segunda-feira, 1 de junho de 2015

MUSEU de ETNOLOGIA (contribuições)

Peças de valor Etnográfico, na posse de particulares residentes em Garvão destinadas ao  "Museu Etnográfico de Garvão".








 

MUSEU ARQUEOLÓGICO (contribuições)

Contribuições para o MUSEU ARQUEOLÓGICO na Vila de Garvão

          Peças de interesse arqueológico encontradas em Garvão.

          Algumas encontram-se na vila, em poder de particulares, outras encontram-se nos serviços oficiais de arqueologia.

          O objectivo desta página é dar a conhecer as peças encontradas na freguesia, e efectuar, também, um registo virtual para a concretização do Museu Arqueológico de Garvão.





 

FAMÍLIA MALVEIRO





José Malveiro e esposa Maria Antónia Pereira

(Informação sobre as fotos, no post de 12 de Março de 2019)

FAMÍLIA MALVEIRO

     A ideia de que a origem da família de apelido Malveiro, poderá ter diversas origens e estratos sociais, parece-se dissipar quando se estuda a genealogia desta família, pois todos os registos de Malveiros encontrados até agora são relacionados uns com os outros.

     De facto, o que este estudo revela é que todos os indivíduos portadores do nome Malveiro, pelo menos nesta parte do Sudoeste Alentejano, estão relacionados entre si e não se observa a disseminação deste apelido por várias famílias que poderão ter tomado o nome da herdade dos Malveiros, em Santa Luzia, por lá terem residido ou trabalhado.

     Em termos de estratos sociais e detentores de alguma riqueza, nota-se, de facto, serem no século XVIII, proprietários de várias herdades, uma delas o Monte da Serra em santa Luzia adjunto da Herdade dos Malveiros, (sem, contudo, ter ainda aparecido um documento que dá esta família como proprietária desta herdade), contudo, nas gerações posteriores, vamos encontrando uma certa perda de riqueza e de estatuto social, se nos registos mais antigos constam como proprietários, posteriormente vamos encontrando para seareiros, almocreves e moleiros (entre outras profissões) e depois, maioritariamente no século XIX, para trabalhadores, moirais e tratadores de gado, embora alguns membros desta família ainda esteja na posse de algumas propriedades, como se verá adiante.

     Entre as várias hipóteses avançadas, nomeadamente a opinião de José Maria Ferreira em WWW.geneall.net, abaixo mencionado, a origem do nome poderá estar associado à vila de Malva em Espanha junto à raia nordestina portuguesa, pois nos anos de 1430/1450, aparece a viverem na mesma altura na cidade de Évora tanto o apelido Malveiro com um individuo de apelido Da Malva[1] que poderá ser um ascendente ou familiar do anterior, com origem na localidade espanhola com esse mesmo topónimo e que terá imigrado para Évora de Espanha por várias razões, acompanhando a transumância dos rebanhos ou motivados pelo comércio e contrabando de panos e gado, ainda segundo a informação de José Maria Ferreira.

          A hipótese militar não poderá igualmente ser descartada, embora o primeiro relato escrito, do nome Malva, surja em 1430/1450, dois séculos depois da reconquista portuguesa, nada impede que por motivos militares, se tenham radicalizado em Portugal mais cedo. Em Espanha a luta dos reis católicos contra o reino de Granada prolongou-se praticamente até ao século XVI, (1492).

          O topónimo Malveiro aparece igualmente noutras regiões, segundo Luís Soveral Varella[2], nomeadamente a Norte de Lisboa onde existem as localidades da Malveira da Serra no concelho de Cascais e Malveira no concelho de Mafra, afamada pela sua feira do gado. 

          Aqui a hipótese de algum habitante de Malva, ou já portando o apelido Malveiro, se ter radicalizado e dado o nome à Malveira/Mafra, por motivos comerciais sai reforçada, ainda mais tendo em consideração que existe uma certa coincidência entre Garvão e Malveira/Mafra, materializadas ambas nas suas antiquíssimas feiras de Gado. Aqui sai reforçada igualmente a hipótese judia, na origem dos primeiros Malveiro, pois, os judeus, não só habitavam a raia espanhola como são reconhecidos pela sua aptidão comercial.

