terça-feira, 2 de julho de 2024

2ª CORRIDA "TRILHOS DO MONTADO E DOS ENCHIDOS"













(Jornal de Garvão, mencionado no Diário do Alentejo)

              No dia 15/6/2024, realizou-se em Garvão e Santa Luzia, a 2ª Corrida "Trilhos do Montado e dos Enchidos" que ligou as duas localidades. 

          O rosto principal da organização é o vice-presidente da união de freguesias, Leandro Oliveira, um confesso entusiasta de corridas, que disse ao “Diário do Alentejo”: “Sempre gostei disto, e surgiu-me a ideia de fazer esta prova. Na união de freguesias achámos que teríamos capacidade para fazermos esta travessia entre Santa Luzia e Garvão, algo que nunca tinha acontecido, mas que achámos que seria interessante, até por unirmos as duas populações e sentirmos que poderíamos fazer algo de diferente, de inovador. Tínhamos razão, porque a prova foi um verdadeiro sucesso”.

            Valeu a pena, garantiu, até pela participação das pessoas na preparação da prova, mas também na corrida e na caminhada.

sábado, 15 de junho de 2024

A TRISTE VIUVINHA

PASSADA em SANTA LUZIA pelo DRAMATURGO D. JOÃO da CÂMARA

     A peça de teatro “A Triste Viuvinha” do dramaturgo D. João da Câmara, desenrolasse em parte em Santa Luzia e rememora o período de 1820 a 1834, período do fim do Ancien Regime, de implantação do Liberalismo e de guerra civil, em que a população portuguesa vivenciou inúmeras repressões, violência e supressão das liberdades civis.

     O drama passasse entre 1890 e 1897, posterior ao Ultimatum Inglês, símbolo de vergonha nacional, em que o direito às possessões portuguesas em África, foi definido, não pela descoberta, mas pela efectiva ocupação e como tal em muito reduziu as possessões portuguesas em África, como consta no Mapa Cor de Rosa, imposto pela Inglaterra.

     Foi representada pela primeira vez no teatro Dona Maria II, no dia 11 de Dezembro de 1897, interpretado como o momento e a maneira adequados de repensar o destino de Portugal, sob uma perspetiva provincial e, neste caso, de retratar os costumes alentejanos. Fizeram parte do elenco os nomes mais notáveis do teatro português da altura.

     Se no século XV os portugueses descobriram novas terras e construíram um império; no século XIX, viram-se confrontados com  o expansionismo britânico e redução das suas possessões africanas. É neste panorama que D. João da Câmara insere este drama numa aldeia do interior, neste caso Santa Luzia, (uma das duas freguesias do então concelho de Garvão) e refletir sobre a dificuldade de absorção e divulgação das novas ideias políticas e novos costumes do quotidiano, em particular pelas pessoas simples daquela região e de uma forma geral pela própria nação lusitana, assim, o enredo é elaborado sob uma perspetiva histórica saudosista, e a melancolia é o sentimento que pesa sobre os personagens.

     São sete as personagens que movem a intriga, o velho Rebelo, tabelião retirado para a aldeia de Santa Luzia, muito religioso, é um miguelista saudosista do Absolutismo. Reside na sua casa com Nazaré, viúva do seu filho Manuel e a tia desta, a velha Maria do Ó, solteirona e beata que encontrou alguma comodidade junto da sobrinha depois de uma vida com dificuldades.

     Rebelo tem “saúde gastada e idade decrépita” e com a morte do filho, encontrou na nora a compensação para que o desgosto, não lhe fosse fatal. O seu desgosto e a dor da sua solidão são substituídos pela presença de Nazaré, ela é a triste viuvinha do seu único filho Manuel, passados dois anos de casamento.

