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Uma fotografia que mexe com muitas emoções.
Não se sabe quem é, nem onde foi tirada e muito menos quem retrata, mas tem o poder de nos sensibilizar, de nos captar a atenção, de nos pôr a pensar.
A inocência de uma criança, descalça, a dormir nas pedras frias da rua encostada à mãe.
Uma mãe, meia descalça, aconchegando o bebé ao colo.
Fotografia sem data. Produzida durante a atividade do Estúdio Mário Novais: 1933-1983. As Juntas de Província foram criadas pela Lei n° 1945 de 21/12/1936 e substituídas pelas Juntas Distritais pelo Decreto-lei n.° 42536, de 28 de Setembro de 1959. Estas instituições, com longa tradição no ordenamento jurídico português, tiveram competências alargadas, embora variáveis ao longo do tempo, nos domínios do ensino, assistência social e obras públicas. CFT003 068419.ic Less Photo by Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian on flickr

As fotos publicadas sobre a FAMÍLIA MALVEIRO em 1 de Junho de 2015, correspondem a José Malveiro e esposa Maria Antónia Pereira.
Casaram em Garvão, dia 24 de Janeiro de 1885.
Eram ambos Malveiros, por dois ramos diferentes, descendentes de António Malveiro casado com Leonor Lopes em 04-10-1692.
António Malveiro e Leonor Lopes foram pais de Manuel Lopes Malveiro e outros.
Manuel Lopes Malveiro casado com Perpéctua Jorge foram pais de António Malveiro casado com Tereza de Jesus, (ramo de José Malveiro) e de João Lopes Malveiro casado com Joana Guerreiro, (ramo de Maria Antónia Pereira) e outros.
(Ramo de José Malveiro)
António Malveiro casado com Tereza de Jesus foram pais de Francisco José Malveiro e outros.
Francisco José Malveiro casado com Joana Tereza foram pais de Maria do Espírito Santo e outros.
Maria do Espírito Santo casada com João António Guerreiro foram pais de José Malveiro e outros.
José Malveiro casado com Maria José foram pais de José Malveiro e outros
José Malveiro casou com Maria Antónia Pereira, (primos em sétimo grau).
(Ramo de Maria Antónia Pereira)
João Lopes Malveiro casado com Joana Guerreiro foram pais de Úrsula Tereza.
Úrzula Tereza casada com josé Francisco foram pais de João Malveiro e outro.
João Malveiro casado com Mariana Pereira foram pais de Mariana Pereira e outros.
Mariana Pereira casada com António Custódio foram pais de Maria Antónia Pereira e outros.
Maria Antónia Pereira casou com José Malveiro, (primos em sétimo grau)
José Malveiro, nasceu a 15-10-1860 e Faleceu ou foi sepultado em 21-3-1940 com 80 anos.
Maria Antónia Pereira, nasceu a 10/01/1866, e Faleceu em 4-9-1952 com 88 anos. (86 anos)
Foram pais de:
António Malveiro, (Malveiro III) nasceu 24-2-1886. Faleceu em 6-8-1955. Casou com Emilia Casimiro, foram pais de Natividade Malveiro e Mariana Antónia Malveiro.
Margarida Malveiro, nasceu 18-2-1888. Faleceu em 28-2-1906. Casou com Francisco Manuel, foram pais de Eugénio que faleceu com três meses.
Luís Malveiro, (Malveiro IV), nasceu 16-7-1890. Faleceu em 2-8-1962. Casou com Isaura Pires Raposo, foram pais de Graciete Malveiro, Domingas Pires Malveiro, Luíza Malveiro, José Luíz Malveiro, Artur Malveiro, Domingos Malveiro.
Artur Malveiro, (Malveiro V), nasceu 9-5-1896. Faleceu em 27-3-1981. Casou com Domingas Maria, e foram pais de Margarida Malveiro, Maria Antónia Malveiro, Elisa Malveiro, Marilia Malveiro.
Mariana Pereira Malveiro, (Malveiro VI), nasceu em 5-7-1900. Faleceu em 26-7-1925. Casou com Serafim e foram pais de Odília Malveiro.
José Malveiro, (Malveiro VII), nasceu em 18-10- 1902. Faleceu em 28-1-1986. Casou com Maria Guerreira, foram pais de Maria Inácia Malveiro, José Malveiro, Manuel Malveiro, Ana Malveiro, Emília Malveiro.
