terça-feira, 21 de janeiro de 2020

IGREJA do SAGRADO ESPÍRITO SANTO de GARVÃO

         




 

Entrada do Cemitério Velho cujas cantarias se julga pertencerem à primitiva igreja matriz, existente no local e porta da Igreja do Espírito Santo de Montoito com cantarias similares.

             Existe uma tradição cultural desde a pré-história que se perpetua no tempo, referente aos locais onde são levantados os monumentos sagrados, com exemplos em várias localidades. Esta tradição tem mantido os locais de culto, independentemente da religião cultuada, no mesmo lugar ou próximo deste. Temos assim assistido à sobreposição de vários credos religiosos no mesmo edifício.

          Abundam os exemplos da cristianização de lugares sagrados pré-cristãos, nomeadamente a Srª da Cola na freguesia de Ourique onde se veo a edificar a igreja actual, e o Santuário de Endovélico, onde foi fundada a capela de S. Miguel da Mota, entre outros. O padrão seguido foi muito idêntico em várias localidades, primeiro encontramos um assentamento do tipo castrejo, depois seguiu-se uma assimilação romana, seguida pelos Visigodos e com a ocupação Árabe, do século VIII até ao século XIII, em Portugal, foram islâmicas,. A um lugar sagrado pré-cristão, sucedia uma igreja, a esta igreja, com a ocupação muçulmana, sucedeu uma mesquita e novamente uma igreja com a reconquista cristã.


          Em Santarém, a mesquita da alcáçova parece ter sido substituída pela Igreja de Santa Maria, e é possível que na medina a Igreja de Santa Maria de Marvila estivesse em lugar da mesquita principal; em Lisboa, existe indicação da mesquita ter estado no sítio onde mais tarde foi construída a Igreja de Santa Maria Maior, a Sé; em Elvas, na alcáçova, sucede à mesquita da alcáçova a Igreja de Santa Maria da Alcáçova e à mesquita da medina a Igreja de Santa Maria dos Açougues; em Alcácer do Sal, a Igreja de Santa Maria, no espaço da medina, terá sido edificada sobre a mesquita maior; em Mértola, a Igreja Matriz ou Igreja de Santa Maria é resultante da mesquita; em Lagos, no sítio da mesquita construiu-se a Igreja de Santa Maria da Graça ou Santa Maria Mayor arruinada com o terramoto de 1755; em Tavira, sabemos que a mesquita maior foi antecessora da Igreja de Santa Maria do Castelo; e em Faro, a mesquita maior dá lugar à Igreja de Santa Maria de Faro.(1)


           No que concerne à vila de Garvão e mais propriamente ao lugar onde ficava situada e ainda se observam as ruínas da primitiva Igreja Matriz, junto ao Cemitério Velho, no cimo da Ladeira do Padre, este local, pelo tipo de vestígios encontrados, apresenta indícios de cultuação de um período anterior à cristianização.
             Não só a localização do Deposto Votivo da 2ª idade do ferro, indicador de um templo pré-cristão, fica relativamente perto, como inclusivamente há indícios que o próprio templo fique neste local, tendo em consideração o surgimento, em quintal particular, de uma estrutura cujos paralelismos com templos no oriente Mediterrânico é indiciador da sua funcionalidade cultual.
        Sobre o estado de abandono desta igreja, dois eventos, embora separados temporalmente, contribuíram para a sua degradação. Primeiro foi a rivalidade entre a Irmandade do Espírito Santo de Garvão e a Santa Casa da Misericórdia de Garvão, ou melhor a usurpação dos bens da Irmandade pela Misericórdia e uma vez desprovida de rendimentos, a impossibilidade da Irmandade prover para as obras na referida igreja.
             No fólio trinta verso do Livro da Misericórdia e do Espírito Santo,(2) com a data de Dezembro de 1763, desenvolve mais um episódio, entre outros, da disputa entre a Irmandade do Espírito Santo, detentora de várias propriedades e a Santa Casa da Misericórdia, ambas desta vila, que, animada de proteção régia, tentava assenhorar-se dos bens da Irmandade.