     Nazaré é condenada à viuvez eterna pelo sogro, e pela comodidade de sua tia que tem medo de perder o bem-estar na casa de Rebelo e quando Nazaré lhe confidencia que quer casar outra vez, esta faz-lhe lembrar que: (…) há-de herdar do sogro, duas cerquinhas, um ferragial, belas herdades, montados, terras de pão, várzeas das melhores, casa de bom recheio, e para não deitar tudo a perder.

     O Alferes, viúvo, vive com seu filho, João da Alegria, por quem Nazaré se virá a apaixonar.

     João da CâMara tece um conceito de saudade, na personagem do velho Rebelo, quando ele impõe a presença da nora, retratada como viúva e assim, como símbolo do filho ausente. Ele sente alegria de ver a tristeza estampada no rosto dela, não se importa com a perda da sua juventude em prol dela se manter fiel ao falecido marido, faz questão que ela seja a triste viuvinha.

     Na peça, João da Alegria, declama o seguinte poema:  

Senhora de Santa Luzia.

Lavada do vento norte.

Quem nela tem seus amores?

Não pode ter melhor sorte,

segunda-feira, 10 de junho de 2024

MOEDA COMEMORATIVA DOS 500 ANOS DO NASCIMENTO DE LUÍS DE CAMÕES







COMO SE FOSSE SURDO, CEGO E MUDO.     

    Uma nova moeda de cinco euros foi lançada em comemoração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o maior poeta de Portugal. A imagem de Camões na moeda tem gerado polêmica devido à sua estilização, que dificulta a identificação do autor de “Os Lusíadas”.
     De facto, estamos perante um Camões sem orelhas, nariz e boca, como se fosse surdo, cego e mudo.
     Para quem, na sabedoria popular é retratado como cego de um olho, mas via bem dos dois, aparece agora, quando não o conseguiram calar nem censurar em vida, calado e amordaçado.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

LUÍS VAZ DE CAMÕES











O homem por detrás do mito, a intrigante vida do maior

poeta português que nasceu há 500 anos.

     Em 2024, faz precisamente 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o nosso maior poeta, data consagrada ao Dia de Portugal.

     Portugal deve ser um dos poucos países do mundo, nem sempre notada ou valorizada, que, ao contrário da maioria dos países, tem o seu Dia Nacional baseado num Poeta, num Homem da literatura, e não num feito bélico, numa batalha, numa conquista, em derramamento de sangue, como celebram outros povos.

     Isabel Rio Novo, nas sua Biografia de Camões, afirma: Camões é tão rico e inesgotável que tem conseguido ajustar-se a todas as épocas e prestar-se a formas diferentes e até opostas de instrumentalização. E depois, há nele aspetos que tocam muito na dita alma portuguesa, ou pelo menos nos temas que acalentamos na literatura e nas artes. O amor. A viagem. O desterro. A saudade. O oceano…

     Camões é tão genial que resiste a tudo, até às más citações, até às banalidades, até aos aproveitamentos que fazem dele, até às visões redutoras. Sai sempre por cima. E isso tem a ver com uma espécie de genuinidade a que é difícil alguém ficar indiferente. Há qualquer coisa de fatal e de fascinante no homem de letras e de armas honrado, que não se verga diante dos caprichos da fortuna nem das desfeitas dos seus contemporâneos. O homem que não descrê do seu talento mesmo quando quase toda a gente parece ignorá-lo e mesmo que isso lhe provoque uma amargura indisfarçada.

            Luís Vaz de Camões, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, terá nascido por volta de 1524/1525, não se sabe exatamente onde, e morreu a 10 de junho de 1580,esteve preso duas vezes, perdeu o olho direito no Norte de África, embarcou para a Índia por castigo, viveu pobre e morreu na miséria, este homem, de barba ruiva, que tinha os nervos à flor da pele e era viciado no jogo, escreveu a mais extraordinária obra da língua portuguesa: “Os Lusíadas”.

     Ainda, segundo, Isabel Rio Novo, o poeta viveu sempre de mão dadas com a má fortuna e que alguma vez tenha vivido em sossego, era instável, brigava com a maior facilidade, ardia sentimentalmente em várias chamas, muitas vezes por culpa própria, vivia em constante  tribulação e foi detido pelo menos duas vezes.

