quarta-feira, 3 de agosto de 2022

JORNAL DE GARVÃO Nº 28




 




 



Daqui a umas gerações, quando só as notícias mais longínquas e de cariz nacional ou global restarem, apercebemo-nos de que nada saberíamos, se não fossem estes registos, sobre o que se passou na nossa terra ou sobre a sua história e património que sistematicamente vão desaparecendo.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

O ÚLTIMO REGEDOR EM GARVÃO










FRANCISCO ZACARIAS TAMBÉM CONHECIDO POR CHICO CEZÍLIA - ÚLTIMO REGEDOR EM GARVÃO

Francisco Zacarias de nome completo, nasceu em Garvão a 13 de Setembro de 1920. Foi o último Regedor da Vila de Garvão, tradição centenária de que foi o último representante em Garvão.

            Os Regedores de freguesia, eram, "uma pessoa de bem" que em primeira instância tentava manter o respeito, a ordem e a harmonia, junto da população da Freguesia. Desempenhavam as funções de Magistrados Administrativos, tinham como funções olhar pela segurança e ordem pública e certas obrigações administrativas, hoje geralmente desempenhadas pelas Juntas de Freguesia e autoridades de segurança pública, a quem as pessoas prestavam obediência e respeito, era chamado a intervir nas situações mais insólitas e até caricatas, como um roubo de uma galinha, fazer as pazes entre marido e mulher, chegando até a intervir em assuntos de partilhas, em brigas e desacatos, etc. etc..

            O Regedor foi assim uma autoridade de grande prestígio e poder, durante os anos das suas funções, lentamente foi perdendo essa autoridade até ao seu desaparecimento. Primeiramente eram eleitos,mas pela lei de 29 de Outubrode 1840, passaram a ser nomeados pelos Administradores do Concelho, actuais presidentes de Câmara, até que devido às várias reformas administrativas, as suas atribuições, foram-se diluindo pelas várias entidades entretanto criadas, Juntas e Assembleiasde Freguesias e criação da GNR em 1911, até que esvaziados dos seus poderes o cargo foi formalmente extinto depois do 25 de Abril de 1974 com a introdução da Constituição da República Portuguesa de 1976.

            De notar que o Regedor tal como os Cabos de Polícia e até os membros das Juntas de Freguesia não auferiam qualquer renumeração.

           O Regedor exercia a autoridade local de freguesia, principiou essa actividade ao substituir em mil oitocentos trinta e seis o Comissário de Paróquia, exercendo essas funções até mil novecentos setenta e seis. O regedor era subordinado ao Administrador do Conselho, mais chamado de Presidente da Câmara.

            Em mil oitocentos quarenta e dois, foi estabelecido por lei, uma farda para os Regedores, que seria uma casaca azul com um ramo de carvalho de ouro bordado em cada uma das golas, colete de casimira branca, calças azuis, botas e chapéu redondo. A casaca e o colete teriam botões com as Armas Reais. O chapéu teria o laço Nacional e uma presilha preta, na qual estaria gravado o nome da freguesia a que pertencia.

            A principal função dos Regedores, era a de policiamento da freguesia. Para os auxiliarem nas suas funções policiais, tinham às suas ordens e nomeados por estes os chamados Cabos de Polícia, sendo por norma rapazes de boa constituição física e de preferência acabados de chegar da tropa. A função de Cabos de Policia foi diminuindo até ao seu desaparecimento, com a intervenção da Polícia Civil, depois chamada, Polícia de Segurança Pública.

            No século passado e por volta dos anos quarenta, os Regedores deixaram de ter o estatuto de magistrado administrativo, nessa altura já não usavam qualquer fardamento, passam então a ser os representantes dos Presidentes das Câmaras Municipais e nomeados ou exonerados por estes, a quem prestavam obediência.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O PREGOEIRO









(Desenho de Pregoeiro Medieval)

JOAQUIM POMBO

O Último Pregoeiro de Garvão

Ainda há relativamente pouco tempo, subsistia em Garvão um uso herdado dos tempos mais recuados em que Garvão era concelho. Um dos funcionários da Câmara, para além do Escrivão, Vereadores, Tesoureiro e Procurador do concelho entre outros, havia também o pregoeiro. Num reino cuja população era, na sua quase totalidade, analfabeta, tornava-se fundamental anunciar as decisões que se passavam a escrito.

