sexta-feira, 7 de maio de 2010

SUL e SUESTE - 70 Anos Depois

  

SUL E SUESTE

 Já lá vão setenta anos.


Foi em 1940 que Joaquim da Costa, natural de Garvão, publicou através das oficinas da Gazeta do sul no Montijo, o livro “SUL e SUESTE- Prosas de Além-Tejo”.

Joaquim da Costa era, como já se disse, natural de Garvão, cuja família tinha casas na Rua Direita e era proprietária de propriedades como a Monchica e os Cachorros, era familiar de José Júlio da Costa, que matou o presidente da republica, Sidónio Pais em 14 de Dezembro de 1918 e de Celestino da Costa, primeiro presidente da Junta de Freguesia de Garvão depois da revolução de 25 de Abril de 1974.

Este livro que apesar de tratar essencialmente de lugares e famílias de Garvão passa despercebido hoje em dia com um total desconhecimento sobre este nosso conterrâneo e a sua obra, contudo trata-se de uma série de crónicas, que nos brindou, relativas a esta parte do Alentejo em geral e a Garvão em particular, nos vários contos e novelas deste livro, fruto da sua infância e da sua memória.

Na novela a “Luíza” fala-nos sobre um amor impossível entre a filha de um rico lavrador e um dos criados que acabou com a morte do criado e o suicídio do lavrador. Fala-nos das Festas do São Barão, da Sr.ª da Cola, do Marguilha de Garvão e do seu cachimbo, da ponte do Carrascal, do lavrador José Francisco, sem contudo precisar a herdade, fala-nos do almocreve António Braga e do seu pai José Braga, Sebastiano de São Martinho entre outras referências a lugares e pessoas da região.

Na novela “João Teles”, menciona a moleja, menina de cinco olhos, jogo do botão e “molha a orelha”, menciona o ano da pneumónica, o pego do Azulão e a ponte do caminho de ferro.

Na crónica sobre o poeta “João da Graça” Joaquim da Costa fala-nos do avô, lavrador abastado da Monchica e dos Cachorros. João da Graça seria alfaiate e pai do Ti’Farrapinho, ultimo alfaiate de Garvão, cuja bisneta ainda reside em Garvão, menciona, também, a ponte velha de Garvão, da Igreja Nossa Sr.ª da Assumpção, da hospedaria do Manuel Rosa, do Caetano Rosa, da Rua Direita e das meninas Rosas.

A “ A Velha o Chibo e o Lobo” é uma crónica passada na Pézinha, e m enciona o Monte Major, o Cezar e o Serafim de Carvalho de Garvão e a Marianita.

Noutros contos fala-nos sobre a avó, Maria Tereza de Jesus lavradora da Monchica e dos Cachorros, fala-nos, também da Miquelina, do Francisco alhinho da Natividade, da Maria Barbara, do Serro dos Besteiros e da gruta do lobo.

Trata-se, sem dúvida, de uma obra escrita com grande sensibilidade e conhecimento cuja redacção a papel não só nos permitiu tomar contacto com outros tempos e realidades que nos precederam e nos deram vida como nos transmitiu conhecimentos e informações sobre famílias lugares e costumes de há setenta anos atrás.

Era livro obrigatório de leitura, nas casa dos lavradores da região, era guardado religiosamente. Ainda nos anos setenta do século XX havia lavradores, que embrulhado em pano, o conservavam na arca juntamente com outros pertences mais valiosos. Devia ter sido livro de leitura nas longas noites de Inverno, entre outras histórias, contadas de geração em geração para delicia de miúdos e graúdos nos serões em volta da fogueira debaixo do chupão.

Uma segunda edição desta publicação promovida pelos autarcas locais não só iria homenagear este nosso conterrâneo como iria dignificar a vila de Garvão e um contributo para a sua valorização, porque como diz o ditado "um povo sem memória é um povo sem futuro".


