Centro Social Cultura e Recreio - CASA DO POVO DE GARVÃO
No Jornal de Garvão nº 30, foi dado destaque á suposta “direção” da Casa do Povo.
Tentou-se esclarecer os comentários negativos que se assistia tanto nas redes sociais como em conversas entre a população e dar uma oportunidade aos membros da “direção” para esclarecerem o assunto.
Em conversa com a “pseudo-presidente” esta esclareceu que primeiro de tudo “não tem medo de ninguém” e que os regulamentos estatutários estavam a ser cumpridos e as devidas eleições têm sido realizadas segundo os estatutos e, este ano de 2024 se demitiria do cargo e convocaria eleições.
Segundo outros elementos da “pseudo direção” e dos restantes elementos dos "pseudo corpos sociais", que afirmam só estão lá para darem o nome, afirmam que as eleições não têm sido realizadas e nem o livro de contas preenchido, guardando a “auto-intitulada presidente" as receitas e fazendo uso delas a seu belo prazer.
Mais acrescentam que não tem havido reuniões da direção, nem assembleia de sócios e muito menos a coleta das quotas em atraso ou a inscrição de novos sócios.
Sendo assim, as informações prestadas ao Jornal de Garvão foram falsas e a “pseudo presidente” mentiu descaradamente, dando assim razão ao que já há muito tempo se tem vindo a afirmar nas redes sociais.
Como “não tem medo de ninguém”, como repetiu várias vezes, faz o que quer e o que muito bem entender num edifício público que a Junta de Freguesia, como proprietária do imóvel, já há muito devia ter posto fim a esta situação.
Das famílias de Garvão
Ao se observar as cartas genealógicas das famílias de, observamos o decréscimo populacional que se tem vindo a observar de há setenta anos para cá.
De uma população residente de cerca 2500 pessoas em 1950, estamos agora meramente reduzidos a menos de 600 eleitores e a escassas duas centenas de residentes.
Há famílias inteiras com cinco/seis filhos nas décadas de quarenta e cinquenta do século passado que desapareceram completamente sem deixar descendentes a viver em Garvão e outras cujos membros a residir na vila são uma ínfima parte da sua família ausente e cujas memórias só restam na lembrança dos mais velhos e no visitante ocasional.
O que é feito dos Cangalhas composta por seis filhos nos anos de 1930/40, Dos Ataídes? Dos Ildefonsos? Dos Borralheiras? Dos Dias? A lista é enorme e afecta todas a famílias.
Costuma-se dizer “estudar o passado para melhor prepararmos o futuro”, mas prevenir, travar e inverter esta tendência populacional acarreta despesas, principalmente para a maior empregadora da região: a Câmara Municipal de Ourique, já sobrecarregado em manter as centenas de trabalhadores que emprega e que significam uma percentagem significativa da população residente no concelho e em condições de empregabilidade.
Sem esses trabalhadores residentes no concelho e as respectivas famílias alargadas, pais reformados e filhos em idade escolar, o estado do nível populacional nas freguesias seria, certamente, muito pior.
Embora se trate de um problema que afecta essencialmente as povoações do interior, existindo inclusivamente medidas de apoio governamentais ao nível da Comunidade Europeia que possam contrariar esta tendência, o certo é que os efeitos de tal legislação, não se fazem sentir nestas povoações. Trata-se, sem dúvida, de um problema estrutural que precisa de soluções reais e pragmáticas, sem rodeios e promessas.
(Jornal de Garvão, mencionado no Diário do Alentejo)
No dia 15/6/2024, realizou-se em Garvão e Santa Luzia, a 2ª Corrida "Trilhos do Montado e dos Enchidos" que ligou as duas localidades.
O rosto principal da organização é o vice-presidente da união de freguesias, Leandro Oliveira, um confesso entusiasta de corridas, que disse ao “Diário do Alentejo”: “Sempre gostei disto, e surgiu-me a ideia de fazer esta prova. Na união de freguesias achámos que teríamos capacidade para fazermos esta travessia entre Santa Luzia e Garvão, algo que nunca tinha acontecido, mas que achámos que seria interessante, até por unirmos as duas populações e sentirmos que poderíamos fazer algo de diferente, de inovador. Tínhamos razão, porque a prova foi um verdadeiro sucesso”.