Este costume municipal, apesar da extinção do Concelho de Garvão em 1836, persistiu até aos anos sessenta do século XX, já não a anunciar e a apregoar as decisões camarárias, mas a pregoar ou anunciar as várias transações ou trocas entre os populares que pretendiam, vender, trocar ou comprar alguns bens supérfluos ou que necessitavam, a carne no açougue ou a venda de produtos frescos era também anunciada pelo pregoeiro.

Este não só apregoava, nos locais públicos da povoação, as decisões tomadas pela Câmara, mas anunciava igualmente as diversas arrematações dos bens concelhios, o que era permitido ou proibido e cujo interesse era necessário divulgar entre a população.

Na Idade Média tudo se apregoava: novidades do dia, decisões de polícia ou de justiça, levantamentos de impostos, leilões ao ar livre na praça pública, mercadorias para venda, geralmente junto aos paços do concelho ou junto do pelourinho,

Em Garvão, a lembrança leva-nos até aos princípios da década de sessenta do século XX, quando o último pregoeiro, Joaquim Pombo, no alto do serro do castelo pregoava os vários bens que a população pretendia vender, comprar ou alguma coisa perdida ou achada, assim como os taberneiros mandavam apregoar o vinho novo.

Seria. sem dúvida, homem de garganta poderosa e boa memória visto não ter nada escrito e ter de memorizar o que pretendia apregoar ou anunciar, começava por chamar a atenção com o barulho de umas matracas feitas em madeira que produzia um som que se ouvia na povoação e tinha uma rima própria com que anunciava o pretendido, começava por “escutem bem, escutem bem o que tenho a dizer” e depois de relatar o que pretendia, terminava com a frase “por hoje é tudo, amanhã há mais, se calhar”.

sábado, 25 de junho de 2022

AS ESTRADAS DE GARVÃO




     




Garvão, devido aos seus vestígios arqueológicos, sua polarização de vias e outras mais circunstâncias, é um dos mais importantes percursos do Alentejo desde a antiguidade.
     Em Garvão, cruzavam-se e partiam várias estradas com ligação a todo o Sul e Norte do País.

     Aos caminhos mais antigos utilizados pelos primeiros povos, às veredas dos caminhantes e andantes, de cargas no lombo das bestas e carroças de tracção animal, sobrepuseram-se outros caminhos pelas sucessivas civilizações que se lhes seguiram e, inclusivamente, pela via-férrea que, em alguns locais, aproveitou as vias romanas e pré-romanas.

     Em Garvão cruzavam-se várias estradas: Canadas Reais (trajectos milenários para gados), Itinerários Celtas, Vias Romanas, Estradas Reais, “Semedariuns..”, vias Legionárias, Corredouras e outras vias que faziam a ligação por todo o Alentejo.

ESTRADA ROMANA

     Durante a ocupação Romana, várias vias cruzavam o Alentejo. Umas sobrepondo-se sobre caminhos antigos, outras de novo criadas para satisfazer as necessidades comerciais e de ocupação militar.

     Em Garvão, segundo as “Grandes Vias da Lusitânia” de Mário Saa, que se baseou no “itinerário de Antonino pio”, (descrição, do princípio da nossa Era, sobre as vias do Império Romano por Antonino Pio), cruzavam-se várias estradas romanas, uma delas a “Circunvalação dos Célticos”, que dava a volta completa ao Alentejo e Algarve, pelos lados, tocando as principais localidades.

     Esta via, pelo lado do Atlântico, irradiava da cidade Romana de Esuri (actual Salir) para Ossonoba, Serra de Monchique, Silves e Garvão donde seguia depois para Évora. De Évora, baixava novamente para Beja, donde ia, pelo interior, por Mértola, embrenhando-se em seguida novamente no Algarve até Salir; este lanço da estrada era designado por «compendium».

     Garvão era denominado pelos Romanos como ARANNI. Segundo as “Vias do Império Romano” a distância de Ossonoba a Aranni (Garvão) são mpm LX (95km), (mpm, Millia Passum, medida itinerária romana,que valia mil passos, 1481,5 metros).

     De Aranni a Serapia são XXXII milia passuum. Assim, a conversão de milhas em quilómetros dá-nos Aranni em Garvão, (num dos 20 códices lê-se Atani e Atanni), que é uma das mais notáveis mansões romanas do percurso no Alentejo.

     A via de Antonino, a partir de Garvão para Évora, passa a Ponte Romana da Estação de Garvão, vai rumo à Igrejinhade São Pedro, Horta da Saúde e corre pelos lugares de Funcheira de Baixo, Monte Ruivo, Vale de Romeira, Boizona, ermida de São Romão de Panóias, Monte Alto, Torre Vã, Alvalade, Santa Ana do Roxo, Ermidas, Santa Margarida do Sado, Caneiras do Roxo, Vila Nova da Baronia, Viana do Alentejo e Évora.

