quarta-feira, 14 de julho de 2021

LUTAS LIBERAIS Garvão na rota do Duque de Terceira

Pela guerra civil Portuguesa que opôs Liberais e absolutistas.

Mapa do trajecto das forças Liberais comandadas pelo Duque de Terceira, Garvão em 15 e 16 de Julho de 1833.

(In História de Portugal, volume III, de A.H. de Oliveira Marques).

          Com a promulgação a Carta Constitucional em 1826, não tardou em o conde de Vila Flor, (mais tarde Duque de Terceira), nomeado governador das armas da província do Alentejo, a ver-se obrigado a reprimir algumas insurreições militares que se levantaram no Alentejo a favor do absolutismo, o mesmo se passava no Algarve onde as guarnições militares se agitavam no mesmo sentido.

           Com o regresso de D. Miguel a Portugal em Fevereiro de 1828, D. Miguel jura novamente a Carta Constitucional. Porém, depressa, trai o compromisso assumido com os liberais, dissolve as Câmaras e convoca as cortes à maneira antiga onde é proclamado, pelos três estados do reino, rei absoluto.

           A reação liberal e anti-miguelista depressa é abafada, com a fuga de milhares de liberais para o estrangeiro e os que ficam são alvo do terror miguelista; muitas são sumariamente executadas outras são presas ou degredadas.

            Estando o governo e o país na posse dos Miguelistas, restava aos liberais os Açores, que Vila Flor, tinha vindo paulatinamente a conquistar e a cidade do Porto, cercado e sobre forte pressão das forças absolutistas.

            A 8 de Novembro de 1832, D, Pedro promoveu o Conde de Vila Flor a Duque da Terceira.

            As forças liberais sentiam-se impotentes para romper o cerco à cidade do Porto. Para desbloquear este impasse propôs-se uma expedição ao Algarve, sendo escolhido para seu comandante o agora Duque da Terceira. A expedição saiu do Porto a 21 de junho de 1833 e a 24 desembarcava numa praia entre Cacela e Monte Gordo.

          Enquanto as forças Miguelistas, comandadas pelo General Molelos, corriam para defender a cidade de Beja, julgando este ser este o objectivo do Duque de Terceira antes de se dirigir para a conquista de Lisboa, marchava o Duque da Terceira, a 13 de julho, animado pela recente vitória naval do Cabo de S. Vicente, de S. Bartolomeu de Messines para S. Marcos da Serra, a 14 saía dos limites do Algarve e entrava no Alentejo, chegava dia 15 de Julho de 1833, a Garvão, onde descansou e no dia 17 estava em Messejana.

           O Caminho seguido pelo exército liberal terá seguido pela antiga Estrada Real do Algarve, um dos caminhos mais rápidos para chegar a Lisboa, sobre a estadia em Garvão, ainda nos anos sessenta do século passado se falava na presença de militares na Quinta da Estação de Garvão.

          Segundo os relatos oficias das movimentações militares:

No campo de Gravão [Garvão] me foi confirmada a noticia dos acontecimentos de Béja, sabendo que o Visconde de Mollelos instruido em Messejana da revolta daquella Cidade contra o governo intruso, e da pequena força que alli se achava, marchára sobre Beja, que a referida pequena força evacuou á primeira noticia da sua marcha , e occupava aquella Cidade, onde as suas tropas tinhão cometido os maiores horrores, e onde se lhe devião unir alguns reforços avultados. [1]

No mesmo dia 3 de Julho vim no conhecimento de que o General Mollelos se tinha retirado por S. Martinho das Amoreiras até Gravão, onde convergem as estradas, que vem do Algarve por Almodovar e Ourique, e por Santa Clara, a ultima das quaes o  inimigo  tinha  devastado  na  sua  passagem  com  huma  barbaridade verdadeiramente atroz. [2]

No dia 7 de Julho, estando efectivamente prompta a maior parte dos meus meios, e dispondo-me eu definitivamente a penetrar no Além-Téjo pela estrada de Almodovar por me constar que o inimigo tinha as suas forças em Messejana, Gravão e Castro Verde, recebi a noticia da completa derrota, e captura da Esquadra rebelde pela Esquadra de Sua Magestade.[3]

No dia 13 marchei de S. Bartholomeu sobre S. Marcos, em 14 estabeleci o Campo junto a Santa Clara, o em 15 junto a Gravão, onde fez alto a Divisão por todo o dia 16 para reunir a artilheria de Campanha e os foguetes que vinhão huma marcha na retaguarda.[4]

Marchámos sobre Garvão, sem encontrar o inimigo, porque nos não esperava em posição alguma. Alli cahiram doentes muitos soldados e officiaes, entre estes meu cunhado D. Manuel da Camara, com umas sezões terríveis que davam grande cuidado ao facultativo. O General mandou-o conduzir para Odemira por uma guerrilha, com grande risco de ser aprisionado.