 


 

terça-feira, 6 de abril de 2010

DEPÓSITO VOTIVO DE GARVÃO

DÁ ORIGEM À CRIAÇÃO DO CENTRO DE ARQUEOLOGIA CAETANO DE MELLO BEIRÃO (CACMB)


Uma parceria entre a Universidade de Évora, a Câmara Municipal de Ourique e a  Direcção Regional de Cultura do Alentejo, criando assim: “uma estrutura municipal, única a nível regional, cuja primeira acção foi a reivindicação do espólio para a sua região de origem cons-tituindo assim um motivo de interesse para visitantes e factor de desenvolvimento para o Concelho.”

Entrevista a:

José António Paulo Mirão

Professor Auxiliar da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, Doutorado em Geologia, membro do Departamento de Geociências e do Centro de Geofísica de Évora e Director do Laboratório de Microscopia e Microanálise do Centro HERCULES – Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda

António José Estêvão Grande Candeias

Professor Auxiliar da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora, Doutorado em Química, membro do Departamento de Química e do Centro de Química de Évora, membro colaborador do Centro de Geofísica de Évora e Director do Centro HERCULES – Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda


•           O que é o depósito votivo de Garvão?

À área de Garvão parece ter tido uma intensa ocupação, pelo menos, desde a idade do Bronze. Durante um determinado período, provavelmente na idade do Ferro, nas proximidades da povoação de Garvão terá existido uma estrutura religiosa. O Culto incluía oferendas, estas acumularam-se até ao momento em que foram depositadas.

Em 1982, após a sua descoberta acidental durante a instalação de infra-estruturas sociais, realizaou-se uma campanha de trabalhos arqueológicos, dirigidos por Caetano de Mello Beirão, na altura Director do Serviço Regional de Arqueologia da Zona Sul. Esta escavação deu a conhecer o Depósito Votivo da II Idade do Ferro, na encosta do Cerro do Castelo, em Garvão, que suscitou o interesse e o entusiasmo da comunidade científica face à dimensão e qualidade do espólio que encerrava, constituído por cerâmicas, metais e alguns vidros, intencionalmente depositados e cuidadosamente organizados de modo a optimizar o espaço disponível. Na área foi escavada uma cavidade para armazenar as oferendas não desejadas. É elíptica, com cerca de 10 por 5 metros e uma profundidade de aproximadamente de 0,80 m, concluída na segunda metade do século III a. C.

Com excepção de alguns exemplares seleccionados e restaurados que integraram o acervo do Museu Nacional de Arqueologia, este conjunto de materiais ficou armazenado, desde o final dos anos 80, primeiro em Évora, depois em Conímbriga, a aguardar a oportunidade para ser tratado, estudado e apresentado ao público.


Questões para a entrevista:

1.         Como é que a Universidade de Évora tomou conhecimento do depósito votivo de Garvão? Porquê o interesse da UÉ em investir neste projecto?

A Universidade de Évora colabora há mais de 6 anos com a Direcção Regional da Cultura do Alentejo em diversos projectos que visam o estudo material, a valorização e conservação do Património da região. 

Conscientes do carácter excepcional dos materiais arqueológicos do depósito votivo de Garvão (uma das grandes descobertas da arqueologia portuguesa), a Universidade de Évora colaborou com a Câmara Municipal de Ourique e a  DRCALEN na recente criação do Centro de Arqueologia Caetano de Mello Beirão (CACMB), uma estrutura municipal, única a nível regional, cuja primeira acção foi a reivindicação do espólio para a sua região de origem constituindo assim um motivo de interesse para visitantes e factor de desenvolvimento para o Concelho.

Simultaneamente, foi obtido junto da Fundação para a Ciência e Tecnologia os fundos necessários (projecto GODESS) para o estudo material e investigação arqueológica do espólio e da zona envolvente do depósito.

Obviamente, a Universidade de Évora apesar do seu cariz universalista tem sempre todo o interesse em contribuir e desenvolver projectos na região onde se insere. Diríamos mesmo, é um dos seus principais objectivos.