     Pode-se afirmar, com alguma razão, que a importância da vila de Garvão em tempos mais recuados, se deve às suas excelentes condições viáveis que permitiu o caminho norte/sul e a fixação dos povos.

     A Estrada romana, de Garvão para o Algarve, passava a ponte romana da Estação de Garvão, ia junto ao Furadouro e metia-se pelas terras, do Sr. Chico Felix, direito aos Franciscos, local de grande concentração de vestígios Romanos que se crê ser de uma cidadela Romana, ia depois direito à Aldeia das Amoreiras, São Martinho das Amoreiras, Monte do Geraldo, Monte do Caldeirão, Corte de Brito, Corte de Lã, Stª Clara a Velha, Corte Sevilha, Nave Redonda, Monchique, Porto de Lagos donde como placa giratória comunicava com Silves, Portimão, Lagos e Faro.

     A trajetória de, e para Garvão são de excelentes condições viáis; a natureza abrira esse caminho. São magníficos os tabuleiros ou plainos, as depressões, as planícies e várzeas das margens do rio Mira e do rio Sado condizentes a Garvão.

     O acostumado documentário romano, em destruições de paredes, telharia, epígrafes, etc., ladeia o caminho e é como que o sinal da sua trajetória.


ESTRADA REAL DO ALGARVE

     A Estrada Real do Algarve aproveitou o traçado da Via Romana e Legionária, desde a Serra de Monchique a Garvão e para norte deste. A Estrada Real do Algarve tem o seu início em Lisboa e, era a ligação para o Algarve, com passagem obrigatória por Garvão.

     Era a grande via do Sul, utilizada na Idade Média nas deslocações de norte ao sul e vice-versa. Diz o povo que era a estrada por onde a Rainha D. Maria ia para o Algarve, utilizada por D. Sebastião nas suas viagens ao sul e em direcção a Marrocos.

     Era também um caminho utilizado pelas guerrilhas do Algarve no século XIX. De Garvão para Lisboa ia-se por Alcácer do Sal, passando logo a seguir a Garvão, pela Igrejinha de São Pedro (onde os mencionados guerrilheiros do Algarve procuravam abrigo), Horta da Saúde, Funcheira de Baixo, Monte Ruivo do Ameixial (aqui separa-se do antigo caminho romano), e busca Panoias, onde transpõe a Ribeira de São Romão (Rio Sado) no Porto da Crata, a 6 km de Garvão segue depois para o Monte da Alfarrobeira, Montinho, Reguengo, Aldeia de A dos Delbas, Monte da Estrada, Messejana, Rio de Moinhos, São João dos Negrilhos, Figueira de Cavaleiros, Alcácer do Sal, Setúbal e Lisboa.

     De Garvão para sul o traçado da Estrada Real aproveitou e confunde-se com o caminho da Estrada Romana atrás descrito. O piso da Estrada Real é nu e sem qualquer artifício. Até Santa Clara, a estrada continua sem possibilidade de outro rumo que não seja o de Garvão; são várzeas sumamente viáveis ladeadas de outeiros inviáveis.

     Até há relativamente pouco tempo, os Almocreves e outros preferiam a Estrada Real à Nacional, pois, apesar do mau estado do piso, representa um encurtamento na distância e, de Garvão era a única ligação para a Aldeia e São Martinho das Amoreiras, antes da construção da estrada alcatroada na década de 1970.

     Os almocreves nas suas andanças pelas propriedades da região utilizavam também a estrada do Monte Zuzarte onde, ainda hoje, junto à estrada existe uma cruz, em pedra, de que se desconhece a origem; esta estrada seguia depois para as propriedades do vale de Mú e São Barão.

     Na propriedade do São Barão existe, ainda hoje, os restos de uma Igreja, denominada, também, de São Barão, local de festa e romaria, ainda no primeiro quartel do século XX, bastante frequentada pelas gentes da região.

     Uma variante desta estrada, talvez no caminho para Ourique, passava junto ao Monte São Pedro, onde ainda é visível as ruínas de uma igreja.

 ESTRADA PARA BEJA

     No caminho da Estrada Real, ou Romana, no porto da Crata desprendia-se, uma outra estrada, para a direita que ia directamente de Garvão para Beja, em parte utilizada pelo Caminho de Ferro, pela herdade da Quinta Nova, Aldeia da Conceição e Alcarias, Monte da Carregueira (Estação de Castro Verde) e daí para Beja.