             (…) aprezentando lhe o Mordomo do ditto Hospital os livros da Reseita e despeza que na ditta Caza haviaõ lhos naõ quizera restituir entregando as ao Prior para governar a referida confraria fazendo suspender as obras que a Irmandade da ditta Caza trazia em reparos da Igreja (…)


          Terá sido a partir desta data que a Irmandade do Espírito Santo, desprovida de propriedades e receitas deixou de poder fazer os devidos reparos na Igreja, assim como o terramoto de 1755 que tanto danificou a primitiva Igreja Matriz, junto ao cemitério velho, como a própria Igreja do Espírito Santo, para onde a Igreja Matriz se deslocou posteriormente.  
              O segundo acontecimento que ditou o fim desta igreja, aconteceu no século XIX, durante a revolução liberal, nomeadamente a lei que proibia o enterramento dos defuntos no adro da igreja e a obrigatoriedade de enterramentos nos novos Cemitérios Municipais, e como consequência da falta de reparos nesta Igreja desde 1763, esta devia de se apresentar por esta altura bastante degradada e optou-se pelo derrube do que restava da igreja e fazer o Cemitério neste lugar, só se aproveitando algumas paredes e possivelmente as cantarias da porta no muro que circunda o referido Cemitério, conforme se observa ainda hoje.


1 -  Mafalda Sampayo. O modelo urbanístico de tradição muçulmana nas cidades portuguesas, séc. VIII-XIII. Tese de Mestrado em Desenho Urbano, ISCTE-IUL, Lisboa. 2002. P. 334.

2- Este livro, da Irmandade do Sagrado Espírito Santo e da Santa Casa da Misericórdia de Garvão, com a data mais antiga de 1609, Foi entregue pelo Sr Augusto Loução Martins à Junta de Freguesia em 1974.

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

O CEMITÉRIO VELHO - Origem



 

          O local onde se situa o Cemitério Velho, (velho, em relação ao Cemitério Novo, inaugurado em 1937), no cimo da Ladeira do Padre, tem, pelos achados arqueológicos encontrados, sido o local de enterramento dos defuntos desde tempos remotos.

       No período anterior à reconquista cristã, apesar dos vestígios encontrados apontarem para uma presença de populações em Garvão, os indícios sobre a inumação dos corpos neste local ainda não produziram evidências, para que se possa afirmar, com alguma certeza que este lugar já servia para o enterramento dos defuntos, no período anterior à nacionalidade.
            Apesar das raras sondagens arqueológicas confirmarem uma presença dos vários povos e civilizações que precedeu a reconquista cristã. Principalmente uma presença romana e muçulmana, (composta por vários povos, Árabes, Berberes, Egípcios e Iemenitas entre outros) e observando-se uma continuidade habitacional, também podemos aferir numa continuidade na inumação dos corpos em volta deste local.
           As datas das poucas pedras de cabeceira dos túmulos que ainda se encontram, apontam para os enterramentos dentro dos muros do Cemitério para o século XX, contudo as circunstâncias em que este Cemitério se veio a constituir neste local, aludem também para enterramentos desde o século XIX.
           No exterior do recinto amuralhado, quando se procedia ao nivelamento de terras, encontrou-se algumas estelas medievais que leva a concluir pela inumação de corpos igualmente fora dos muros do Cemitério e num período anterior à construção deste.


         Estas estelas, ou cabeceiras de sepulturas, de caracteristicas medievais, encontram-se associadas ao enterramento dos defuntos nos adros das igrejas, como era costume no mundo cristão antes das alterações provocadas pela revolução liberal no século XIX.


          As necrópoles nos adros das igrejas, com as suas estelas, ou seja no interior do espaço urbano por vezes amuralhado, corresponde a inovação da autoria dos conquistadores cristãos (...).1


          Assim em Garvão e neste local as estelas encontradas extra-muros, correspondem aos enterramentos no adro da primitiva Igreja Matriz, cujos restos arquitetónicos do edifício, ainda se encontram incrustados na parede do dito Cemitério.