          Contudo quanto à suposição de ter sido um Malva ou Malveiro a dar o nome às várias localidades que portam o nome Malveiro na região a norte de Lisboa, o contrário também se aplica e poderá ser verdade, e famílias desta região, (dando o nome à Malveira/Mafra ou dela tirando o nome), acompanhando ou não o circuito comercial das feiras ou da transumância dos gados poderão ter dado o nome a outras localidades situadas mais a sul.

          Portando, pessoas oriundas da Malveira/Mafra poderão ter dado o nome à herdade dos Malveiros/Santa Luzia como proprietários, e por sua vês a herdade dos Malveiros terá dado o nome a várias famílias de trabalhadores agrícolas que lá moraram, (isto aplica-se, como é obvio, a outras herdades ou locais denominados Malveiro ou Malveiros, sem, contudo, se poder afirmar, com certeza, que a área de irradiação primitiva seja a Malveira/Mafra ou outra).


MALVEIROS e o Arzil, Laborela, Columbaes e o Montenegro

Surge igualmente várias informações sobre os Malveiros em várias páginas na internet, nomeadamente: http://esmesmojosuee.blogspot.pt/2008_07_01_archive.html e http://www.geneall.net .

“Ao que parece este apelido surge no Sul numa família nobre que no séc. XVI morava na Vila de Panóias. Esta família, ligou-se por casamentos, aos Britos, Cansados, Pais, Jorges e Falcões. Continuou através dos tempos detendora de várias propriedades na região, entre elas destacam-se o Arzil, os Malveiros a Laborela e o Montenegro. Algumas dessas propriedades ainda pertencem a seus descendentes, na família Brito Pais. No século XIX, a herdade da Laborela era pertença de um descendente dos Malveiros, chamado Francisco Jorge que esta aqui no Genea em http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=189670[3]

Igualmente sobre a herdade da Laborela têm sido postadas valiosas informações, pela mão de José Maria Ferreira, em http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=264826

Escreve Maria Matos:

“A Herdade da Laborela pertencia no Séc. XVII a Manuel Gomes Malveiro cc. Maria Jorge[Silva] e em 1829 pertencia a Francisco Jorge Silva…)”

“Os descentes Bárbara da Conceição Malveiro e seu irmão Joaquim Eduardo Julio são ambos meus trisavós vistos os seus filhos, primos direitos terem casado entre si. São eles: Teresa Eduarda da Conceição de Jesus Maia e Carlos Júlio pais da minha avó Mariana Prazeres da Maia Júlio.”

Responde José Maria Ferreira

“O que eu tenho sobre a sua tretavó Maria do Espírito Santo Malveiro é que ela era filha de António Francisco e Teresa Malveiro de Garvão e foi casada com Eduardo Rodrigues [Júlio].

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] … baptizava muito em nome do espírito Santo ou não fosse ele casado com uma Maria do Espírito Santo, cuja família Malveiro pertencia à confraria do Espírito Santo!!!

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] era assim, ainda primo irmão de Eduardo de Brito Júlio, pai de José Júlio da Costa que assassinou Sidónio Pais, pois eram ambos netos de Joaquim Rodrigues do Vale e Maria Júlia de Santa Luzia.

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] foi também padrinho em Panoyas de Amélia Costa que casará mais tarde com Manuel da Costa, irmão de José Júlio da Costa.”

Portanto no primeiro quartel do séc. XVII a Herdade da Laborela, assim como a Herdade do Arzila (sic) e muitas outras herdades nos arredores e termo de Garvão, estão na posse dos Malveiros. Malveiros que em 1618 já eram moradores na Vila de Panoyas, onde Manuel Gomes Malveiro deu fiança a André Machado, morador na Vila de Garvão, para poder desempenhar o ofício de escrivão dos órfãos.