     As grandes mudanças na sua vida deveram-se a castigos, tal como em 1552, quando, após a procissão do Corpo de Deus se envolveu numa contenda, no qual terá puxado da espada e ferido um guarda do Palácio real. Foi detido na cadeia municipal do Tronco, em Lisboa, (onde hoje se situam as portas de Santo Antão).

     Ali permaneceu nove meses até ter merecido perdão real. Há quem defenda que a agressão ocorreu porque o poeta se apaixonou por uma dama de condição muito superior, ou seja, um amor proibido.

     Sabe-se também que a embarcou para a índia em 1553, que regressou à pátria em 1570, que editou “Os Lusíadas” a 12/03/1572, que morreu provavelmente vítima de peste, por volta de 1580 e que a mãe assistiu ao seu funeral e passou a usufruir da pensão anual de quinze mil reais que o Rei Dom Sebastião lhe tinha atribuído aquando da publicação do poema Épico.

À PARTE....

      Mais uma oportunidade perdida, em Garvão, de se fazer uma exposição comemorativa desta data, não só pela figura de Camões, mas igualmente para promover a coesão social, o espírito comunitário, a convivência e a intercomunicação entre a população.

domingo, 5 de maio de 2024

LIVRO: PARECER E SER DE JOSÉ ANTÓNIO FALCÃO.











Foi apresentado, dia 4 de Maio de 2024, pelas 16:00 horas, na Biblioteca Municipal de Ourique, a mais recente obra do historiador José António Falcão, intitulada Parecer e Ser: Excursus Vital de D. António Paes Godinho, Bispo de Nanquim, natural de Santa Luzia, (então uma das duas freguesias do Concelho de Garvão), onde foi baptizado a 16 de Abril de 1688, filho de Estevão Guizado, ou Estevão Guizado Godinho e de Isabel Velho.[1]

      Em nota de imprensa, o autor destacou o “profundo trabalho de investigação que traz para a ribalta uma das mais influentes personalidades do Portugal do tempo de D. João V”. Considerou também o bispo de Nanquim uma figura que o “intrigava” devido às circunstâncias da política internacional do tempo do imperador Kangxi impediram de chegar à China, mas que trouxe o Extremo-Oriente até ao Alentejo.

     Sublinhou que se trata “de uma personalidade quase mítica da história de terras como Santiago do Cacém, Viana do Alentejo ou Mafra, para não falar da aldeia onde nasceu, Santa Luzia, hoje no concelho de Ourique; no entanto, a sua existência foi bem palpável e deixou fortes marcas”.

     Grande parte dessa aura “deve-se ao facto de ter sido membro destacado de um movimento espiritual radical, profundamente reformador, a Jacobeia, que assumiu as rédeas do poder no tempo de D. João V e foi depois objeto de perseguição por parte do Marquês de Pombal”, acrescentando ainda que “D. António Paes Godinho manteve, afinal, mesmo nas mais altas instâncias, a sua maneira de ser como alentejano de lei”.

     José António Falcão é Historiador de arte, museólogo e professor universitário. É Especialista no âmbito da arte e da arquitetura religiosas, tem consagrado a sua atividade ao estudo e salvaguarda dos bens culturais do Alentejo, granjeando prémios portugueses e europeus. Dirigiu o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja desde a fundação (1984) à extinção (2017) deste serviço, distinguido pela UNESCO como “exemplo do resgate cultural de um território”. Foi responsável pela criação, em 2006, da Rede Museológica daquela diocese, formada por oito museus.

In: Livro sobre o Bispo de Nanquim que trouxe a laranja da China para o Alentejo lançado em Ourique (sapo.pt)

[1] Falcão, José António. Parecer e Ser, Excursus Vital de D. António Paes Godinho, Bispo de Nanquim. 2024. P. 26.


sexta-feira, 3 de maio de 2024

Filme CIDADE RABAT










Da realizadora:

Susana Nobre (Natural de Garvão)

(Parte da obra foi filmada em Garvão)

A apresentar em Garvão e Ourique.

