quinta-feira, 1 de julho de 2021

O processo do Frade João da Trindade – 1736

 O documento original encontra-se arquivado no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, compondo-se de vinte e uma páginas manuscritas em letra caligráfica do século XVIII. Com o código de referência nº PT/TT/TSO-IL/028/00836 , e cota actual do Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, proc. 836.

“Crime de Solicitação”

          O caso do processo do Frade João da Trindade, de trinta e sete anos, julgado e condenado nos Estaus, sede do tribunal do Santo Ofício, mais conhecido por Inquisição, onde actualmente se situa o teatro D, Maria II, no Rossio em Lisboa, tratou-se de facto do julgamento de um prelado desencaminhado pelos prazeres carnais, (como menciona o respectivo processo), igual, com certeza, a tantos outros que proliferaram pelo país fora, que a inquisição julgaria e na maioria das vezes condenaria, senão à fogueira pelo menos ao degredo, como no caso deste conterrâneo, que aqui se transcreve.

            Interessando a nós, leitores e residentes em Garvão o facto do Frade João da Trindade e alguns familiares seus, serem naturais e residentes no antigo concelho de Garvão, mais concretamente tanto na própria vila sede do concelho como no Monte da Corte em Santa Luzia, (uma das duas freguesias do extinto concelho de Garvão).

            Ao Frade João da Trindade, religioso da ordem de São Francisco da Observância da Província dos Algarves, sacerdote e pregador, morador no convento de Nossa Senhora do Loreto junto a Santiago do Cacém e assistente no Convento de Xabregas de Lisboa Oriental, é-lhe imputada a acusação de “solicitação”, que confessa, na pessoa de Maria Bernarda, também ela moradora no Monte da Corte, Santa Luzia, e ao que parece terceira da ordem de São Francisco.

            De facto, depois de pormenorizadamente relatar o sucedido foi-lhe imposto o degredo de residência com a obrigação de se apresentar regularmente nos Estaus.


“Prova de pureza de sangue”

          O caso não se resumiria ao agravo de “solicitação” do Frade João da Trindade, e ao que parece, entre dois religiosos, este teve igualmente de fazer prova de pureza sangue, como se observa no capítulo dedicado à genealogia, para despiste de algum descendente de sangue judio, assim para além dos nomes do pai e da mãe teve igualmente de descrever os nomes dos avós, tanto paternos como maternos, os locais de nascimento, moradas e ocupações.

         Era filho de Jerónimo da Fonseca, capitão da Ordenança de Garvão onde era morador e natural da freguesia de nossa Senhora das Relíquias, termo de Odemira e de Maria bernarda, (por mera coincidência, com o mesmo nome da “solicitada”), natural de Garvão e moradora, também, no Monte da Corte. Tendo como avós paternos Domingos Afonso e D. Clara, cujo sobrenome não sabe, nem profissões, naturalidade ou residência, e dos avós maternos o avô se chamava Ildefonso Correia morador em Garvão e da avó não sabe o nome nem de onde era natural.

          Mais declarou que nunca foi casado nem tem filhos ilegítimos e que foi baptizado na Igreja de Santa Luzia pelo Padre Manuel (?) Ribeiro, sendo seu padrinho João de Aboim Pereira Guerreiro, Mestre de Campo da Comarca do campo de Ourique, e que foi crismado, mas não se lembra onde recebeu o dito sacramento, parece que pelo Padre conhecido por Barata em Bela tendo como padrinho Luís Fernandes.

          Teve de fazer prova igualmente de que sabia ler e do Padre-nosso, Ave-maria, o credo e restantes mandamentos da Madre igreja.     

TOMBOS das PROPRIEDADES

EM TEMPOS MEDIEVAIS



O Numeramento Geral, em 1527-1532


         


            As relações quotidianas das comunidades rurais, desenvolviam-se em torno dos direitos de terra, tributos, normas sucessórias, e outros aspectos administrativos e judiciais, o registo dos bens e o tombo das propriedades dão-nos uma certa informação sobre as peculiaridades das relações sociais da época.


