CATARINA EUFÉMIA

Sessenta anos depois


NÃO ESQUEÇAM





CATARINA EUFÉMIA


Assassinada em 19 de Maio de 1954



Comentários

  1. Caro amigo
    Este blog tem sido, até agora, inteiramente dedicado á história e cultura da vila de Garvão , contudo reparo agora, com alguma surpresa, que tem uma menção a Catarina Eufémia.
    Embora caia nas minhas simpatias, não posso deixar de manifestar alguma estranheza, significará isto que este blog vai entrar por outros caminhos?
    Manuel Conceição

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  2. Caro amigo
    Obrigado pelo seu comentário. Este blog, assim como o Jornal de Garvão, continuará a ser inteiramente dedicado ao desenvolvimento local da vila de Garvão, divulgando o seu património, a sua cultura e a sua história.
    Divulgou-se a sua história, tentou-se conciencialisar a população para a sua riqueza arquelogica e histórica e sensibilisar as pessoas para a necessidade de protecção do seu património como factor de desenvolvimento e á sua medida contribuir para a criação de empregos, travar o despovoamento da vila, mostrou-se alternativas e apontou-se os factores mestres de um projecto de desenvolvimento local:
    Contudo existe certas realidades que nos afligem directamente, nomeadamente: as questões ambientais, as questões ecológicas e naturalmente as questões socias, naturalmente porque se só por si esta questão não bastasse, José Júlio da Costa coloca-nos no meio da turbulência social do século XX, não só com a morte do presidente da republica, mas inclusivamente para a consciencialisação das miseráveis condições de vida dos trabalhadores rurais alentejanos e as subsequentes lutas por melhores condições de trabalho.
    Mas a história do Alentejo não se faz só pelas lutas dos trabalhadores rurais, camponeses ou outras camadas sociais mais desfavorecidas, (continuar a bater nesta tecla continua a ser uma falácia). A história do Alentejo faz-se igualmente pelos acontecimentos que envolveram outras camadas sociais, sejam eles mais abastados ou menos abastados, proprietários agrícolas ou não, e é nesta diversidade social que encontramos pessoas, envolvidas igualmente neste drama, como o lavrador Francisco Nunes, que é geralmente descrito como uma pessoa acessível e foi caracterizado* como "o jovem lavrador da região que menos discutia os salários a atribuir aos rurais e que, nas épocas de desemprego, os ajudava com larga generosidade", que a levantou da poça de sangue onde se encontrava, e terá dito: Oh senhor tenente, então já matou uma mulher, o que é que está a fazer?.
    Portanto tomar iliciações politicas não só é errado como é falso.
    Errado é transformar o local do assassinato da jovem ceifeira Catarina Eufêmia, que simboliza a luta dos trabalhadores rurais alentejanos, num local de manifestação politica em nome de um só partido.
    O local da morte de Catarina Eufémia, na minha opinião, deveria estar isento de manifestações políticas e tranformar-se num simbolo das lutas contra a opressão, a ditadura, a prepotência e num local de peregrinação em nome da luta travada pelos trabalhadores rurais alentejanos por melhores condições de trabalho e a data do seu assassinato transformar-se num feriado alentejano.
    Não se pode ignorar igualmente que este jornal tem um forte objectivo social, que é a educação e a elevação cultural da sua população, o que lhes permitirá outros conhecimentos e outra preparação para a vida, não será com slogans políticos “de acabar com os ricos”, que as classes mais desfavorecidas encontrarão melhores condições de vida, mas antes acabar com a pobreza e a ignorância para que crimes desta natureza não aconteçam.
    José Pereira
    * Manuel de Melo Garrido em "A morte de Catarina Eufémia —A grande dúvida de um grande drama"

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