No entanto os lavradores que se ficaram pela Laborela, Arzil e Columbaes permaneceram ligados ao culto do Espírito Santo e ainda nos século XVIII e XIX faziam parte da Irmandade do Espírito Santo: António Malveiro, André Malveiro, Joaquim Malveiro, Joaquim José Malveiro, António Pedro Malveiro, Francisco José Malveiro.

São todos descendentes de Manuel Guomes Malveiro morador na Vila de Panoyas.”[4]



MALVEIROS de GARVÃO

No livro da Misericórdia e do Espírito Santo da vila de Garvão consta a menção a vários Malveiros:         

André Malveiro, 22 Maio 1734

Manoel Lopes Malveiro, 20 Março 1792

Antonio Malveiro, 7 Setembro 1769

Joaquim Malveiro 18 de Dezbro. de 1797

Joaquim Jozé Malveiro 15 de Fevrº de 1808.

Francisco Jozé Malveiro 17 d'Agto de 1814

Joaquim Jozé Malveiro 17 d'Agto de 1814

Antonio Pedro Malveiro 33 de Obrº de 1834

Francisco Jozé Malveiro 33 de Obrº de 1834.

António Pinto Malveiro 15 de Junho de 1881.

Francisco Malveiro e sua mulher Gertrudes Maria Canellas (ou Capella, tem de confimar) 13 Julho 1884


Surge igualmente a informação de M. Rosa Leitão: [5]

“O meu bisavó materno era António Pinto Malveiro nascido na vila de Garvão 1848, casado com Amélia Barbara das Neves Dinis, filho de José Pinto Malveiro natural de Garvão e de Teresa se Jesus, neto de António José Pinto e de Leonor Malveiro. o meu bisavó foi regedor em Garvão.”

Como se observou na lista do livro da Misericórdia e do Espírito Santo, existe um António Pinto Malveiro, no ano de 1881.

De João Barroca surge-nos igualmente a informação:[6]

“Ao pesquisar Garvão no ano de 1909, vi este nome, cito: ANTÓNIO PINTO MALVEIRO - Hospedaria em Garvão (Ourique)”

A informação foi retirada do Anuário de 1909,estes Anuários trazem os nomes e profissões das pessoas de Portugal, Ilhas e ex-colónias.

Deixo-lhe mais esta nota que referenciei no Anuário de 1908, cito:

JOSÉ ANTÓNIO MALVEIRO - Thesoureiro da Misericórdia e Hospital de Garvão.

Deixo-lhe os nomes das pessoas que faziam parte da Misericórdia e Hospital de Garvão em 1908/1909, cito:

- FRANCISCO ANTÓNIO TOGEIRO – Médico

- MARIA IGNÁCIA – Enfermeira

- JOSÉ ANTÓNIO MALVEIRO – Thesoureiro

- ANTÓNIO ANASTÁCIO DINIZ GAGO – Escrivão

- ANTÓNIO GONÇALVES MOREIRA – Párocho”


          Não deixa de ser interessante, o facto do Livro da Misericórdia e do Espírito Santo de Garvão, ter a última entrada por volta de 1890 e após as convulsões socais provocadas pelo liberalismo a Misericórdia de Garvão manteve a sua estrutura e continuou a ter alguma organização que se prolongou pelo século XX, até praticamente à República.

   

NOTAS:

[1] No inventário dos apelidos de família na obra " Évora na Idade Média" de Maria Angelica Rocha Beirante, regista o primeiro indivíduo de apelido MALVEIRO naquela cidade no período de 1430-1450, o qual poderá corresponder a Afonso Martins Malveiro, referido na mensagem anterior pelo confrade Luís Soveral. De notar que naquele mesmo período morava naquela cidade alentejana um indivíduo de apelido DA MALVA. In: http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[2] Lista de lugares com o nome Malveiro ou Malveira que poderão ter a ver com os deste apelido. Bairro da Mata da Malveira, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Casal da Malveira, localidade do concelho de Alcobaça, distrito de Leiria Casal do Malveiro, localidade do concelho de Sintra, distrito de Lisboa Malveira da Serra, localidade do concelho de Cascais, distrito de Lisboa Malveira de Cima, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, freguesia do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal Malveira, localidade do concelho de Almada, distrito de Setúbal Malveiro, localidade do concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa Malveiros, localidade do concelho de Ourique, distrito de Beja Quinta da Malveira, localidade do concelho de Aljezur, distrito de Faro Quinta da Malveira, localidade do concelho de Cascais, distrito de Lisboa. Segundo Luís Soveral Varella em https://geneall.net/pt/forum/24825/fam-malveiro/

[3] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[4] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=264826

[5] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[6] idem





domingo, 31 de maio de 2015

LIVRO DE FOTOS ANTIGAS



Vinte Anos Depois ...