2.         Porquê a UÉ e não outra instituição?

A resposta a esta pergunta pedia que respondêssemos por outras instituições, situação para a qual não estamos capacitados. Podemos, no entanto sublinhar que a Universidade de Évora é uma Instituição de Ensino Superior de referência na Região e tem-se empenhado firmemente e criado as infra-estruturas necessárias para este tipo de estudos. Neste âmbito, foi recentemente criado o Centro Hercules  – Herança Cultural, Estudos e Salvaguarda  cujo principal objectivo é o estudo material e salvaguarda de património arqueológico e artístico. Queríamos ainda salientar que, o projecto de investigação GODESS compreende diversos parceiros designadamente o Centro de Arqueologia das Universidades de Coimbra e Porto, o Instituto Politécnico de Tomar e a DRCALEN que contribuem com o seu conhecimento científico e técnico constituindo assim uma equipa multidisciplinar

3.         Em que contexto histórico se enquadra o espólio de Garvão?

Na Ibéria, a Idade de Ferro é um período de sucessivas transformações sociais e políticas, algumas resultando em conflitos. Estas transfigurações começam com as primeiras invasões (ou migrações) celtas, que impõem uma forte influência continental em toda a ibéria, contra sociedades inspiradas por modelos orientais, como o Reino de Tartessos. O movimento desses povos para Sul é constante ao longo de todo o período. Entretanto, as civilizações semitas exercem forte controlo no sul da Península Ibérica, pela presença de cidades autónomas com fortes ligações comerciais e culturais com o Mediterrâneo. Este quadro geopolítico geral é destruído em 218 a.C. pelos romanos ao desembarcarem na península, no contexto da segunda guerra cartaginesa.

Durante a 2ª Idade do Ferro, o território no sul da Península Ibérica parece ser controlado por cidades centrais com grande número de habitantes que dominam um grande território, com importantes recursos naturais. Estes povoados são também importantes centros manufactores e, por vezes, os centros políticos e religiosos são indistintos. A longa distância, as influências culturais parecem ser controladas pelos níveis sociais mais elevados da população.

Neste contexto geral, em torno de 200 a.C., Garvão está em território Cónio que corresponde ao sudoeste de Portugal i.e. ao Baixo Alentejo e ao barlavento algarvio. Apesar de algumas incertezas, parece que esta região é marcada por forte influência cultural tártissica, mas os habitantes são etnicamente celtas. De facto, o território Cónio parece funcionar como uma zona de integração entre a área Celta (étnica e cultural) que está localizada a norte e a Turdetana localizada a leste.

4.         Na sua opinião, qual a importância destas peças para o período histórico em causa? E para a freguesia de Garvão?

O estudo das cerâmicas do depósito votivo de Garvão irá permitir conhecer as tecnologias e a proveniência dos materiais. Espera-se que este conhecimento seja um contributo para entender o papel destes centros religiosos nas sociedades do Sul de Portugal, as relações comerciais e culturais que mantinham com os seus vizinhos e a capacidade tecnológica que dispunham.

As conclusões dos estudos que empreendemos irão valorizar as descobertas já efectuadas e irão aumentar o interesse no sítio arqueológico de Garvão, possibilitando  às autoridades locais e regionais o empreendimento de acções que valorizem o sítio para visitantes.

5.         De que forma a UÉ vai explorar o depósito?

O estudo que pretendemos efectuar não é um estudo tradicional de arqueologia. De facto, as únicas escavações que estão previstas são pequenas sondagens. O trabalho irá compreender a identificação, selecção e seriação arqueológica das peças, o estudo material das peças com técnicas analíticas  de ponta, a aplicação de técnicas piloto de prospecção geofísica e o desenvolvimento de metodologias de conservação e restauro adequadas.

6.         Quantas pessoas e com que tipo de especializações vão estar a cargo deste processo?

Bem, a equipa de investigação é muito longa. Sublinhamos apenas que é uma equipa multidisciplinar composta por geólogos, químicos, geofísicos, arqueólogos e conservadores-restauradores  e que irá envolver igualmente jovens investigadores que pretendem adquirir os graus académicos de Mestrado e Doutoramento. Tal como mencionámos anteriormente, trata-se de um projecto que para além da Universidade de Évora e dos seus centros e estruturas de Investigação (Centro de Geofísica de Évora, Centro de Química de Évora e Centro HERCULES), participam também a Universidade de Coimbra, a Direcção Regional de Cultura do Alentejo e o Politécnico de Tomar.