          De facto, também podemos concluir que os maiores conjuntos de estelas agora estudadas, provêm de sítios que tiveram grande importância nos períodos sob administração romana e muçulmana, conforme aconteceu com Aljustrel (Metallum Vipascense), Mértola (Myrtilis, Martula), Moura (Arucci), Garvão (Arandis) e Serpa (Sirpens), existindo continuidade de povoamento entre aqueles tempos e os da presença cristã da Idade Média.2


         Devido à lei, introduzida durante o regime liberal num período conhecido por Cabralismo em 1842, que proibia o enterramento nos adros das igrejas e a obrigação de construção de Cemitérios Camarários. Em Garvão, devido ao estado de degradação da Igreja Matriz, optou-se por destruir o que restava da mencionada igreja e amuralhar o recinto adjacente, incorporando, inclusivamente algumas paredes dessa igreja na estrutura do Cemitério, conforme ainda se pode observar nos respectivos muros que circundam o mencionado Cemitério.
          Podemos assim aferir, até que as devidas investigações arqueológicas nos deem maiores certezas, que a construção do Cemitério Velho se realizou no seguimento desta lei, assim como os respectivos enterramentos.
          Nota-se igualmente que a construção deste Cemitério se observou em duas fases. Uma inicial em torno do lugar e dos restos da referida igreja e outra posterior como se observa pelas paredes que o rodeiam. Poderemos, igualmente supor que esta segunda fase construtiva se terá processado durante um período de maior mortalidade observada na população, como aquela que ocorreu durante a chamada pneumónica de meados do século XX.
           Não se pode deixar de referir o estado de degradação e abandono que se observa neste conjunto arquitetónico composto pela Necrópole / Igreja / Cemitério / Ossário, apesar das constantes chamadas de alerta para a necessidade de salvaguardar este património, continua abandonado e a degradar-se e sujeito à perda irremediável de elementos arqueológicos e arquitetónicos que só iriam enriquecer a vila de Garvão.


1 - José Daniel Braz Malveiro. Estelas Medievais do Distrito de Beja. Volume I. Dissertação de Mestrado em Arqueologia, UNL-FCSH. Janeiro, 2013. P. 1.

2 - Idem, Ibidem.

3 - Idem. P. 76.

sábado, 11 de janeiro de 2020

CASTELO DE OURIQUE

PLACA NO MIRADOURO DE OURIQUE








CASTELO DE OURIQUE. (Foto de 1930)

          Quem é que não quer ter um castelo?

          De preferência romano ou árabe.
          Com torre de menagem e albarrã, muralhas, adarve e barbacã.
          De conquistas e reconquistas.
          De cavaleiros intrépidos e princesas mouras encantadas.
          Se não se tem, inventa-se.
          E, coloca-se uma placa, toda bonita, a dizer que isso aconteceu.


CASTELO DE ORIK
Foi aqui neste lindo
Miradouro rico em belezas
Paisagísticas sem par
Que os Árabes no Ano de
711 edificaram o
Castelo de Orik


          Só que os Árabes em 711, ainda estavam a atravessar o estreito.
          Em 713 ainda estavam em Faro.
        E o castelo já estava construído. Pelo menos, segundo alguns autores seria um antigo castro romanizado.
          Não seria Tárique ibn Ziade (طارق بن زياد, para quem souber árabe), o general árabe invasor, (que por acaso era bérbere), que o construiu.
          Esse deu o nome às Colunas ou Pilares de Hércules, (Ἡράκλειαι Στῆλαι, para quem souber Grego), no ano de 711, ao qual, de então em diante, passou a ser denominado Jabal Tarique, para o rochedo conhecido hoje por Gibraltar e Estreito de Gibraltar para aquela língua de água que separa os dois continentes.
          Atravessado as platónicas Ἡράκλειαι Στῆλαι, (lê-se Herakleiai Stelai), a convite de uma das partes do reino Visigodo em luta pela coroa, em poucos anos assenhoraram-se da Península e nos anos seguintes a 711, completaram a conquista do território que viria a ser o reino de Portugal.
           Ter os vestígios de um castelo é bonito.
           Ainda mais, associado à história de Portugal.
          Só que o que restava do castelo de Ourique foi arrasado na segunda metade do século XX.
          Mas fizeram um lindo Miradouro.
          O que se perdeu em arqueologia, ganhou-se em betão.
          Mas, “sem dúvida”, Rico em belezas paisagísticas sem par.
          O que se perdeu em história, ganhou-se em demagogia.
         Tal como os silos descobertos em Ourique.
         É para ignorar e tapar.
         Como se não houvesse alternativas.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