ESTRADA PRÉ-ROMANA

     Existia uma outra Estrada do Algarve, mais antiga, prévia à ocupação Romana, de norte para sul pela margem esquerda do Sado, que transpunha o Rio em Alcácer do Sal. Depois seguia para Grândola, Canal, Mina da Caveira (importantes minas Romanas, cujo minério seguia para Santa Margarida, onde era tratado e seguia em embarcações pelo rio Sado), Brunheira, Loizal Novo, Faleiros e Cartaxo, Mal Assentada, Balça, Ameira onde passava a Ribeira de Campilhas e Alvalade. De todos os modos, Garvão era lugar obrigatório de convergência.

ESTRADA ROMANA DE SALIR A SANTIAGO DO CACÉM POR GARVÃO

     Em Garvão cruzava outra Estrada Romana, que ligava Santiago do Cacém a Salir, no Algarve, e cortava no sentido Noroeste para Sueste a Estrada Romana de circunvalação do Alentejo e Algarve.

     De Garvão a Santiago do Cacém numa extensão de XXXII milia passuum e, segundo “As Grandes Vias da Lusitânia” de Mário Saa, “...O seu início em Garvão é um sulco profundo, transversal às ribeiras de Garvão e Arzil, e imediatamente abaixo do Castelo, sulco que ali é conhecido por Ferradouro, corruptela de Furadouro”.

     Entrava depois na Estação deGarvão, onde passava a Ribeira do Arzil pela ponte Romana, seguia pelas herdades do Arzil, Crimeia, Corte Preta, e aldeias de Santa Luzia, Vale Alconde, Colos, Vale de Santiago e entrava em Santiago do Cacém, pelo sítio de chã salgada, tocando o que resta do recinto de jogos da Urbe Romana.

     De Garvão para sul, o traçado divergia da Estrada Romana e Real, enquanto estas iam pelos Franciscos e aldeia das Amoreiras. A estrada de Santiago do Cacém para Salir ia pela Monchica e Saraiva direito à Srª da Cola. Depois de passar o Furadouro, atravessava a ribeira de Garvão, junto ao Poço Novo; a saída da Vila fazia-se pelo Curral dos Bois e apontava direito à propriedade do Pouco Tempo, Monchica, Saraiva, Lagoa Seca, Vale Garvão, Portela, Monte Queimado, Marchicão (já ao pé do Santuário da Srª da Cola), Sr.ª da Cola, Santana da Serra e Salir. Em Santana da Serra bifurcava uma outra estrada directa de Salir a Silves.

“SEMEDARIUM QUI VENIT DE GARVAM ET VADIT AL ALGARBIUM” pela Srª da Cola

     O “Semedarium qui venit de Garvam et vadit al Algarbium”, era a continuação directa da estrada de Santiago do Cacém. Por Semedarium, “Semedeiro”, não se entenda caminho de só menos importância, facto que não se coaduna certamente com o longo curso de 80 Km de Garvão a Salir. Semedarium derivado latim semitas de que se fez senda, sendeiro, sendim, etc.

     A menção ao “Semedarium qui venitde Garvam et vadit al Algarbium” surge, pela primeira vez, nuns documentos de1250 e 1260 referentes ao extinto concelho medieval de Marachique, vulgarmente identificado com o Castro da Srª da Cola, nomeadamente pelo Arqueólogo Abel Viana que na sua monografia sobre a Cola, faz alusão à existência das ribeiras e dos lugares de Marchicão e Marchique junto ao Santuário da Cola.

      As extremas deste Concelho Medieval, abrangiam partes dos actuais Concelhos de Almodôvar e Ourique e, que em parte servia de estremadura entre o Alentejo e o Algarve. No documento de 1250 el-rei D.Afonso III doou este concelho, com os limites que então lhes assinalou, aos seus moradores. No documento ou doação de 1260,os moradores fazem doação a um dos seus munícipes, D. Estevam Anes, de todo o território que el-rei D. Afonso III lhes havia doado e constituía o total concelho de Marachique.

CANADA REAL

     As “Canadas” eram vias próprias para as deslocações dos rebanhos de gado, de umas pastagens e regiões para outras.

     Eram trajectórias seculares, e até milenárias de pastores, como que direcções ideais nos seus caminhos da transumância.