7.         A nível cientifico, que técnicas vão ser utilizadas?

Iremos fazer algumas sondagens arqueológicas em zonas identificadas pelos estudos de prospecção geofísica com geo-radar que irão ser desenvolvidos, mas a maioria do trabalho irá ser realizado usando técnicas de microanálise e análise estrutural como microscopia óptica, microscopia electrónica de varrimento, microscopia Raman e difracção de raios X e técnicas analíticas de alta resolução como cromatografia líquida com espectrometria de massa, cromatografia gasosa com espectrometria de massa e PIXE.

8.         Estão a trabalhar sobre algumas peças específicas ou sobre o depósito em geral?

Em princípio os estudos irão incidir apenas nas peças recolhidas pela escavação liderada pelo Dr. Caetano Beirão, nos anos 80. No entanto, com o decorrer do trabalho poderá haver necessidade em estudar peças recolhidas recentemente, designadamente para efeitos de datação por termoluminescência.

9.         Existem mais projectos da UÉ em parceria com a Câmara Municipal de Ourique para apoiar o espólio de Garvão?

A recente criação do Centro de Arqueologia Caetano de Mello Beirão (CACMB) e o regresso dos materiais arqueológicos do Depósito Votivo de Garvão nele integrados corresponderam, pois, ao culminar de um processo de reivindicação liderado pelo Município de Ourique. O primeiro objectivo estabelecido para o CACMB é o estudo e a valorização do património arqueológico, com prioridade, naturalmente, para o espólio do Depósito Votivo de Garvão. Complementarmente, no entanto, esta estrutura municipal, única a nível regional e que conta com a direcção técnica da Drª. Deolinda Tavares da Direcção Regional da Cultura irá desenvolver  um programa de actividades que pode sinteticamente definir-se como a promoção dos saberes e tecnologias tradicionais, abordados segundo actuais metodologias de pesquisa e numa estratégia de aproximação dos públicos à cultura e ao conhecimento científico. Para a consecução dos seus objectivos, o CACMB tem promovido diversos projectos de divulgação e formação de onde se destaca o projecto CSI Ourique – Cultura, Sustentabilidade e Inovação em Ourique, um programa de divulgação e de formação que contempla a criação de núcleos expositivos (em Gravão e Ourique) e acções de formação e divulgação, numa perspectiva de interacção com as escolas e com o tecido social em que se insere, e que foi recentemente candidatado ao QREN-POA.

10.       Na sua opinião, e enquanto “explorador” das peças do depósito, acha que estas deviam voltar a Garvão, expostas num local apropriado? Quais seriam as vantagens?

Pensamos que mais importante do que as peças voltarem para Garvão seria a dinamização do espaço e da sua envolvente do Cerro do Castelo, designadamente com a criação de uma estrutura de acolhimento a visitantes junto ao local da escavação com um centro interpretativo recorrendo a elementos expositivos e tecnologias de multimédia. 

Por outro lado, esperamos que os estudos que se irão desenvolver no âmbito do projecto GODESS, possam revelar novas estruturas construtivas contribuindo para um melhor conhecimento do sítio e constituindo um novo factor de interesse e desenvolvimento em Garvão.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

GARVÃO ERAS UM JARDIM

Garvão eras um jardim

Em tempos que já lá vão

O gado dava o dinheiro

E a moagem dava o pão


O gado deixou de dar

E a moagem levou fim

E em tempos que já lá vão

Garvão eras um jardim


Porque será que os nossos conterrâneos passados tiveram a necessidade de fazer/cantar esta moda?

Teria Garvão em alguma altura da sua história recente parecido um jardim? Obviamente jardim está aqui no sentido metafórico, na medida em que implica um período de algum bem-estar.

Reporta claramente para um período em que a população de Garvão se sentia bem, talvez um período de trabalho e que pela altura da moda, não só já não se sentia bem, como sentia, inclusivamente, saudades desse período.

De facto se olharmos bem para as décadas de cinquenta e sessenta do século passado, constatamos que para além do trabalho agrícola e do gado que, como canta a moda,  deveria de prover, na altura, com rendimentos aceitáveis, e proporciona trabalho, não só temporário nas mondas, ceifas, debulha, apanha da azeitona e outros produtos, assim como trabalho permanente em cuidadores de gado, vaqueiros, porcariços, pastores etc, existia, também,  na vila unidades fabris que garantiam trabalho anual para uma boa parte da população.