CEMITÉRIO ANTIGO










Mapa Cadastral do local do Cemitério Antigo 










Fotografía área do local do Cemitério antigo, notando-se a parede virada a poente

Segmento da foto aérea de 1947. Centro de informação Geoespacial do Exército.

Junto ao Moinho

          O conhecimento deste Cemitério chega-nos através da tradição oral da população mais idosa da Vila de Garvão, consubstanciado tanto pela presença de alguns vestígios no terreno ainda visíveis nos anos sessenta do século passado, como pelo registo cadastral nacional da área, (secção F da freguesia de Garvão), o acesso a este Cemitério fazia-se pelo "Furadouro" por caminho próprio, ainda hoje visível no terreno.
          Mais tarde o caminho passou a ser feito pela Estrada Real, logo a seguir às últimas casas do lado esquerdo à saída da vila. O proprietário do terreno circundante, até à década de oitenta do século XX, pagava anualmente à junta de freguesia de Garvão, renda pelo uso desse espaço.
          Sobre este cemitério e a questão de quando esteve em uso, sem a devida intervenção arqueológica no terreno é difícil de determinar, contudo tendo em consideração ainda estar na memória dos mais idosos e com o Cemitério Velho situado a cerca de cem metros de distância e com ocupação comprovada desde a idade média, teremos de considerar várias suposições.
          Ou o Cemitério Velho, devido a um número invulgar de defuntos, não tinha condições para suportar tantos enterramentos, como se observou durante o flagelo conhecido como pneumónica (ou gripe espanhola) que devorou cerca de 60.000 vítimas nacionais (cerca de 1,08% da população),1 e procedeu-se a alguns enterramentos neste local.2
          Ou até mesmo, a população receosa dos efeitos de contágio desta gripe, preferiram enterrar as vítimas num local mais afastado da vila.
          Ou, mesmo sem o aumento do número de mortes provocado pela pneumónica, o Cemitério Velho precisava de ser ampliado, como veio a acontecer e se nota nas várias fases construtivas deste cemitério.
          Devido à lembrança que ainda existia na população sobre este cemitério, leva a crer que esteve em funcionamento nos princípios do século XX.


1 Laurinda Abreu e José Vicente Serrão, apontam para 117 764 mortos causados pela pneumónica, no espaço de apenas um ano, in: Revisitar a Pneumónica de 1918-1919, na revista “Ler História”. Nº 73, 2018.
2 Existe notícias, deste período, em que os Governadores Civis informavam o governo de enterramentos em campa rasa devido ao Cemitério estar cheio, devido ao elevado número de mortos, caso de Faro. In: José Manuel Sobral e Maria Luísa Lima, A epidemia da pneumónica em Portugal no seu tempo histórico, revista “Ler História” Revisitar a Pneumónica de 1918-1919, nº 73, 2018.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Placas Oculadas do Depósito Votivo












Neste artigo dá-se a conhecer as placas oculadas em ouro e prata, descobertas no Depósito Votivo de Garvão.