          Em 1995 dentro do âmbito da Associação Cultura e Defesa do Património de Garvão foi editado o livro de Fotos Antigas da vila de Garvão.

          Fruto da colaboração da referida Associação com a restante população que cederam graciosamente as fotos em sua posse para a respectiva publicação.

          Relembrar os vinte anos passados sobre a sua edição, tal como há vinte anos, é dar a conhecer vivências socio-culturais e históricas da população de Garvão que, além de marcar as respectivas gerações, elucidou-nos como as vivências diárias se vieram a alterar profundamente entre os quotidianos passadas e presentes das gentes do nosso… (atrevo-me mesmo a dizer concelho)

          Fotos de uma existência traçada pelas raízes que os prendem à terra, à música, à escola, às festas, à feira, à consciência, à vida, ao futuro, aos direitos, no fundo à dignidade, à honra, à nobreza, à decência e respeitabilidade… Fotos que contam histórias daqueles que nos precederam, daqueles que num dado momento da sua vida tiveram a coragem, de com maior ou menor sofrimento, de enfrentarem as adversidades da vida e contribuírem para a história da vila de Garvão.


sábado, 30 de maio de 2015

CERRO da FORCA




Cerro da Forca

          No extremo Sul da vila de Garvão, sobranceiro ao "Curral dos Bois", na  Estrada para o Monte Zuzarte fica situado o "Cerro da Forca", onde, segundo a  tradição oral eram enforcados os justiçados.

          Segundo informação dos antigos proprietários toda aquela área estava coberta de sobreiras e azinheiras, sendo a forca, quando era preciso, colocada numa das pernadas de determinada azinheira.

           As Forcas como símbolo da execução da justiça e da autonomia municipal, (assim como os Pelourinhos, os Forais e os respectivos Paços do Concelho), foram abolidas em Portugal a 26 de Junho de 1867 no reinado de D. Luís.

          As Forcas eram situadas, geralmente, em Serros sobranceiros à Vila, de boa visibilidade onde a exposição dos justiçados na Forca teriam um efeito dissuador e de intimidação dos possíveis infractores e da população em geral.

          Os sentenciados à "morte perpéctua", (sem direito a enterramento cristão para salvação da sua alma, nem direito a ser enterrado em solo sagrado nos adros das igrejas como era habitual), implicava que os "enforcados" ficavam expostos na Forca, até ao próximo dia de Todos-os-Santos, quando os Irmãos da Misericórdia organizavam a Procissão dos Ossos, e recolhiam o que restava do condenado para o sepultarem junto à Igreja da Misericórdia, muitas vezes os corpos "no seu entorno" padeciam do ataque de cães e outros animais que despedaçavam as partes inferiores dos condenados.

          Devido à larga exposição dos "enforcados" por "morte perpéctua", as Forcas eram, geralmente, situadas em elevações contrárias ao vento dominante, para que na Vila e nas casas da população, não se sentir o cheiro da carne em decomposição.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Professor Manuel Joaquim Delgado




LEMBRANDO ...

O Professor Manuel Joaquim Delgado

Quadras recolhidas em Garvão


Autor de várias obras sobre o Baixo Alentejo nomeadamente, A Linguagem Popular do Baixo Alentejo e o Dialecto Barranquenho, editado em 1951 e Etnografia e o Folclore no Baixo Alentejo, editado em 1956, ambos reeditados pela Assembleia Distrital de Beja em 1983 e 1985 respectivamente.