Continuámos a marcha sobre Messejana e chegámos alli de tarde, encontrando uma força inimiga que estava em observação do nosso movimento.[5]

[1] In: Resumo Official das Operações da Expedição as Ordens do Excellentissimo Duque da Terceira, desde o seu desembarque no Algarve, até á sua definitiva entrada em Lisboa

[2] Idem

[3] Idem

[4] Idem.

[5] In: Memórias: Expedição do Algarve, Junho e Julho de 1833 (capitão Marquês de Fronteira)

quarta-feira, 7 de julho de 2021

SEARA DE VENTO









De Manuel da Fonseca

             O Escritor Manuel da Fonseca, um dos maiores nomes literários do Alentejo, publicou o romance neo-realista Seara de Vento em 1958, sobre o acontecimento verídico que ocorreu na aldeia da Trindade, facto marcante para a população e de inspiração para o seu livro, o assassinato de António Dias Matos, operário agrícola, no lugar de Cantinho da Ribeira.

           Seara de Vento, obra famosa pela apreensão de aspetos da vida dos camponeses no plano da ficção, em que o tratamento da antinomia cidade-campo é bem diverso do uso tradicional. A obra, dentro da estética neo-realista, é ainda notável porque nela o próprio sentimento da morte passa a segundo plano em face de uma realidade social insustentável do ponto de vista humano. Mas não apenas na temática o neo-Realismo introduziria inovações na estrutura tradicional do romance. Também no modo de apresentar as personagens, talvez por influência da técnica de montagem cinematográfica, elas se apresentam a si próprias, pelo método implícito ou dramático.

         Seara de Vento é, sem dúvida, uma das obras literárias portuguesas mais bem conseguidas do século XX. O seu valor está longe de ser estritamente documental ou de mera erudição para os que estudam as correntes literárias mais importantes da escrita ficcional portuguesa do século passado.

          Na verdade, Seara de Vento vale, em simultâneo, pela sua temporalidade e pela sua intemporalidade. em Seara de Vento, Manuel da Fonseca descreve um episódio ocorrido em 1932, numa aldeia do concelho de Beja. O assassinato de António Dias Matos, operário agrícola, pelas autoridades.

         Seara de Vento é a demonstração viva de um cenário de fome, humilhação e privação nos campos do Sul de Portugal na primeira metade do século XX e é exemplarmente retratado por Manuel da Fonseca.

            Manuel da Fonseca trabalha a palavra com mestria, criando tipos psicológicos interessantíssimos. Neste quadro avulta a sogra de António (na narrativa, o Palma), Amanda Carrusca: símbolo de uma saudável desconfiança em relação aos senhores da terra e de uma dignidade humana profunda contra a sua condição de profunda privação e miséria. Mas Amanda Carrusca provavelmente, a personagem com o perfil psicológico mais trabalhado não é apenas o símbolo do Alentejo do início dos anos 30, o Alentejo da fome e da miséria. Ela é a simbologia de um operariado que ainda não tinha aprendido a confiar em si mesmo na luta contra as injustiças. Ao contrário, a neta Mariana é a porta-voz de um dado novo nos campos alentejanos: as reuniões às escondidas na vila.

          Esta é a grande lição de intemporalidade conferida por Manuel da Fonseca à sua obra, uma obra, diga-se, perversa e marginalmente esquecida pelos media de referência controlados pelo grande capital. O condenar dessa obra magna ao esquecimento pela intelectualidade burguesa ignorante, pretensiosa e arrogante reflete precisamente o carácter temporal/histórico e simultaneamente intemporal de Seara de Vento.

BADANELA







Local do Arzil

             Ao se consultar os mapas antigos referentes à vila de Garvão ou em torno da área do extinto concelho, deparamo-nos com denominações de lugares que nos leva a ponderar sobre a origem desse vocábulo.

              A busca da origem ou significado de certas denominações, por vezes encontra barreiras para o seu devido entendimento, quando o paradigma estudado é essencialmente latinista e cristão, embora, já se observe nos meios académicos, alguns estudos obre outras fontes, nomeadamente sobre os povos e as respectivas línguas que se falavam na Península Ibérica anteriores à ocupação Romana.