Maria José Malveiro, (Malveiro VIII), nasceu em 21-2-1906. Faleceu em 26-9-1981. Casou com Salvador Joaquim, foram pais de, José Salvador, Celeste Maria, Mariana Pereira Malveiro, António Damas Malveiro, Fernanda Malveiro e Ezequiel Malveiro
MALVEIROS IX - A ligação à Galiza
O meu agradecimento a Beatriz da Costa Reis Rodrigues, pela generosidade com que me autorizou a utilização de dados por si recolhidos.
Desafio de poetas em Garvão
No livro Sul e Sueste, de Joaquim da Costa, de 1940, consta a vinda de um poeta da cidade, António Gomes Leal, para um desafio de poetas na vila.
Segundo o mencionado livro, o encontro, realizou-se na hospedaria do Manuel Rosa e acompanhado de um farto jantar, onde o digno convidado, não se fazia rogado em elogiar as qualidades das meninas Rosas.
Entre os vários presentes, encontrava-se João da Graça, conhecido poeta da vila, alfaiate de profissão que defendeu as cores da terra, nesta contenda poética.
Aqui o poeta de Lisboa, depois de bem comido e bebido, voltando-se para uma das amáveis meninas Rosas, que serviam à mesa, recitou o seu soneto:
Alucina-me a cor! A rosa é como a lira,
A lira, pelo tempo há muito engrinaldada,
E é já velha a união, a nupcia sagrada,
Entre a côr que nos prende e a nota que suspira.
Se a terra, às vezes, cria flor que não inspira,
A teatral camêlia, a branca enfastiada,
Muitas vezes no ar perpassa a nota alada,
Como a perdida côr de alguma flôr que expira.
Há plantas ideais, dum cântigo divino,
Irmãs de oboé, gémeas do violino,
Há gemidos no azul, gritos no carmezim...
A magnólea é uma harpa etérea e perfumada,
E o cacto, a larga flor, vermelha, ensangüentada,
Tem notas marciais: soa como um clanim!
Os aplausos coroaram o fecho do soneto. O vinho espumava nos copos e a alegria comunicou-se a todos os presentes.
Chegou depois a vez do poeta João da Graça e dedicou os versos à filha por estar doente e vendo-a chorar, recitou :
Lágrimas vertidas
caídas
De uns olhos inocentes,
Não são lágrimas;
São estrelas cadentes,
Estrelas do céu desprendidas...
Cada uma delas
É mimosa flor
Que no meu peito se vem dispor
Hei-de cuidâ-las,
Hei-de regâ-las
Com igual pranto
Se o meu sentimento me chegar a tanto!...
Estes versos causaram sucesso, os aplausos foram muitos e calorosos e finalizaram o desafio com um abraço entre os dois poetas.
Surge no livro da Misericórdia e do Sagrado Espítito Santo de Garvão a denominação de um lugar denominado por Marateca, este lugar, segundo o mencionado livro, deveria situar-se junto à travessia da ribeira, senão fosse mesmo o lugar da própria travessia ou de alguma característica desse lugar, como se verá.
Surge, assim, na folha 122 verso:
Traslado d'Escriptura de Confissaõ de Divida Com obrigaçaõ de paga de proprio, e juros da quantia de vinte quatro mil reis, (...) que fazem Diogo Mendes Lopes d'Azevedo, e sua Mulher Catharina Maria moradores nesta villa, (...) sendo no anno de mil outo centos vinte e seis, aos quinze de Settembro a quantia de vinte quatro mil reis metalicos a razaõ de juro de cinco por cento por tempo de hum anno (...) no dia trez d'Outubro de mil outo centos vinte e quatro, (...) em especial hum quintal com arvores manças sito junto ao Lagar do Azeite nesta villa, foreiro ao Conselho desta mesma em outenta reis, e parte do Norte com dito Lagar, do Nascente com Largo, do Sul com Marateca, e do Poente com terra do Conselho.
O mencionado lagar de azeite, a qual parte do Norte, situava-se no actual Largo da Amoreira, nessa altura denominado por Largo do Lagar o qual parte do nascente, do Sul com Marateca, (seria a estrada que atravessa a ribeira) e no Poente com terras do concelho, (presume-se que seja, ou a própria ribeira ou algum talhão de terreno, como actualmente se observa a Norte da ponte).
Sobre a palavra Marateca não se tem encontrado nos vários diccionários de português antigo, qualquer referência credível a esta palavra.