Valeu a pena, garantiu, até pela participação das pessoas na preparação da prova, mas também na corrida e na caminhada.
PASSADA em SANTA LUZIA pelo DRAMATURGO D. JOÃO da CÂMARA
A peça de teatro “A Triste Viuvinha” do dramaturgo D. João da Câmara, desenrolasse em parte em Santa Luzia e rememora o período de 1820 a 1834, período do fim do Ancien Regime, de implantação do Liberalismo e de guerra civil, em que a população portuguesa vivenciou inúmeras repressões, violência e supressão das liberdades civis.
O drama passasse entre 1890 e 1897, posterior ao Ultimatum Inglês, símbolo de vergonha nacional, em que o direito às possessões portuguesas em África, foi definido, não pela descoberta, mas pela efectiva ocupação e como tal em muito reduziu as possessões portuguesas em África, como consta no Mapa Cor de Rosa, imposto pela Inglaterra.
Foi representada pela primeira vez no teatro Dona Maria II, no dia 11 de Dezembro de 1897, interpretado como o momento e a maneira adequados de repensar o destino de Portugal, sob uma perspetiva provincial e, neste caso, de retratar os costumes alentejanos. Fizeram parte do elenco os nomes mais notáveis do teatro português da altura.
Se no século XV os portugueses descobriram novas terras e construíram um império; no século XIX, viram-se confrontados com o expansionismo britânico e redução das suas possessões africanas. É neste panorama que D. João da Câmara insere este drama numa aldeia do interior, neste caso Santa Luzia, (uma das duas freguesias do então concelho de Garvão) e refletir sobre a dificuldade de absorção e divulgação das novas ideias políticas e novos costumes do quotidiano, em particular pelas pessoas simples daquela região e de uma forma geral pela própria nação lusitana, assim, o enredo é elaborado sob uma perspetiva histórica saudosista, e a melancolia é o sentimento que pesa sobre os personagens.
São sete as personagens que movem a intriga, o velho Rebelo, tabelião retirado para a aldeia de Santa Luzia, muito religioso, é um miguelista saudosista do Absolutismo. Reside na sua casa com Nazaré, viúva do seu filho Manuel e a tia desta, a velha Maria do Ó, solteirona e beata que encontrou alguma comodidade junto da sobrinha depois de uma vida com dificuldades.
Rebelo tem “saúde gastada e idade decrépita” e com a morte do filho, encontrou na nora a compensação para que o desgosto, não lhe fosse fatal. O seu desgosto e a dor da sua solidão são substituídos pela presença de Nazaré, ela é a triste viuvinha do seu único filho Manuel, passados dois anos de casamento.
Nazaré é condenada à viuvez eterna pelo sogro, e pela comodidade de sua tia que tem medo de perder o bem-estar na casa de Rebelo e quando Nazaré lhe confidencia que quer casar outra vez, esta faz-lhe lembrar que: (…) há-de herdar do sogro, duas cerquinhas, um ferragial, belas herdades, montados, terras de pão, várzeas das melhores, casa de bom recheio, e para não deitar tudo a perder.
O Alferes, viúvo, vive com seu filho, João da Alegria, por quem Nazaré se virá a apaixonar.
João da CâMara tece um conceito de saudade, na personagem do velho Rebelo, quando ele impõe a presença da nora, retratada como viúva e assim, como símbolo do filho ausente. Ele sente alegria de ver a tristeza estampada no rosto dela, não se importa com a perda da sua juventude em prol dela se manter fiel ao falecido marido, faz questão que ela seja a triste viuvinha.
Na peça, João da Alegria, declama o seguinte poema:
Senhora de Santa Luzia.
Lavada do vento norte.
Quem nela tem seus amores?
Não pode ter melhor sorte,
COMO SE FOSSE SURDO, CEGO E MUDO.