          Há uma defesa explícita da propriedade das terras das aldeias pelos seus habitantes e dão-nos acesso a muita informação sobre a vida social, cultural e religiosa destas populações.


          Se tivermos presente que a matriz referencial que os oficiais do reino tinham era a religião cristã, as suas instituições, os seus agentes, as suas práticas devocionais e, se o tema dos inquéritos era a inventariação das propriedades, bens e rendimentos dessas populações, não será de admirar que as fontes que nos chegaram até hoje sejam precisamente destas instituições religiosas, Misericórdias, Irmandades, Confrarias e afins.


          O Numeramento Geral, em 1527-1532, pelo rei D. João III, sobre a população e o território, a par de outras inquirições, locais e regionais, por instituições como a Inquisição e a Mesa da Consciência e Ordens, (que procuravam manter a unidade religiosa pela censura e confissão), permite-nos tomar conhecimento, de uma forma geral, sobre o território, a população e os seus hábitos e costumes, implementando as medidas julgadas necessárias para o respectivo ordenamento do reino.


          Os tombos das propriedades, e outros bens, que inventariavam o património fundiário e devocional das confrarias, constituíam registos de conhecimento das suas gentes e da organização territorial. Por sua vez a passagem a escrito destas normas, não só respondiam às inquirições dos oficiais do reino, como dotava a população, tanto de normas e preceitos escritos em defesa dos seus direitos fundiários, como, inclusivamente, regulavam a vida interna dessas populações.


          Permitia conhecer assim tais propriedades, as suas características, bens e rendas e o respectivo registo da informação económica e financeira, tais como as terras que tinham sido doadas às ordens às várias instituições locais, religiosas e militares, templos, ou particulares em troca dos serviços prestados. A ideia sobre a compreensão dos lugares, saberes, gentes e cultura do território português que se desenvolveram no seguimento da reconquista cristã e das relações surgidas no encontro no decorrer do processo da reconquista com os lugares e gentes locais, não só tinha como objectivo estabelecer, do modo mais preciso possível, as rendas e os bens atribuídos aos imóveis, como incutia, inclusivamente, na população um sentido de responsabilidade emanada por uma autoridade superior, por um poder que pretendia transmitir, tanto a sua indispensabilidade, como fixar na memoria das gentes a autoridade com que concedeu tais registos.


          A imposição da ordem passava pela solenidade, pela ritualização com que estas actas eram outorgadas, desde a sua formulação à sua extensão, desde a repetição dos termos jurídicos à irrevocabilidade dos acordos, desde a exaustiva repetição das boas intenções do intervenientes ao solene ritual de posse, tudo se conjugava para transformar a redacção destas actas em actos de poder, não só de imposição da ordem, mas, também, despoja-la de alguma vestígio de contestação que eventualmente pudessem ter.


          A solenidade destes actos oficiais e conferir-lhes alguma dignidade. Estes documentos caracterizam-se pela repetição exaustiva das normas, dos atributos e dos títulos das autoridades que os outorgavam até á exaustão. Tudo nestas actas invoca a rectidão conferida ao documento, as boas intenções dos outorgantes, a irrevogabilidade das decisões, pela justiça na atribuição destes contratos e, evitando contrariedades e conflitos que pudessem por em causa a autoridade e a ordem que as autoridades pretendiam estabelecer.

CAVALHADAS

E o Culto do Espírito Santo






 


          

As cavalhadas, eram corridas de cavalos, onde se apresentavam no local designado para as disputas, com vestimentas de gala e à moda antiga. Outrora, no local do certame, apresentava-se o cavaleiro em trajes vistosos no seu garboso cavalo, acompanhado por um pajem, também vestido de gala, embora de modo diferente e a pé, segurando o cavalo pelas rédeas ou freio.

          Estes torneios, eram feitos com o fim de mostrarem a destreza dos melhores cavaleiros das redondezas. Corriam dois a dois, a par, em alta velocidade para uma meta. Vindos a correr nos seus cavalos, tinham de espetar uma lança num frango ou galinha vivos, os quais estavam dependurados numa corda atada a dois paus, distanciados um do outro de 5 a 6 metros.