Por essa altura havia a alta e a baixa moagem da Estação de Garvão, pelo menos duas fabricas de cortiça, o lagar no Largo da Amoreira (nessa altura chamado do Lagar), o lagar na moagem da estação, a fábrica dos pirolitos e adegas de vinho, estas unidades fabris davam emprego a várias centenas de pessoas que naturalmente permitiam a manutenção do comércio local e das lojas como a do Sr Sabino, a do Sr Pina, a do Sr José Cunha, a do Sr Joaquim Martins entre outras.

A questão a saber é se, tendo em consideração uma certa pujança fabril em Garvão num passado relativamente recente, se numa realidade completamente diferente, como a actual, será possível implementar mecanismos de desenvolvimento local, sejam eles de iniciativa privada ou colectiva, Associações e órgãos autárquicos.


 

domingo, 18 de outubro de 2009

SÓ COM UMA BOA EDUCAÇÃO TEREMOS UMA BOA CULTURA

A Cultura de um povo vê-se pelas bebedeiras que apanha ou pelos livros que compra?


As recentes eleições autárquicas permitiu-nos, mais uma vês, assistir a mais uma manifestação de exaltação populista de alienação eufórica e histérica das massas, bradando e gritando em torno de qualquer coisa que se usa e deita fora, em torno de qualquer coisa que existe hoje mas sem amanhã, no fundo em torno do “nada”. Contudo nesta exaltação efémera alguém cai, nessa desenfreada irracional alguém sofre e esse alguém hoje poderá ser o nosso vizinho mas amanhã certamente seremos nós.

 

É preciso não esquecer-mos de que uma vitória significa a derrota de alguém, é preciso lembrarmo-nos de que quando celebramos uma vitória há sempre alguém que foi derrotado e que sofre, por isso como seres humanos, como cristãos ou não, mas essencialmente como seres que acreditam num mundo melhor, sejamos solidários com quem sofre e não façamos da nossa vitória uma prática revanchista e masoquista de exaltação pessoal ás custas do sofrimento ou das desgraças dos outros.



Não vamos por esse caminho da intolerância e das vitórias efémeras, não vamos pelo caminho da vitória em vitória até à derrota final. 


 

Façamos uso da democracia sim senhor, já que vivemos nela, com todas as suas virtudes e defeitos, mas não esqueçamos os nossos valores como humanos, a nossa dignidade como membros duma comunidade carente, carente de afectos, carente de atenção, mas carente essencialmente de solidariedade.

 


Mais do que nunca, nesta sociedade de consumo, os bens materiais ditam a nossa posição na sociedade, somos cada vês mais “analisados” e “catalogados” pelo que apresentamos, pelo carro, pela casa, pela maneira como falamos e vestimos e não pelo que realmente somos, e nessa busca esquecemo-nos de tanta coisa, tanta coisa que ficou para trás, para quê? Para afinal cair-nos no vazio e chegar-mos à conclusão de que não vale a pena.

 


Tem existido na Junta de Freguesia de Garvão vários livros antigos alguns do século XVII com a data de mil seiscentos e tal, outros do século XVIII e XIX, incluindo vários livros de actas da Misericórdia e do extinto Concelho de Garvão.


Estes livros em 1985 estavam guardados no antigo posto da GNR de Garvão, desactivado na altura, para ser queimados, sendo salvos no último minuto. Em 1997 no seguimento das cheias que assolaram a Junta de Freguesia também foram salvos, embora alguns tivessem sido atingidos pelas águas, tendo, tanto pela funcionária da junta que pôs alguns ao sol para secarem, como pelo presidente da Junta de então que depois de elucidado sobre o seu valor, tanto monetário como cultural, os pôs a salvo. Há quatro anos atrás ainda lá estavam.



Contudo hoje já lá não estão, e tanto os funcionários como os eleitos não sabem onde é que estão ou quem é que os levou.