      Apesar das Canadas serem vias próprias e independentes das outras estradas, a Canada que servia Garvão identifica-se em grande parte com a Estrada Real do Algarve.

      Não deixará de ter importância a Feira anual de Garvão no fim do ciclo Primaveril, como polo comercial e social dos pastores que traziam os seus rebanhos, inclusivamente da Serra da Estrela e até de Espanha, para as pastagens do Campo Branco e do Campo de Ourique.


CORREDOURAS

     As Corredoras ou estradas legionárias eram vias militares romanas que atravessavam, não só o Alentejo e a Península Ibérica, como também todo o Império Romano.

     Eram vias próprias para uma mais rápida deslocação das tropas, quando surgia algum foco de revolta nativa contra os invasores e ocupantes Romanos.

     É comum ainda encontrar, na topografia local, nome de sítios ou lugares com origem em eventos ou locais antigos; o Monte da Corredoura, situado a poucos km de Garvão, na estrada para Ourique, poderá bem ser um bom exemplo dessas reminiscências do passado.

     A Corredoura é também identificada com a venda de gado na feira de Garvão; o local onde os almocreves, ciganos e demais comerciantes se juntam para negociar, mulas, machos, cavalos ou éguas, burros ou burras é denominado por “Corredoura”.

terça-feira, 24 de maio de 2022

GRUPO CORAL INFANTIL DE GARVÃO

Relembrando 33 anos depois.









Grupo Coral Infantil de Garvão em Junho de 1989, no Largo da Igreja.

Da esquerda para a direita: Artur Gonçalves (filho), Carlos Filipe, Nelson Jorge, Sandra Mamede, Ana Sofia Guerreiro, Marisa Lucas, Ana Cristina Perpétua, Miguel Diogo, Filipa Perpétua, Filipe Sequeira, Hugo Jorge, Nuno Mamede, Claúdia Gonçalves, Daniel Perpétua, Paulo Fernando, Ana Rita Malveiro, Tiago Lourenço, Sara Reis, Ana Rita Vilhena, Luiz Patrocínio, Milton Carvalho e José Daniel Malveiro com a bandeira.

           Publica-se neste artigo uma entrevista para o Jornal de Garvão, feita em 1995 ao presidente do Grupo Coral infantil de Garvão, Artur Revés Gonçalves.  

          Foi fundado pelas professoras D. Maria Luísa e D. Guilhermina, em Junho de 1989. Por uma simples brincadeira, para cantar na feira das escolas, e que era ensaiado pelas seguintes pessoas: Augusto Charrua, Francisco Bento e José Maria. Os pais das crianças entusiasmaram-se e fundaram o Grupo. Mais tarde o Sr. Augusto Charrua saiu, devido a um desgosto, e entrou o Sr. Daniel Loures.

          O grupo assim foi continuando até que, com algum dinheiro, comprou a sua primeira farda, que foi inaugurada no dia 20 de Abril de 1991.

          Tem como madrinha a D. Maria Luísa e como padrinho o Sr. Idálio Ramos. O Grupo Coral é formando com cerca de 30 elementos, com idades compreendidas entre os 5 e os 16 anos.

          O Grupo conta já com inúmeras saídas, ao Centro e Sul de Portugal, como por exemplo Ourém, Barreiro, Beja, Ourique, Fátima, Vila do Bispo, etc., onde tem sido muito acarinhado e sempre bem recebido.

          Tem sido sempre um grupo independente de tudo, no que diz respeito à política e a instituições. É livre e vai a todo o lado onde é convidado.

          O Grupo Coral tem conseguido sobreviver, com algumas dificuldades a nível financeiro, só conseguindo arranjar algum dinheiro derivado de alguns bailes e algumas ajudas extras. tem tido sempre o apoio da Câmara Municipal de Ourique em termos de transporte.

          Onde vai actuar não leva dinheiro nenhum, apenas lhe sendo dado um lanche.

        O Grupo tem que agradecer a todos os pais das crianças pelo apoio que este têm dado ao Grupo Coral de Garvão.


domingo, 15 de maio de 2022

Recordando FLORBELA ESPANCA











Nos 58 anos da transladação do seu corpo, em 17 de Maio de 1964, para o cemitério de Vila Viçosa

Eu sou o que no mundo anda perdida,

Eu sou o que na vida não tem norte,

Sou a Irmã do sonho, e desta sorte

Sou a crucificada...a dolorida...  (livro de Mágoas, 1919)


           Assim se definia, esta grande poetisa alentejana. Da sua vida, muito se conta, mas as grandes verdades, leem-se nos seus sonetos.