              Segundo Ana Margarida Arruda, a investigação sobre a época pré-romana servia apenas uma historiografia de pendor marcadamente nacionalista, que procurava quase exclusivamente as evidências arqueológicas dos «primeiros heróis nacionais», os Lusitanos.[1]

               Por outro lado, nunca será demais recordar que esta invisibilidade foi também decorrente do reforço de uma postura ideológica de cariz marcadamente nacionalista, ditada por um cenário político de contornos ditatoriais nascido em Portugal com a implantação, em 1928, do que veio a chamar-se «Estado Novo». Com efeito, o marasmo que, entre os anos 30 e 80, atingiu a investigação arqueológica no âmbito da Idade do Ferro orientalizante deve relacionar-se com um conjunto de razões de âmbito sócio-político, que determinou o sentido dos trabalhos publicados.[2]

              Outra questão é a possibilidade de se conseguir ainda hoje descortinar algumas palavras cuja origem remonta a esses tempos? Já no século XIX o Cardeal D. Francisco de S. Luiz Saraiva, publicou um trabalho intitulado "Glossário de Vocábulos Portuguezes Derivados de Línguas Orientaes e Africanas Excepto a Árabe". Os estudos de autores mais recentes apontam igualmente nesse sentido.

               Por outro lado, tanto a conservação na toponímia, como no linguajar comum, de formas verbais pré-romanas que foram sistematicamente objeto de latinização e apesar da sua perdurabilidade, nem sempre se consegue descortinar a raiz da palavra em questão, ou porque a deturpação é tal que se presta a várias interpretações, ou não há, de facto, uma unanimidade nos meios académicos para o seu significado.

               Teremos assim, para o estudo de certos vocábulos que se usa atualmente na língua portuguesa, de procurar não só na herança Romana e Árabe, mas igualmente nas línguas germânicas, celtas, fenícias ou orientalizantes, assim como nas primitivas línguas Ibéricas.

              Existe atualmente toda uma série de palavras, divulgadas por certos autores que se conseguem identificar com esses povos que em diversas épocas habitaram a Península Ibérica.

               Sobre o significado de certas nomeações topográficas em Garvão, em artigo anterior examinou-se o vocábulo Andorde referente ao “Pego D´Andorde”, na base do Cerro do Castelo e do Santuário da idade do ferro, relacionado com Adónis[3], contudo abundam outras denominações cuja explicação se torna igualmente difícil, nomeadamente o local da Badanela e o Barranco da Badanela, na Herdade do Arzil, em Garvão.

               Existe igualmente noutras localidades, nomeadamente a Ribeira da Badanela em Ponta Delgada, a Safra da Badanela em Nisa, ruas da Badanela, em Viseu e em Monte Real, Leiria, e em vários locais na Galiza, assim como a variante Madanela.

              A explicação mais lógica seria derivar de badana de animal ou pele de animal de má qualidade, mas devido à enorme concentração de vestígios pré-históricos e cerâmicas romanas nas proximidades e ser um lugar abundante em água, teremos de considerar igualmente outras explicações.

              Existe uma certa tendência para os locais denominados por Badanela ou Madanela, se encontrarem em locais relacionados com água ou colheita, é o caso do Arzil, local de uma antiga lagoa, ou safra[4] da Badanela, Ribeira da Badanela e as várias praias na Galiza denominadas por Madanela.

            Segundo a informação disponibilizada em Arqueotoponimia, Toponimia Preromana, hdronimia paleoeuropea, etnografia, megalitismo y arte rupestre, de 30 de diciembre de 2012.

                Madanela, con 60 ocurrencias registradas en la base de datos de Toponimia de Galicia, 95 si contamos los topónimos Madalena en los que se ha operado transposición silábica, es diminutivo de meda, término con el que se designa principalmente al almiar, o montón de heno (medeiro). También se aplica a elevaciones del terreno (Cabezo da Meda) y a túmulos megalíticos "usque in mamoa da meda" (año 1130). Estas medas o elevaciones solían utilizarse, por su visibilidad, como limes territorial. El sustantivo madanela es, por outra parte, como diminutivo de meda, "montón cónico", un candidato perfecto para explicar el nombre que reciben los dulces llamados madalenas.

                Respecto al nombre Magdalena que tienen varias playas de Galicia (Cedeira, Cabanas), por el que me pregunta un conocido: todas ellas son, por supuesto, madanelas, formaciones dunares costeras que en otros lugares como Canarias o Portugal se conocen con otro derivado de meda, médano o médão.


[1] Ana Margarida Arruda. Fenícios e Púnicos em Portugal Problemas e Perspectivas. Lisboa, 2008. P. 13.

[2] Idem, ibidem.

[3] Embora seja geralmente associado à mitologia grega, Adónis teve origem na mitologia fenícia, na região da actual Síria. Na Bíblia, Ezequiel faz-lhe referência usando o nome semita de Tammuz. Crê-se que próprio nome ‘Adónis’ tenha origem na palavra Adonai, palavra hebraica que significa ‘Meu Senhor’.

[4] Safra: Período do ano em que se faz a pesca de determinada espécie

domingo, 4 de julho de 2021

PEGO D´ANDORDE





Barco no pego D´Andorde no ano de 1947

           Raramente nos debruçamos sobre o significado do nome de certos locais que ao longo dos anos conhecemos, localizamos e frequentamos.