IN: Munícipio de ourique (cm-ourique.pt)

Sábado | 18 de Maio | 21h30 | M12 | 3€

Classificação: M12

Género: Drama

Título Original: Cidade Rabat

Realizador: Susana Nobre

Com: Raquel Castro, Paula Bárcia, Paula Só, Sara de Castro, Laura Afonso

Duração (minutos): 101        

Helena tem quarenta anos e tem uma filha com doze anos chamada Maria com quem vive, em semanas alternadas com o pai. Helena trabalha como produtora de cinema e sente-se reprimida pelo quotidiano burocrático das suas funções. Após a morte da sua mãe, Helena é atingida por um sentimento de orfandade enegrecido pelo ambiente de morbidade que a envolveu nos últimos tempos. Esse olhar tocado pelas misérias e tristezas do mundo, na equidistância em que se encontra entre o princípio e o fim da vida, provocam em Helena o despertar de uma segunda adolescência.

Prémios

- Grande Prémio Cidade de Coimbra, Caminhos do Cinema Português, Portugal'23
- Melhor Argumento, Caminhos do Cinema Português, Portugal'23
- Palmeira Dourada - Prémio Especial do Júri - Mostra de Valência IFF, Espanha'23

Festivais

- 73º Berlinale - Berlin International Film Festival - Forum Competition, Germany'23
- IndieLisboa - International Film Festival, Portugal'23
- Cine Europeu de Montevideo, Uruguay'23
- Festival do Rio, Brazil'23
- Lima Alterna - Festival Internacional De Lima, Peru'23
- Mostra de Valência IFF, Spain'23
- IBERTIGO, Canarias'23
- Caminhos do Cinema Português, Portugal'23
- Laceno D´oro IFF, Itália'23
- FIDBA, Argentina'24
- Festival de Cinema de Lafões, (FESCILA), Portugal'24

COM Raquel Castro, Paula Bárcia, Paula Só, Sara de Castro, Laura Afonso 

REALIZAÇÃO E ARGUMENTO Susana Nobre

FOTOGRAFIA Paulo Menezes aip 

ASSISTENTE DE REALIZAÇÃO André Silva Santos 

DIRECÇÃO DE ARTE Cláudia Lopes Costa

MAQUILHAGEM Iris Peleira 

FIGURINOS Tânia Franco 

MONTAGEM Martial Salomon 

SOM João Gazua 

MONTAGEM DE SOM E MISTURA Nuno Carvalho 

COLORISTA Paulo Menezes aip 

DIRECÇÃO DE PRODUÇÃO Mônica Noronha 

PRODUTORES João Matos, Janja Kralj

Trailer: https://youtu.be/woJ156uImrY


 

quarta-feira, 1 de maio de 2024

Menina dos olhos tristes

A menina dos olhos tristes que chorava porque «o soldadinho não volta do outro lado do mar» era a imagem perfeita da nossa própria angústia naquele universo de jovens que víamos partirem todos os dias para a guerra e não regressarem, num destino que sabíamos poder em breve vir também a ser o nosso.

Música: Zeca Afonso

Letra: Reinaldo Ferreira

Menina dos olhos tristes

O que tanto a faz chorar

O soldadinho não volta 

Do outro lado do mar


Senhora de olhos cansados

porque a fatiga o tear

o soldadinho não volta

do outro lado do mar


Vamos senhor pensativo

olhe o cachimbo a apagar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar


Anda bem triste um amigo

uma carta o fez chorar

o soldadinho não volta

do outro lado do mar


 A lua que é viajante

é que nos pode informar

o soldadinho já volta

Do outro lado do mar


O soldadinho já volta

está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho

desta vez o soldadinho

nunca mais se faz ao mar

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...