            Florbela Espanca, nasceu dia 8 de Dezembro de 1894, na Rua do Angerino em Vila Viçosa, Florbela começa precocemente a frequentar a secção infantil da escola primária de Vila Viçosa em Outubro de 1899.

            Tendo iniciado um mês antes as aulas da 3ª classe, Florbela escreve, a 11 de Novembro de 1903, a sua primeira poesia reconhecida, intitulada “A vida e a morte”; no dia seguinte outra se lhe sucede – trata-se de um soneto, que começa com “A bondade o som de Deus”. Se se atentar no facto de que Florbela ainda não tem nove anos e na dificuldade que o soneto representa enquanto composição poética, fácil se torna concluir que cedo brotou o génio nesta alma que “já (então) fazia versos, já tinha insónias e (a quem) já as coisas da vida davam vontade de chorar”.

            Florbela era uma poetisa de poesia generosa, convulsa e ardente do fogo sob cujo signo nascera, a dos extremos de ternura e das amarguras do sofrimento, dos estados hiper excessivos de consciência da solidão, da dor e do amor.

            Nas vésperas de morrer, Florbela desabafa com as suas amigas dizendo que se suicida no dia do seu aniversário por considerar que é a melhor prenda que pode dar a si própria; contudo, ninguém a leva a sério, ninguém entende a sua tormenta. Esta escreve, pois, as suas últimas vontades e um postal de despedida às amigas mais íntimas, as quais só receberão depois da sua morte.

            No dia 10 de Dezembro de 1930 à noite, Florbela comunica à sua criada Teresa que não vai dormir no quarto de casal, em virtude das muitas insónias que vem sentindo ultimamente. Pede ainda que não a acordem no dia seguinte seja sob que pretexto for.

            É encontrada tarde de mais. Na sua mesinha de cabeceira restava um pouco de leite num copo e debaixo do colchão estavam dois frascos vazios. Florbela morrera enfim durante a noite, provavelmente à mesma hora da madrugada a que tinha nascido trinta e seis anos antes, no dia de Nossa Senhora da Conceição, símbolo da Mãe e padroeira de Portugal.

            Nada melhor que a sua própria autodefinição, transcrita numa das cartas que escreveu (Carta de Florbela Espanca ao Dr. Guido Battelli de 27/07/1930).

            (…) Sou uma céptica que crê em tudo, uma desiludida cheia de ilusões, uma revoltada que aceita, sorridente, todo o mal da vida, uma indiferente a transbordar de ternura. Grave e metódica até à mania, atenta a todas as subtilezas dum raciocínio claro e lúcido, não deixando, no entanto, de ser uma espécie de D.Quixote fêmea a combater moinhos de vento, quimérica e fantástica, sempre enganada e sempre a pedir novas mentiras à vida, num dom de mim própria que não acaba, que não desfalece, que não cansa! (...)

segunda-feira, 9 de maio de 2022

FEIRA DE GARVÃO 2022- A Importância da Divulgação

          Correu mais uma Feira de Garvão e para todos os efeitos, correu bem. A exposição pecuária estava cheia, as tascas e tasquinhas estavam apinhadas e mais uma vez os produtores do concelho tiveram a oportunidade de mostrarem e venderem os seus produtos.

          A componente tradicional da feira, também lá estava, os barros e cerâmicas, calçado, cadeiras e outros artigos tradicionais em madeira, cestaria, roupas e bugigangas, não faltaram igualmente os arreios para o gado, coleiras, chocalhos, arreatas e cabrestos.

             Houve espetáculo, houve baile e houve o cante ao Baldão.

          Ouviu-se música ligeira de qualidade aceitável e cantaram os grupos do concelho, a Alma Alentejana, os Cantadores do Alentejo e os convidados Sadinos de Setúbal.

         Comeu-se bem e melhor se bebeu, houve folia e houve festa e mais uma vez a autarquia local investiu na valorização deste evento que é já uma referência na amostra do mundo rural português.

          Mau grado a colagem da Ovibeja à Feira de Garvão, uma amostra dos ovinos do Sul que nos primeiros anos se efetuava em Fevereiro, realiza-se agora nos finais de Abril.

           Daí a importância da divulgação e só a título de exemplo, este Blog, dia 8 de Maio, recebeu 242 visualizações, provenientes de 154 visitas, o que quer dizer que quem destas 154 visitas procurou na internet a localização ou o caminho para Garvão, também se preocupou em pesquisar e saber um pouco sobre a história desta terra.

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...