Encontra-se uma designação de origem árabe: Marateca (Mar’a at-Taqia, mulher devota) e encontra-se igualmente uma lenda sobre uma moura raptada e que terá dito Mar-até-cá, quando chegou ao lugar actualmente conhecido por Marateca, no concelho de Palmela.
Contudo a palavra Marateca, encontra-se amiúde na toponomia portuguesa, seja no Norte como no Sul do país.
Todos eles têm em comum o facto de se situarem junto a cursos de água e mais concretamente com a actividade de recolha de materiais para construção, nomeadamente, areias e cascalhos.
Julga-se assim que o leito da ribeira, antes do nivelamento e da cobertura das margens e do leito à base de cimento, como se observa actualmente, a chamada placa, permitia a recolha desses materiais, cujo acesso era facilitado pela falta de ponte cuja construção é do início do século XX, (existe memória de uma ponte em madeira para peões, mas o trânsito de cargas pesadas de tracção animal e carroças, fazia-se pelo leito da ribeira).
Fazia-se assim a passagem entre as duas margens pela própria ribeira, cujo leito permitia a recolha das areias e cascalhos deixados pelas cheias invernais. Ainda nos anos sessenta do século passado, antes da construção, a Sul, da segunda parte do nivelamento da ribeira, junto à ponte do perú, no caminho para o furadouro, se observava a recolha de areão e burgau, pela população, para as mais variadas tarefas de construção.
José Júlio da Costa, O Famigerado Herói do Crime Grande da Estação do Rocio.
Fez, em 14 de Dezembro de 2018, cem anos, sobre o acto cometido por José júlio da Costa, natural de Garvão, que vitimou o presidente da República Sidónio Pais.
Falar do homem que matou um presidente da República não é fácil porque já foi quase tudo dito, ou pelo menos: onde nasceu e quando morreu, nome dos pais, nome da esposa, porque cometeu o atentado, (segundo as várias versões), com quem jantou, com quem falou, onde dormiu, que pistola tinha e pouco mais se adianta, como se um atentado desta natureza pouco mais tivesse de interesse.
Contudo a questão é muito mais complexa do que isso.
A história de José Júlio da Costa é uma história empolgante cheia de mistérios e enredos, de fugas, cabalas e maquinações que subverteram o estado de direito e o remeteram a uma prisão eterna sem julgamento.
Não faltam as conspirações políticas na história de José Júlio da Costa, nem os enredos policiais, nem as conjuras e intrigas político-partidárias, não foram só os acontecimentos do Vale de Santiago, pela Greve Geral que o comprometeram politicamente, não foi só a traição à sua República por Sidónio Pais, não foram só os arruaceiros de rua dos Democráticos que o empurraram a cometer o atentado, foram também os investigadores policiais que não prosseguiram com as devidas investigações, foi também o médico prisional, António José Furtado de Mendonça Boavida, que forjou um boletim clinico, foi também um procurador da República, Pais Rovisco, que o internou num hospital de malucos e o subtraiu ao julgamento.
José júlio da Costa, não era louco nem morreu esquizofrénico.
O estado de loucura interessava a muita gente e muita gente pactuou com esta cabala que o impedia de ter um julgamento justo e imparcial.
Afinal o que sabia e o seu depoimento em tribunal iria comprometer muita gente. Uns, os cabecilhas do reboliço da primeira república, enchiam agora a Assembleia Nacional do Estado Novo, outros, os arruaceiros de rua ao serviço dos partidos, preenchiam agora as vagas na nova policia politica.
Afinal a sua prisão logo no início da ditadura não foi por mero acaso. TAGS: O assassino de Sidónio Pais. A morte de Sidónio Pais, Quem matou Sidónio Pais. O homem que matou Sidónio Pais.
| Autor | José Pereira Malveiro |
| Título | José Júlio da Costa |
| Data da Publicação | Dezembro de 2018 |
| ISBN | 978-989-601-789-0 |
| Depósito Legal | 447578/18 |
| Idioma | Português |
| Formato | A5 |
| Tipo de encadernação | Capa mole - colado |
| N.º de páginas | 248 |
CENTENÁRIO
“O famigerado heroi do Crime Grande da Estação do Rocio”
FINAL e MORTE
de JOSÉ JÚLIO da COSTA
Parte 12 (de 12)
O “famigerado heroi do crime grande da estação do Rocio” morreu em 16 de Março de 1946, com a idade de cinquenta e dois anos, internado no Hospital Miguel Bombarda ao fim de vinte e oito anos de prisão, sem nunca ter sido acusado nem julgado do acto que vitimou Sidónio Pais.