          Com o andar dos tempos, este costume, considerado demasiado bárbaro, foi desaparecendo e substituído por outro menos chocante. Em vez dos animais vivos, é colocada uma argola que constitui o alvo e desafio à perícia do cavaleiro, pois se este, vindo a correr, não enfiar a lança na argola, fica desclassificado e desfeiteado perante o povo, que muito gosta desta manifestação.

          Como recompensa do êxito, o vencedor recebe uma grande salva de palmas e um animal vivo (galinha, frango, etc,...). Actualmente, esta actividade ainda é mantida numa ou outra localidade, mas de um modo muito mais simples.

          Até há pouco tempo, ainda se faziam as cavalhadas na freguesia de Gomes Aires”. (in: Monografia da Vila de Almodôvar, António Júlio Gonçalves, Associação Cultural e Desportiva da Juventude Almodovarense, 2000).

          Tempos houve em que os jogos eram mais elaborados, realizando-se inclusivamente nas ruas das vilas, e em vez das farpas era utilizado um pau para enfiar nas argolas, quebrando por vezes, (o desajeitado cavaleiro), as quartas de água, que estavam igualmente penduradas na corda.

          Por outro lado, as reminiscências que nos chegam doutros locais, nomeadamente os Açores e Brasil, locais onde a presença portuguesa impôs os usos e costumes da metrópole, estes festejos evocam uma época em que se desenvolviam em torno das lutas entre cristãos e mouros.

          De facto, se no continente há já muito que se perdeu a origem destas festas, e a sua relação com as festividades religiosas que se celebravam no princípio da nacionalidade. Em cenários mais isolados e imunes às influências externas ainda se assiste à ligação destas festas ao culto do Espírito Santo, (assim como a maioria dos festejos tradicionais das aldeias e vilas têm as suas origens nas confrarias do Espírito Santo local).

          Igualmente a passagem e a aproximação dos cavaleiros, nomeadamente as voltas em torno da igreja local, evocando os dons do Espírito Santo, e do local do “torneio”, era anunciada pelos corneteiros comandados por um “rei”. Seriam igualmente acompanhados por um mordomo e as cores nos trajes usados pelos cavaleiros seriam predominantemente as cores do Espírito Santo, (o branco e o vermelho).

          “Em Vildemoinhos, perto de Viseu, mantêm-se como desfile de cavaleiros vestidos de fato escuro e montando cavalos ajaezados. Resultam, segundo a tradição, de uma promessa feita a São João Baptista pelos moleiros, no caso de conseguirem sentença favorável de água para os seus moinhos, havendo quem pense que têm influência das Cavalhadas da Ribeira Seca. A primeira destas romagens à capela do santo, com os cavaleiros vestindo de negro, como os nobres, e com os cavalos ajaezados, terá sido em 1652. No entanto, no século XX passaram a incluir carros alegóricos, bandas de música, ranchos folclóricos e muitos outros elementos que não faziam parte da tradição.” (in: Cavalhadas em Vildemoinhos)





segunda-feira, 21 de junho de 2021

A MULTIPLICIDADE DOS CAMINHOS

           É difícil ouvir falar de "um Garvão” que não assuma uma perspectiva de divisão contaminada de pseudo-interesses tacanhos.

          Deve-se acreditar acima de tudo na diferença, na multiplicidade de opiniões e vontades como suplemento vitamínico e gerador de escolhas para uma vila mais próspera e saudável.

          O desconhecimento, a falta de visão, a falta de ambição, o fechamento sobre si próprios – face ao desconhecimento do exterior - defendido em surdina por alguns, seja face às restantes regiões que nos rodeiam, seja face a um mundo muito maior, cheio de oportunidades, conhecimentos e ideias, leva a uma perigosa ignorância, estagnação e degradação das instituições culturais e sociais.

          É preciso recusar-se a pensar que por cá não existem pessoas cultas, com outros conhecimentos e visões, que por cá não existem leitores seguidores de José Saramago, de Fernando Pessoa, de Florbela Espanca, de Eça de Queiróz, Agostinho da Silva ou Camões, que por cá não existem cinéfilos seguidores de Woody Allen, Chaplin, Oliver Stone ou Michael Moore, ou fãs incondicionais de pintores, músicos, historiadores ou filósofos.