A obra do Professor Manuel Joaquim Delgado é um imenso celeiro – uma almástica – inesgotável, que possibilita uma investigação interminável para muitas e imensas searas vocabulares.

Trata-se de uma obra riquíssima em pesquisa, estudo, com citações, ilustrações, pistas de recolhas e investigações comparadas e confrontadas pelas várias vilas do Alentejo. Um contributo precioso para a divulgação e o estudo dos vocábulos, fonemas e outras características fonéticas que distinguem o falar alentejano.

Quadras recolhidas pelo Professor Manuel Joaquim Delgado em Garvão incluídas no livro A Linguagem Popular do Baixo Alentejo e o Dialecto Barranquenho de 1951.


Folhas 103 e 222. Quadras CXCI e CDLXVIII.


Ó àsença avorrecida

Ò pàxã tâ rigorosa

Máj’ val’ uma àsença firme

Que uma presença enganosa.


Folha 127. Quadra CCXLIX.


Tenho três venténs no bolso,

Com déz reis som três e mêo,

Pra comprar as blancias

Cas moças trazem no sêo.


Folha 178 e 312. Quadras CCCXLVI e DCLXX


Ser pobre nã é defêto

Sendo logo de nasção;

Val ’maj’ do ca requeza

A boa comportação.


Folha 191. Quadra CCCLXXXVII.


S’ê pudesse abrir mê pêto,

Mostrar-te o mê coração,

Só então darias créto

S’ê te tenho amor ou não.


Folha 229. Quadra CDXLIV


A rosa, depois de seca,

Inda máj’espinhos tẽi;

Entes qu’ê quêra nã posso

Negar que te quero bẽi.


Folha 341. Quadra DCCXXXI


Afasta-te água clara,

Dêxa passar a barrenta.

Que um amor que não é firme.

Com pôca coisa s’àsenta.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

CERCA do ADRO




Arqueólogo Caetano de Mello Beirão (sentado à esquerda)

Arqueóloga Susana Correia (de pé à esquerda) 


Cerca do Adro

Presentemente, poucas pessoas reconhecem o local onde em 1990, quando se procedia ao alargamento do adro da Igreja Matriz, se pôs a descoberto os vestigios arqueologicos, que presentemente se observam, como Cerca do Adro e, ainda menos, são as pessoas que realmente sabem o que são, de facto, aqueles vestigios arqueologicos postos a descoberto, denotando claramente uma falta de ligação entre os eleitos locais e as estruturas centrais que promovem e financiam estes trabalhos de investigação aqueológica e a população.


            Neste local detectaram-se, para além de uma necrópole medieval, algumas estruturas que foram objecto de uma intervenção de emergência realizada por arqueólogos do então Igespar, que veio comprovar a ocupação do Cerro da Vila desde, pelo menos,a Idade do Ferro. Trabalhos esses continuados aí posteriormente pela Associação cultural e Defesa do Património de Garvão em 1995 e 1996, permitiram apurar a existência de ocupação de época romana, do período islâmico almóada (um contexto de cozinha) e dos finais da Idade Média, princípios da Idade Moderna (estruturas desmontadas).


            Trata-se de um cabeço sobranceiro à Igreja de Garvão. Foram identificados vestígios de diferentes épocas, a que correspondem três momentos de ocupação. Um primeiro momento Baixo Medievo a que lhe correspondem estruturas nomeadamente de defesa, um periodo Islâmico onde foi detectado um nível Almoada, mais precisamente um contexto de cozinha (lareira), e um terceiro nível de ocupação de onde se exumaram materiais romanos e estruturas da idade do ferro (dois fornos e uma eventual muralha). Para este momento cronológico o sítio deve fazer parte integrante do povoado do Cerro Forte,perfazendo assim uma área de cercade 6 hectares.


            Do espólio encontrado contam-se cerâmicas de ornatos brunidos, verniz vermelho, cerâmca cinzenta, cerâmica estampilhada pntada, anforas, sigillatas, dollium, campaniense, jarrinhas, panelas, malgas islâmicas, vidradas, numismas, escória, espólio ósseo.

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...