O que eventualmente poderia depor sobre o seu percurso de militância politica na capital, no período anterior ao golpe de Sidónio Pais, junto de companheiros que anos depois estavam nas fileiras da nova policia politica; os incitamentos e influências que o motivaram para cometer o atentado; os complots que se sucederam e culminaram na sua libertação pela “noite sangrenta”; quem o protegeu e sustentou durante os anos seguintes; o seu conhecimento sobre os tramas que se conspiravam nos bastidores dos partidos políticos; sobre as convulsões porque passou a República, comprometia muita gente que agora fazia fileira no novo regime do “Estado Novo”.
De facto o depoimento de José Júlio da Costa em julgamento não interessaria a muita gente saída dos meios revolucionários pré Sidonistas e pós 28 de Maio e que engrossavam agora as fileiras do “estado novo”. Se a nova Assembleia Nacional 1 se enchia agora dos cabecilhas e dirigentes partidários recentemente convertidos ao novo regime: a nova tropa de choque; a polícia politica, os informadores e demais denunciadores saíram dos arruaceiros de rua que caracterizaram a primeira republica e que já Sidónio Pais tinha ensaiado na sua nova polícia politica.
O diagnóstico de esquizofrenia interessava a todos e todos pactuaram com essa desculpa que justificava o seu aprisionamento sem ser julgado em tribunal e o impediu de divulgar o que sabia.
Segundo João Paes, neto de Sidónio Pais 2 , “Ele foi protegido, sem sombra de dúvidas, é inconcebível que um assassino de um presidente da república não seja julgado, não seja condenado e posto simplesmente em prisão preventiva como se estivesse em banho maria á espera que se fizesse qualquer coisa”
Fruto dos tempos, espírito arrebatado, assanhado ou encarniçado, José Júlio da Costa irradiava poder, perturbava espíritos, sublevava emoções e alimentava esperanças. José Júlio da Costa nasceu com o republicanismo entranhado nas costas, com a obsessão dum revolucionário dividido entre a mera existência e a auto-afirmação, entre a liberdade que advoga e a tirania que repudia, imagina-se como sendo ele próprio o salvador, numa escalada mental que o leva à auto-alineação.
Mas poder-se-á ignorar a sua capacidade intelectual? Não estaria de facto letrado nas obras de autores como Tolstoi, Darwin, Nordau, Teófilo Braga, Buchner, Kropotkine, Malatesta ou Sebastião Faure? Poder-se-á ignorar o seu percurso de combatente republicano e descarta-lo como louco? Afinal pela implantação da Republica não estava ao lado de Machado Santos, na Rotunda, com apenas dezasseis anos? Não foi afinal como voluntário combater a rebelião em Timor em 1911? E os Alemães em Angola em 1914? Não se ofereceu inclusivamente para combater na Grande Guerra? Poder-se-á igualmente ignorar os contributos que deu como militar e civil para a consolidação da Republica? Afinal o que será preciso para alguém ter o reconhecimento devido? Com um percurso destes, na sua mente, claro que se pode dizer que se sentia mandatado para eliminar os traidores à «sua» Republica.
A morte grande da Estação do Rossio ficará para a história como um acto violento perpectuado contra o presidente da República da altura, mas poderia este caso ter acontecido sem a degradação moral, política e das instituições a que chegou a sociedade portuguesa? A primeira República será recordada como um período de governos instáveis e efémeros, de golpes violentos, de forte bulício político e extremação de emoções partidárias que permitiu o surgimento tanto de ditadores como de vingadores.
José Júlio da Costa, preso, desesperava pela revolução que lhe quebraria as amarras da prisão e o colocaria no mais alto pódio dos heróis nacionais; por ter livrado o país de um ditador; por devolver o governo aos democráticos; por ter apressado o retorno dos militares que lutavam em França durante a Grande guerra, por tudo isso e muito mais, não viu o seu feito ser projectado para o patamar do reconhecimento nacional.
José Júlio da Costa poderá não ter o devido reconhecimento que esperava, mas também não se poderá ignorar o cariz do ditador que abateu, se Sidónio Pais inaugurou a génese de um sistema politico que caracterizou o século XX, com as graves consequências por demais conhecidas, então também o gesto épico de José Júlio da Costa e o seu lugar na história terá de ser reconhecido.
In: José Pereira Malveiro, José Júlio da Costa - O Famigerado Herói do Crime Grande da Estação do Rocio, Garvão, 2018.
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