          É preciso recusar-se a pensar que por cá não existem pessoas que se destacaram como profissionais, nas várias profissões que exerceram, ou militares que exemplarmente progrediram nas suas carreiras, que por cá não existem pessoas que se destacaram na área da medicina, ou na engenharia e arquitetura, nas ciências agronómicas ou na educação, cujos contributos em muito contribuiriam para o progresso desta terra.

          Falamos de diferentes olhares, de um Garvão que nos foge debaixo dos pés, de um excessivo que nos cega e que muitas vezes nos afasta do que realmente somos e precisamos, culturalmente, economicamente e socialmente, com a participação cívica e contributos reais ao desenvolvimento desta terra. Mas, contudo, uma susceptibilidade quase subliminar face ao desconhecido continua a marcar comportamentos. Aqui mesmo, onde as opções particulares continuam a vigorar e a dominar face ao interesse colectivo, continua-se a assistir a fronteiras invisíveis e muitas vezes a cair no erro de privilegiar interesses próprios.

          Do cimo desta falsa altivez, o contributo surge por vezes na forma de uma massa crítica inconsciente, sem forma, formato ou feitio. Os resquícios da diáspora alentejana fazem-se sentir precisamente cá dentro e não lá fora, com residentes regionalizados e meros simpatizantes da visão do próprio umbigo sem levantar a cabeça, tentando, contudo, mostrar aos outros, demagogicamente, as virtudes duma palestra impugnada de falsas promessas que depressa se esquecem fora dos períodos eleitorais.

terça-feira, 8 de junho de 2021

NOVA ESTELA JUDAICA OU JUDAIZANTE

DESCOBERTA EM GARVÃO


Estela descoberta em Garvão


Estrela esculpida no lintel da casa que ficou conhecida como a Casa do Judeu de Quintela, Galiza.

          Em 2003, no livro Garvão - Herança Histórica, tinha-se dado a conhecer a descoberta, em Garvão, de uma estela funerária medieval que no contexto cripto-judaico da época, se poderia associar à existência de judeus em Garvão e do qual várias fontes relatam a sua presença nesta vila, (Mayer Kayserling, História dos judeus em Portugal, entre outros).

          Apesar desta estela apresentar uma estrela com cinco pontas, ao contrário da estrela de David, associada aos judeus, ter seis pontas, esta de cinco pontas poderia ser de influência judaica e uma simulação desta fé, para fugir à perseguição religiosa movida pela fatídica inquisição de que tantos exemplos existem na península Ibérica.

          Esta estrela, de cinco pontas, Pentagrama ou Pentalfa, poderá igualmente ser identificada com o Selo de Salomão, ou Anel de Salomão, em latim "Signum Salomonis", popularmente conhecido como "Sino Saimão".

          Surge agora, descoberta pelo arqueólogo José Daniel Malveiro, incrustada nas paredes do Cemitério Velho, na vila de Garvão, uma nova estela funerária com uma estrela de seis pontas e uma roseta hexapétala no centro.

          Esta nova estela, em comparação com outros motivos iconográficos judaicos que se encontram no mundo Galaico-Português, em muito se assemelha a estes e está mais dentro dos parâmetros conhecidos como judaicos ou judaizantes.

        De facto, ao observarmos outros monolíticos relacionados com esta fé, constata-se a enorme semelhança entre uns e outros, entre os vários exemplos que existem, podemos tomar como exemplo a estrela de seis pontas com uma pentapétala no centro, esculpida no lintel da casa que ficou conhecida como a Casa do Judeu de Quintela, em Cabanelas, na Galiza.

          Neste local existe um casario em ruínas, cujas estreitas ruelas de escadas albergam a mencionada casa, no lintel desta habitação, situada no cimo da vila, pode-se ver uma Estrela de David com uma flor de cinco pétalas ao centro. Também, nos pilares laterais da entrada e que suportam o lintel, figuram os retratos, esculpidos em pedra, da família hebraica que habitou esta casa.

