quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

GARVÂO

GARVÃO - RESUMO HISTÓRICO


Garvão é um misto de lendas, vila Alentejana humilde, povoação antiga, onde o tempo parece que parou.

Situada em pleno Baixo Alentejo, tem como Santa Padroeira, Nossa Senhora da Assumpção, capelas de S. Pedro, S. Sebastião e a recentemente descoberta Igreja do Sagrado Espírito Santo.

Possui uma paisagem rural deslumbrante, a antiquíssima Feira de Gado, a variedade de vacas autóctones denominadas “Garvanesas”, as vastas tradições folclóricas e a imensa riqueza Histórica e Arqueológica, fazem desta vila do interior Alentejano um caso ímpar, onde todos estes componentes se associam, conjugam e equilibram harmoniosamente, o que constitui motivo de orgulho e prazer de todos os Garvanenses, amigos e visitantes desta terra.

Aqui, não existe apenas a riqueza Arqueológica ou Histórica, a Feira ou as vastas tradições Folclóricas. Existe também uma grande actividade humana, uma cumplicidade, um compromisso dissimulado entre a população que se manifesta, por vezes, espontaneamente sob as mais variadas formas.

É Vila muito antiga, com ocupação contínua desde os tempos mais remotos, conforme atestam as Antas em torno da Vila, os machados de pedra encontrados na vila, o Depósito Votivo da I idade do Ferro situado no centro da Vila, entre outros vestígios históricos.

Teve o seu primeiro foral em Fevereiro de 1267, dado em Alcácer do Sal, por D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago. D. Manuel I deu-lhe novo foral em 1 de Julho de 1512.

O brasão de armas é um escudo em prata, com uma árvore verde e, na parte superior duas cruzes cor de púrpura, da ordem de Santiago, uma de cada lado da árvore. Foi sede de Concelho até 1836, conservando ainda a casa da Câmara e o respectivo Brasão. Do Pelourinho, presentemente, apenas se conserva parte.

Segundo Mário Saa, no livro “As Grandes Vias da Lusitânia”, no tempo dos Romanos Garvão era designada por Aranni. Aranni chefiava um vasto distrito Romano, abrangendo uma área que hoje conta com notáveis concentrações de Arqueologia Romana e pré-romana, Aranni sucedeu à cidade Céltica de Arandis. Ainda segundo Mário Saa, aquando da chegada dos Romanos à Península, Arandis seria já uma cidade, muito antiga, ocupada por povos de origem Céltica.


 IN: Malveiro, Jose P. GARVÃO Herança Histórica. Beja, 2003, Gráfica amdbeja.

domingo, 19 de janeiro de 2014

AS VACAS GARVANESAS

 



AS VACAS GARVANESAS


O Bovino Garvanês ou Chamusco
     Os bovinos Garvaneses, hoje considerados como uma estirpe ou variedade da raça Alentejana (1), são animais autóctones com o solar de origem na fronteira entre os concelhos de Ourique e Odemira.
     No passado constituíam núcleos importantes, tanto no interior Alentejano como no litoral, com uma área de distribuição que se estendia pelos concelhos de Sines, Grândola, Santiago do Cacém, Odemira, Ourique e Castro Verde, em afectivos integrados no tradicional sistema extensivo de produção pecuária.
     A designação destes animais, deve-se à sua grande afluência à feira de Garvão, encontrando-se referenciados em algumas publicações antigas. É o caso do Engenheiro Sommer de Andrade que, no seu livro “Raça Bovina Transtagana”, cita Bernardo Lima que em 1870 descrevia os animais Garvaneses como uma “população vacum bastante heterogénea que ocupa a bacia do rio Mira (...) com uma pelagem de cor entreo flavo e castanho, e em bastantes rezes um tanto torrado ou atiçoado sendo também para notar a cabeça fusca principalmente sobre o focinho...”.
     Fruto do abandono a que foram votados, a caracterização genética e morfológica destes animais é deficiente.
     Ainda de acordo com o Engenheiro Sommer de Andrade, a estirpe Garvanesa é uma transição entre uma variedade da sub-raça Alentejana e a variedade serrana da sub-raça algarvia.
     São animais bem adaptados às condições da região de onde são originários, mais pequenos que os bovinos Alentejanos, cuja característica mais distintiva é a pigmentação escura da cabeça, da cauda e das extremidades dos membros. Nos machos, esta coloração escura entende-se também pelo pescoço e pelas espáduas.
     No passado, estes bovinos não possuíam qualquer especialização produtiva, pelo que eram utilizados para a obtenção de crias, sendo preferidos na região pelas sua excelente capacidade de trabalho.
     A estirpe Garvanesa, encontra-se em vias de extinção. Com enfeito, esta variedade da raça Alentejana desapareceu dos registos oficiais há cerca de 10 anos e, o que é pior, deixou de ter lugar nos efectivos bovinos da região, resultado da sua substituição por outras raças ou de cruzamentos indiscriminados.
     No âmbito do “Projecto de recuperação e Manutenção da raça bovina Alentejana, estirpe Garvanesa”, o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (PNSACV), realizou no 2º semestre de 1994 um levantamento dos efectivos Garvaneses existentes nos concelhos de Odemira, Ourique e parte do concelho de Santiago do Cacém.
     Como resultado, foram localizados cerca de 80 animais de linha pura, dos quais apenas um era macho. As fêmeas existentes, tinham, na sua maior parte, idades superiores a 8 anos e encontravam-se muito dispersas pelos afectivos bovinos da região, sendo utilizadas apenas para a obtenção d eanimais cruzados.
     Do levantamento efectuado ,verificaram-se, no entanto, duas excepções à situação descrita anteriormente: uma vacada com um núcleo de 36 fêmeas Garvanesas de linha pura, situada em Santana da Serra, concelho de Ourique; uma outra com 15 fêmeas também de linha pura, situada no Cercal do Alentejo, concelho de Santiago do Cacém.
     No primeiro caso, o núcleo de animais Garvaneses incluía o único macho adulto existente na altura. Todos os animais deste núcleo eram aparentados, com uma consanguinidade elevada entre si.
     As fêmeas, eram utilizadas em parte para a obtenção de animais cruzados e outra parte para obtenção de animais de linha pura para substituição dos efectivos.
     No segundo caso, o núcleo de animais Garvaneses era constituído exclusivamente por fêmeas utilizadas apenas para a obtenção de animais cruzados.


(1) Aditamento em 28/02/2021. Segundo estudos mais recentes os bovinos Garvoneses são hoje considerados uma raça distinta da Alentejana.


IN: Malveiro, Jose P. GARVÃO Herança Histórica. Beja, 2003, Gráfica amdbeja.

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