os incitamentos e influências que o motivaram para cometer o atentado; os complots que se sucederam e culminaram na sua libertação pela “noite sangrenta”; quem o protegeu e sustentou durante os anos seguintes; o seu conhecimento sobre os tramas que se conspiravam nos bastidores dos partidos políticos; sobre as convulsões porque passou a República, comprometia...

PEDRA à ESQUINA da LOJA do SR ZÉ CONDUTO

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    Em forma de mó           A Coluna “Romana” que se encontra na travessa do Álamo, não constitui o único vestigio de interesse arqueológico que se encontra nas ruas da vila, tempos houve em que outra coluna se encontrava na rua das hortas, pedras de cabeceira de sepulturas nos quintais junto ao castelo, pedra mármore junto ao cemitério velho, outra pedra mármore num quintal da travessa do Álamo, entre outras como a que a seguir se relata.           Junto à porta da loja do Sr Conduto, loja de roupas e chapelaria nos anos sessenta do século passado, na rua Direita, à esquina da ladeira que dá para a ribeira, estava uma pedra redonda em forma de mó, de grandes dimensões, branca, possivelmente de calcário ou de mármore.           As suas dimensões não correspondem ao tamanho das pedras de mó conhecidas, demasiado larga, alta e pesada para tal função, terá de se procurar a sua utilização noutra actividade.           Desconhece-se igualmente quanto tempo lá esteve ou quem para lá a levou....

JUDEUS em GARVÃO

Guedelhas e Levis           A menção a uma comunidade judia em Garvão remonta ao princípio da nacionalidade e segundo Mayer Kayserling, esta presença era mesmo anterior à reconquista, pois na sua História dos judeus em Portugal , do século XIX, menciona que D. Afonso III e D. Diniz nos foros que concederam ás terras arrebatadas aos Mouros após a conquista do Algarve, não excluiram os Judeus e as terras onde viviam em grande número como em Garvão. Volta a mencionar, no mesmo livro, que a comunidade de judeus em Garvão se encontrava entre as mais importantes do reino.          Pela sua afluência à feira de Garvão ou pelas suas andanças pela Estrada Real do Algarve,  mantiveram-se, como comunidade ciente da sua origem, até praticamenteo ao século XX, havendo conhecimento actualmente de descendentes destas famílias ainda a residir na vila de Garvão.           A Carta de Foral de Garvão de 1267, menciona, em várias cláusulas, leis referentes aos judeus, nomeadamente os que se dedicavam ao e...

JOSÉ JÚLIO da COSTA - 11ª Parte

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CENTENÁRIO “O famigerado heroi do Crime Grande da Estação do Rocio” SEGUNDA PRISÃO Ou o Resgate em 1927 Parte 11 (de 12)                    José Júlio da Costa só em 14 de Janeiro de 1927, sexta-feira, volta a ser preso, em Matosinhos, no hotel Central, onde se encontrava protegido pelo proprietário Alberto Midões, em circunstâncias ainda não plenamente esclarecidas, por António Maria Fernandes, funcionário público, apoiante de Sidónio Pais e sidonista convicto. José Júlio da Costa volta à Penitenciária de Lisboa de onde só sairá para o hospital psiquiátrico Miguel Bombarda, aonde viria a falecer em 28 de janeiro de 1948.           António Maria Fernandes não seria um obscuro funcionário público, como os jornais da época fizeram crer, seria um dos muitos que Sidónio Pais aliciou para as suas fileiras, nomeadamente para a sua Policia Preventiva. O seu percurso coloca-o no meio dos círculos revolucionários que agitavam o país antes de Sidónio, de facto António Maria Fernandes era conheci...

GARVÃO nos PRIMEIROS MAPAS de PORTUGAL

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A questão da antiguidade da chamada, “PONTE ROMANA” da Estação de Garvão, nos mapas de Fernando Alvaro Seco e de Pedro Teixeira Albernaz           A primeira representação conhecida do levantamento cartográfico do território nacional continental é a carta efectuada por Fernando Álvaro Seco e publicado em Roma em 1561.           Em 1662, publicava-se em Madrid, a carta de Pedro Teixeira Albernaz, Description del reyno de Portugal y de los reynos de Castilla...           Tanto uma carta como outra serviriam de base, às diversas cartas e mapas de Portugal que se publicaram nos séculos seguintes. No inventário das localidades referidas pelo mapa de P. T. ALBERNAZ começaram por manter-se as mesmas áreas que tinham sido definidas no de A. SECO .1            As povoações do antigo concelho de Garvão, Garvão e Santa Luzia, aparecem, nos respectivos mapas, com as designações actuais, embora, no caso de Garvão, com alguns erros gráficos, nomeadamente no de A. Seco, em que a vila de Garvão apare...