            No interior da porta, no pilar da direita, quando se entra existe uma cavidade na parede identificada com o local da Mezuzah, (Símbolo religioso judaico que consiste em dois parágrafos de uma oração, colocados num estojo de metal, madeira ou vidro, pregado nos umbrais das portas, à direita), trata-se de uma pequena capelinha característica das casas hebreias onde as famílias judias deixavam dentro as orações.





domingo, 6 de junho de 2021

Bibliotecas Itinerantes Concelhias




 

          A rede concelhia de leitura no distrito de Beja, dispõe de duas bibliotecas itinerantes da responsabilidade dos respectivos concelhos, uma em Almodôvar e outra em Castro Verde onde as mencionadas autarquias disponibilizam à população do concelho os serviços de uma biblioteca móvel.

          Igualmente o município de Grândola disponibiliza à população os serviços de uma biblioteca itinerante, Com esta unidade será possível fazer chegar a todos os munícipes, os serviços que são disponibilizados na Biblioteca Municipal de Grândola, designadamente o livre acesso a livros, jornais e revistas (para consulta local e empréstimo domiciliário), o acesso à Internet e ao catálogo colectivo da rede concelhia, bem como a acções de promoção do livro e da leitura.  O Município procura, assim, garantir o princípio da igualdade de oportunidades para todos, e promover o desenvolvimento sustentado e integrado do território, valorizando as zonas rurais e os centros de menor dimensão.

          Também noutros municípios do país, os respectivos municípios facultam e promovem a leitura através da criação de bibliotecas Itinerantes, acompanhando outros serviços culturais disponibilizados à população do concelho. 

          Estas Bibliotecas Itinerantes prestam um importante contributo no enriquecimento cultural das populações das freguesias, nomeadamente aos alunos dos Jardins de Infância e das Escolas, permitindo, entre outros aspetos, a descentralização da oferta cultural por parte do Município, promovendo junto dos alunos e da população em geral o empréstimo de livros e incentivando a prática da leitura. 

          Segundo o Jornal Público, O município alentejano de Almodôvar (Beja) vai criar uma rede de leitura através de uma biblioteca itinerante que levará "cultura em forma de livros" às localidades isoladas do concelho.

         Constantino Piçarra, director da Biblioteca Municipal de Almodôvar, explicou à Lusa que se trata de um serviço criado a partir da biblioteca "mãe", situada na sede de concelho.

            "É preciso acabar com a macrocefalia cultural das sedes de concelho", defendeu.
        "Iremos levar a cultura em forma de livros às localidades isoladas do concelho de Almodôvar, para combater a desertificação cultural", acrescentou. Neste sentido, a biblioteca itinerante vai circular pelas 25 localidades do concelho, passando por cada uma delas, de 15 em 15 dias, em locais e horários pré-definidos e a afixar nas juntas de freguesia.

         A carrinha irá transportar um acervo de 1500 livros de todos os géneros literários, além de CD, DVD e um computador com acesso à Internet e ligado à base de dados da biblioteca.
      Desta forma, explicou Constantino Piçarra, os utilizadores vão poder consultar, de forma rápida, os acervos da biblioteca itinerante e da biblioteca municipal.

         Através de prévia inscrição como leitores, o serviço itinerante destina-se aos cerca de oito mil habitantes do concelho, que podem requisitar até três livros por um prazo de 15 dias, renovável por igual período desde que não haja leitores em lista de espera.

       Com um investimento inicial de 80 mil euros, a rede concelhia de leitura e a Biblioteca Itinerante foram financiadas pela autarquia de Almodôvar, sendo o fundo documental co-financiado, em 50 por cento, pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas.


livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/bibliotecasPublicas/documentacaoBibliotecas/Paginas/DocumentosapoiocandidaturaprogramadaRNBP.aspx

Biblioteca itinerante em Almodôvar | LOCAL LISBOA | PÚBLICO (publico.pt)

As Bibliotecas Itinerantes, um serviço municipal de proximidade (dglab.gov.pt)

quarta-feira, 2 de junho de 2021

MEDALHA DA PAIXÃO DE CRISTO



 

 



 


          




A medalha que aqui se apresenta foi descoberta pelo falecido António Loução, mais conhecido por "Mudo", em 2009, quando procedia ao amanho da horta situada na Rua Nova, desconhecendo-se se encontrava no local e foi desenterrada quando se procedia ao amanho da terra ou se foi trazida para este local junto a alguma carrada de fertilizante animal (estrume).