Uma nova moeda de cinco euros foi lançada em comemoração dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o maior poeta de Portugal. A imagem de Camões na moeda tem gerado polêmica devido à sua estilização, que dificulta a identificação do autor de “Os Lusíadas”.
De facto, estamos perante um Camões sem orelhas, nariz e boca, como se fosse surdo, cego e mudo.
Para quem, na sabedoria popular é retratado como cego de um olho, mas via bem dos dois, aparece agora, quando não o conseguiram calar nem censurar em vida, calado e amordaçado.
O homem por detrás do mito, a intrigante vida do maior
poeta português que nasceu há 500 anos.
Em 2024, faz precisamente 500 anos do nascimento de Luís de Camões, o nosso maior poeta, data consagrada ao Dia de Portugal.
Portugal deve ser um dos poucos países do mundo, nem sempre notada ou valorizada, que, ao contrário da maioria dos países, tem o seu Dia Nacional baseado num Poeta, num Homem da literatura, e não num feito bélico, numa batalha, numa conquista, em derramamento de sangue, como celebram outros povos.
Isabel Rio Novo, nas sua Biografia de Camões, afirma: Camões é tão rico e inesgotável que tem conseguido ajustar-se a todas as épocas e prestar-se a formas diferentes e até opostas de instrumentalização. E depois, há nele aspetos que tocam muito na dita alma portuguesa, ou pelo menos nos temas que acalentamos na literatura e nas artes. O amor. A viagem. O desterro. A saudade. O oceano…
Camões é tão genial que resiste a tudo, até às más citações, até às banalidades, até aos aproveitamentos que fazem dele, até às visões redutoras. Sai sempre por cima. E isso tem a ver com uma espécie de genuinidade a que é difícil alguém ficar indiferente. Há qualquer coisa de fatal e de fascinante no homem de letras e de armas honrado, que não se verga diante dos caprichos da fortuna nem das desfeitas dos seus contemporâneos. O homem que não descrê do seu talento mesmo quando quase toda a gente parece ignorá-lo e mesmo que isso lhe provoque uma amargura indisfarçada.
Luís Vaz de Camões, filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá e Macedo, terá nascido por volta de 1524/1525, não se sabe exatamente onde, e morreu a 10 de junho de 1580,esteve preso duas vezes, perdeu o olho direito no Norte de África, embarcou para a Índia por castigo, viveu pobre e morreu na miséria, este homem, de barba ruiva, que tinha os nervos à flor da pele e era viciado no jogo, escreveu a mais extraordinária obra da língua portuguesa: “Os Lusíadas”.
Ainda, segundo, Isabel Rio Novo, o poeta viveu sempre de mão dadas com a má fortuna e que alguma vez tenha vivido em sossego, era instável, brigava com a maior facilidade, ardia sentimentalmente em várias chamas, muitas vezes por culpa própria, vivia em constante tribulação e foi detido pelo menos duas vezes.
As grandes mudanças na sua vida deveram-se a castigos, tal como em 1552, quando, após a procissão do Corpo de Deus se envolveu numa contenda, no qual terá puxado da espada e ferido um guarda do Palácio real. Foi detido na cadeia municipal do Tronco, em Lisboa, (onde hoje se situam as portas de Santo Antão).
Ali permaneceu nove meses até ter merecido perdão real. Há quem defenda que a agressão ocorreu porque o poeta se apaixonou por uma dama de condição muito superior, ou seja, um amor proibido.
Sabe-se também que a embarcou para a índia em 1553, que regressou à pátria em 1570, que editou “Os Lusíadas” a 12/03/1572, que morreu provavelmente vítima de peste, por volta de 1580 e que a mãe assistiu ao seu funeral e passou a usufruir da pensão anual de quinze mil reais que o Rei Dom Sebastião lhe tinha atribuído aquando da publicação do poema Épico.
À PARTE....
Mais uma oportunidade perdida, em Garvão, de se fazer uma exposição comemorativa desta data, não só pela figura de Camões, mas igualmente para promover a coesão social, o espírito comunitário, a convivência e a intercomunicação entre a população.
Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...