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LIVRO "DANÇA DE GARVÃO"
Desde as primeiras civilizações, até aos nossos dias, foram muitos os povos que passaram pelo nosso território e fizeram dos seus costumes parte da nossa cultura, num misto de crenças, superstições, conhecimentos, arte, moral, leis e costumes. As populações, ao perpetuar os usos e costumes dos seus antepassados, nas suas principais necessidades: religiosas, de divertimento, social ou de defesa, mantiveram e divulgavam certas tradições que se perpetuaram atá aos nossos dias. As danças tradicionais populares, conservam ainda muito da sua autenticidade, observada nos movimentos dos dançarinos, na música e nos trajes, são danças, músicas e cantares, ligados de geração em geração, vindas muitas vezes do mundo incógnito da ancestralidade. Ainda hoje se celebram com bastante pureza no seu ritualismo original, as festas existenciais de Inverno. São rituais de profundo significado mitológico: rituais de iniciação, celebrações de mitos e rituais do homem que o une ao tempo sagrado, valoriz...
Caro amigo
ResponderEliminarEste blog tem sido, até agora, inteiramente dedicado á história e cultura da vila de Garvão , contudo reparo agora, com alguma surpresa, que tem uma menção a Catarina Eufémia.
Embora caia nas minhas simpatias, não posso deixar de manifestar alguma estranheza, significará isto que este blog vai entrar por outros caminhos?
Manuel Conceição
Caro amigo
ResponderEliminarObrigado pelo seu comentário. Este blog, assim como o Jornal de Garvão, continuará a ser inteiramente dedicado ao desenvolvimento local da vila de Garvão, divulgando o seu património, a sua cultura e a sua história.
Divulgou-se a sua história, tentou-se conciencialisar a população para a sua riqueza arquelogica e histórica e sensibilisar as pessoas para a necessidade de protecção do seu património como factor de desenvolvimento e á sua medida contribuir para a criação de empregos, travar o despovoamento da vila, mostrou-se alternativas e apontou-se os factores mestres de um projecto de desenvolvimento local:
Contudo existe certas realidades que nos afligem directamente, nomeadamente: as questões ambientais, as questões ecológicas e naturalmente as questões socias, naturalmente porque se só por si esta questão não bastasse, José Júlio da Costa coloca-nos no meio da turbulência social do século XX, não só com a morte do presidente da republica, mas inclusivamente para a consciencialisação das miseráveis condições de vida dos trabalhadores rurais alentejanos e as subsequentes lutas por melhores condições de trabalho.
Mas a história do Alentejo não se faz só pelas lutas dos trabalhadores rurais, camponeses ou outras camadas sociais mais desfavorecidas, (continuar a bater nesta tecla continua a ser uma falácia). A história do Alentejo faz-se igualmente pelos acontecimentos que envolveram outras camadas sociais, sejam eles mais abastados ou menos abastados, proprietários agrícolas ou não, e é nesta diversidade social que encontramos pessoas, envolvidas igualmente neste drama, como o lavrador Francisco Nunes, que é geralmente descrito como uma pessoa acessível e foi caracterizado* como "o jovem lavrador da região que menos discutia os salários a atribuir aos rurais e que, nas épocas de desemprego, os ajudava com larga generosidade", que a levantou da poça de sangue onde se encontrava, e terá dito: Oh senhor tenente, então já matou uma mulher, o que é que está a fazer?.
Portanto tomar iliciações politicas não só é errado como é falso.
Errado é transformar o local do assassinato da jovem ceifeira Catarina Eufêmia, que simboliza a luta dos trabalhadores rurais alentejanos, num local de manifestação politica em nome de um só partido.
O local da morte de Catarina Eufémia, na minha opinião, deveria estar isento de manifestações políticas e tranformar-se num simbolo das lutas contra a opressão, a ditadura, a prepotência e num local de peregrinação em nome da luta travada pelos trabalhadores rurais alentejanos por melhores condições de trabalho e a data do seu assassinato transformar-se num feriado alentejano.
Não se pode ignorar igualmente que este jornal tem um forte objectivo social, que é a educação e a elevação cultural da sua população, o que lhes permitirá outros conhecimentos e outra preparação para a vida, não será com slogans políticos “de acabar com os ricos”, que as classes mais desfavorecidas encontrarão melhores condições de vida, mas antes acabar com a pobreza e a ignorância para que crimes desta natureza não aconteçam.
José Pereira
* Manuel de Melo Garrido em "A morte de Catarina Eufémia —A grande dúvida de um grande drama"