          Trata-se de uma medalha de devoção, talvez proveniente da igreja de Santa Cruz de Jerusalém, em Roma, onde se venera uma relíquia da santa cruz de Jesus.

          No anverso da medalha reconhece-se a Cruz de Cristo, rodeada dos instrumentos da paixão ou martírios do Senhor.

          Eram esses martírios que as crianças, vestidas de anjos, levavam nas procissões dos passos, na quaresma ou semana santa.

          Rodeando a cruz, vêem-se, do lado esquerdo, os flagelos, a torquês, o martelo. À direita, a espada, a vara com a esponja de vinagre na ponta.

          Legenda: SAN[CTUS] DEUS SAN[CTUS] FOR[TIS] SAN[CTUS] IMORT[ALIS] MIS[ERERE] NOB[IS] ROMA = Santo Deus, Santo Forte, Santo Imortal, tende piedade de nós. Era este um chamado impropério ou antífona que se cantava na adoração da cruz, na sexta-feira santa. Cantava-se também em grego: Hagios o Theos, Hagios Ischiros, Agios Athanatos, eleison himas.

          No reverso, em xis, a escada e a coluna, mais abaixo o galo (da negação de Pedro), a túnica de Cristo, os dados com que ela foi sorteada. Legenda: PAS[CHA] CRIS[TI] SAL[VA] NOS.

          Estes símbolos da paixão de Cristo vêem-se em certos cruzeiros, principalmente no Centro e Norte do país, por exemplo, num que está no monte de Santo Amaro, em Maceira; outro em frente da capela de Nossa Senhora da Tojeirinha, no Alqueidão da Serra, Porto de Mós; outro em frente da capela de Nossa Senhora da Ortiga, perto de Fátima, etc. (...)

          A grandiosa composição realizada por Michelangelo entre 1536 e 1541, concentra-se em torno da figura dominante do Cristo, representado no instante que precede à emissão do veredito do Juízo (Mt 25,31-46). Seu gesto, imperioso e sereno, parece ao mesmo tempo chamar à atenção e aplacar a agitação circundante: isto dá o início a um amplo e lento movimento rotatório no que se veem envoltas todas as figuras. Ficam fora deste as duas lunetas acima, com grupos de anjos que levam em voo os símbolos da Paixão (à esquerda, a Cruz, os dados e a coroa de espinhos; à direita, a coluna da Flagelação, a escada e a lança com a esponja banhada em vinagre)

          Símbolos da paixão de Cristo:

          Escada: A escada foi um dos instrumentos usados na crucificação de Cristo.

          Esponja: Afixada numa haste que foi usada para oferecer vinagre a Jesus enquanto estava na cruz.

          Chicote e Pilar: O chicote é mostrado junto de um pilar, no qual Jesus provavelmente foi amarrado.

          Pregos: Os pregos foram instrumentos da crucificação de Jesus.

          Coroa de espinhos: Simboliza o flagelo de Cristo.

          Coração: Com chamas de fé.

          Galo: Simboliza a omissão a Cristo quando São Pedro nega tê-lo conhecido.

          Martelo: Utilizado para cravar os pregos nas mãos e pés de Cristo.

          JNRJ ou INRI: Inscrição que significa Jesus Nazareno Rei dos Judeus.

          Lança: Dos soldados romanos que transpassou o coração de Jesus.

          Torquês: Utilizada para arrancar os pregos que prendiam as mãos e os pés de Cristo.

          Canas: Que serviam como cetro quando Cristo foi torturado e intitulado rei dos judeus.

          Corneta: Que servia como arauto anunciando a morte de um condenado.

          Cálice: Onde foi recolhido o sangue de Cristo.

          Ossos humanos: Diz a lenda que, quando Cristo agonizava na cruz, no Monte Calvário, houve uma grande tempestade e a erosão escavou na base do Monte alguns ossos que seriam de Adão.

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...