          Descrição: Placas oculadas representando um olho humano de forma circular, de onde partem pequenos raios realizados por repuxamento fino, sugerindo as pestanas ou raios solares.
          Proveniência: Garvão. (Museu Nacional de Arqueologia)
          Grupo Cultural: Idade do Ferro do Sul de Portugal
          Datação: 2ª Idade do Ferro
          Matéria: Ouro e Prata
          Técnica: Repuxado
        Origem / Historial: Peças recolhidas no decorrer de escavações arqueológicas efectuadas em Garvão de Junho de 1982 a Dezembro do mesmo ano. Posteriormente ficaram depositadas no IPPAR de Évora. Vieram para o Museu Nacional de Arqueologia em 1989 para integrar a exposição permanente "Portugal das Origens à Época Romana", a título de depósito temporário. Por despacho do Sr. Ministro da Cultura de 10 de Novembro de 1997 passaram a integrar o espólio deste Museu.


IN: http://www.matriznet.dgpc.pt/MatrizNet/Objectos/ObjectosConsultar.aspx?IdReg=119855

sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

ANTA DO MONTE PRIOR

 







            As fotografias da Anta do Monte Prior, no lugar do Saraiva da Freguesia de Ourique que se apresentam, foram tiradas em 1995. Desde então, sem qualquer tipo de protecção, o cenário alterou-se e tanto o carrego de algumas pedras para obras, como o uso de charruas cada vez mais fundas e mais perto deste monumento, tem provocado danos irremediáveis e impossíveis de recuperar.

          Infelizmente este estado de degradação não se limita somente a este monumento, os restantes monumentos megalíticos do concelho de Ourique, encontram-se igualmente em estado de abandono.

            O Circuito Arqueológico do Castro da Cola, lançou, durante algum tempo, uma réstia de esperança para o estudo e divulgação do património pré-histórico da região, contudo mais uma vez não se observou o empenho e determinação dos responsáveis locais, pela prossecução deste roteiro e acabou inevitavelmente por seguir o caminho dos restantes monumentos.

              Fica aqui para a memória local, este conjunto de fotografias tiradas, como se referiu, em 1995.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

AÇORDA

          Quem é que não gosta de Açorda?
          Alentejana, claro.
          Com pão de trigo. Como é óbvio! 
          Porque o pão alentejano já está abastardado.
          Já com uns diazitos. Mas nada de paposecos ou pão de Mafra.
         E, com água do poço, fria, fresquinha, pesada com sabor ferrenho.
           Porque a da torneira sabe a cloro, a mofo e, e, e ...!
           Com azeite puro, do lagar, esverdeado, daqueles que teimosamente não escorre da garrafa.
           Porque o da loja está filtrado e parece óleo.
           Ah… e alhos da horta pisados, nada de espremedor de alhos ou de alhos secos em pó que vêm em canudos de plástico e é só borrifar.
            E, claro os coentros (não se enganem e ponham salsa), tal como os alhinhos, da horta, criados também com água do poço, de preferência ferrenha.
             E se não for pedir demais, os ovinhos, um para cada freguês se houver, se não houver esmaga-se um e provam o caldinho, também de galinha criada no campo a alimpaduras, minhocas ou farelos, (não lhes deem farinha industrial carregada de hormonas, senão estragam tudo).
              Não ponham cebola nem grão-de-bico senão sai uma açorda afrodisíaca. Pelo menos é o que diz o Tratado Árabe do Amor, O Jardim Perfumado.
               A normal pitada de sal grosso, porque o fino não sabe a sal, uma colher de aluminio e umas talhadas de toucinho frito e, e, … apanhá-las.
              Chamemos-lhe Açorda ou se quisermos impressionar os amigos chamemos-lhe Çorda, do Árabe Andaluz thorda, (não se esqueçam que o th em árabe lê-se ç e ponham o a como em azeite az-zayt, ou açucar as-sukkar).
              Comida sacra, as freiras e frades adoram-nas, principalmente depois do jejum.
               Comida de profetas, Maomé adorava-as. Não fosse afinal o seu bisavô que as inventou.
               Comida de reis, Afonso II adorava-as, (não há referências, mas era gordo).
              Comida para todos.
              Seja açorda cega ou rica, conforme os acompanhamentos.
              Está aí para durar.

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...