 


Assim não vale a pena, existe habilidade para com o dinheiro da Junta irem “petiscar” para Vila Nova de Mil Fontes em “petiscos” de 200 e 300 euros mas não existe habilidade para salvaguardar a nosso património e a nossa cultura.


 


 



 

domingo, 6 de setembro de 2009

JORNAL de GARVÃO

O Jornal de Garvão foi criado pela “Associação Cultural e Defesa do Património de Garvão” em 1994, tendo como objectivo principal divulgar o património histórico-cultural da vila de Garvão e as potencialidades locais de um projecto de desenvolvimento local.

          O Jornal de Garvão tem procurado divulgar a sua história, o seu património e a sua cultura, tentando consciencializar a população para a sua riqueza arqueológica e histórica e sensibilizar as pessoas para a necessidade de proteção do seu património como factor de desenvolvimento local e á sua medida contribuir para a criação de empregos, travar o despovoamento progressivo da vila, mostrando alternativas e apontando os factores mestres de um projecto de desenvolvimento local.


 



sexta-feira, 12 de junho de 2009

O PATRIMÓNIO DE GARVÃO. O que fazer? Deixá-lo ao abandono até à sua destruição total ou recupera-lo?

       

O QUE É QUE O CEMITÉRIO VELHO A IGREJA DO SAGRADO ESPÍRITO SANTO E AS FESTAS DE GARVÃO TÊM DE COMUM?


Pelas revoluções Liberais de 1820, que acabou com o Concelho de Garvão, promulgou-se a lei da proibição de enterrar os mortos nos adros das igrejas e a obrigatoriedade dos Municípios construírem Cemitérios nas povoações.


Em todo o reino se construíram cemitérios novos menos em Garvão, onde preferiram derrubar o que restava da primitiva Igreja Matriz de Garvão, para o cemitério ficar no mesmo lugar.


De facto os restos da primitiva igreja Matriz ainda são visíveis na estrutura do Cemitério Velho, são paredes sobrepostas e restos dos contrafortes, pinturas, pia baptismal, fechos das abóbadas e estelas funerárias do adro da referida Igreja.


Devido ao estado de ruína da primitiva Igreja Matriz, devido ao terramoto de 1755, o culto passou para a Igreja da Irmandade do Sagrado Espírito Santo. Desde a fundação da Misericórdia de Garvão no século XVI/XVII que esta tentou apoderar-se dos bens da Irmandade do Sagrado Espírito Santo fundada nos séculos anteriores e era a detentora de propriedades como o Arzil, Mau Passo, Monxica, Pixouto, Val de Inxares, Carvalheira e outras, o que veio a conseguir e acabar com a Irmandade ficando a Igreja posteriormente a ser a nova Igreja Matriz de Garvão e a antiga ao abandono até à sua completa destruição para fazerem o cemitério.


A Irmandade do Sagrado Espírito Santo, caracterizava-se por ter, para além das propriedades, a referida Igreja, o hospital e as festas do Espírito Santo, onde a população se divertia toureando um touro que depois matavam e alimentavam a população mais pobre, daí a força da tradição da festa Barranquenha e outras vilas alentejanas que se arreigam do mesmo direito de matarem o touro para o “Bodo” dos pobres, e da festa do pão em Tomar para alimentarem os pobres pelas festas dos Espírito Santo.


As Festas de Garvão, já sem a tradição de outrora e desvirtuada das tradições que lhe deram origem, terão também a sua origem nestas tradições do "Bodo" do Espirito Santo.


Assim este conjunto arquitectónico Cemitério/Igreja/Ossário, continua abandonado e a degradar-se, já foi horta e curral de ovelhas, as centenárias oliveiras cortadas e os gradeamentos das campas postas a um canto para o gado não fugir, os gradeamentos das campas já foram treze, hoje está reduzido a cinco, das cruzes das cabeceiras já só restam duas.


 

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Descobrindo e Desenvolvendo Garvão - Contribuições

Este Blog visa promover a divulgação do Património

Histórico e Arqueológico da vila de Garvão.

E contribuir para o diálogo sobre propostas e soluções de desenvolvimento para a vila.


                


 


 

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...