             Contudo se o nome porque denominamos esses locais na actualidade, não tem um significado aparente aos olhos de hoje, terá tido, com certeza, uma razão aquando da sua nomeação, mas que cujo significado hoje desconhecemos apesar de, por vezes, se continuar a assistir a uma continuidade de certas praticas remotas.

           Porém, convém realçar que tem de se olhar com algum cuidado, quando se tenta encontrar uma explicação satisfatória, para a nomeação de tantos lugares e expressões que hoje desconhecemos.

             No mundo Celta, certos pegos nas ribeiras, poços e fontes de água eram locais sagrados e de peregrinação, como se observava no Pego do Sino junto ao Castro da Cola, onde as populações locais, até aos anos sessenta do século XX, lhe atribuíam propriedades curativas e se banhavam para curar alguma maleita que os atormentava, de notar que a raiz da palavra sino se encontra igualmente em Sintra, a montanha da lua e no monte Sinai com o mesmo significado, monte da lua.

            Igualmente em Garvão e em referência aos locais sagrados junto a cursos de água encontra-se o Pego Dandorde ou D´Andorde, na base do serro, (denominado Castelo), onde supostamente se situava um santuário pré-cristão e em cuja encosta se localiza o Depósito Votivo, (local onde o enorme número de oferendas, no santuário, eram guardados).

             Este pego D´Andorde, local que ainda na primeira metade do século XX era local de visitas/recreio da população de Garvão, (havia inclusivamente um barco), no inicio da Primavera, reverte, obviamente, para um período anterior em que este pego se revestia de alguma sacralidade senão mesmo peregrinação que se perpetuou no tempo e cuja memória local o associa como local de prazer e de recreio atá aos anos cinquenta/sessenta do século passado. 

              Sobre a origem da palavra D´Andorde, poder-se-á tecer várias considerações, contudo o mito em torno do deus grego Adónis; por ser de origem fenícia; por ser uma palavra semita Adonai, que significa “senhor” ou “deus” e por esse culto se encontrar igualmente na Península Ibérica, teremos de colocar esta palavra como uma das hipóteses que eventualmente terão degenerado em Andorde.

         De acordo com a mitologia grega, Adônis era um jovem de extrema beleza que nasceu de relações incestuosas, mais tarde passou a despertar o amor de Perséfone e Afrodite. O culto de Adónis era celebrado em toda a Fenícia e, especialmente, em Biblos. Os devotos do culto a esta divindade plantavam pela Primavera os chamados “Jardins de Adonis”, cujo objetivo era de simbolizar a renovação da natureza. Adônis tornou-se o simbolo da vegetação que morre no inverno e se renova na Primavera.

          Nos antigos festejos da primavera, (hoje denominados 1º de Maio, dia do trabalhador), esse tipo de espírito da vegetação era geralmente representado junto a árvores, fontes e outros lugares sagradas e por dançarinos e dançarinas vestidos e adornados com motivos florais; folhas verdes, ramos e flores, encarnavam o espirito da vegetação, da renovação da vida depois dos meses de trevas do Inverno.

A COMENDA DE GARVÃO








Propriedades da Comenda 

            No Livro da Misericórdia e do Sagrado Espirito Santo de Garvão tomamos conhecimento da existência da Comenda da vila de Garvão e propriedades pertença desta.

          Assim na folha 14, referente às confrontações da herdade do Arzil, “… cuja Erdade parte por huma parte com terras da Capela da Coroa e chamada de Anal, e com terras da Xarneca que são de Conselho desta Vila e com a Erdade de Orta das Masans que hé da Comenda desta Vila e com terras da Erdade de Val de Inxares de baixo de Dom Sebastião Maldonado, e por outra que hé pelo Nascente com terras do mesmo Dom Sebastião e com farrigial dos Erdeiros de Manoel Fernandes de Val de Inxares, e com terras de Dona Maria Bernarda de Odemira”

            Na folha 22, referente à Courela do Maó páso, “…. e confronta a dita courela com a Erdade do pixouto, e a Erdade de Carvalheira de baixo e terras da Comenda e ribeira que vem das Amoreiras”.

             A origem das ordens militares, criadas no século XII, está associada às cruzadas e à Reconquista cristã da Península Ibérica. Caracterizam-se como braços armados da cristandade. Os seus cavaleiros deveriam seguir uma vida regrada pelas leis cristãs, assim como os monges, com votos de castidade, pobreza e obediência.

           A Ordem de Santiago, criada em 1290, cuja administração, denominada de Mestrado, estava sob a responsabilidade do mestre e era de facto, conjuntamente com as outras ordens militares em Portugal, o braço armado da Coroa portuguesa.

            Durante a reconquista, entre os vários funcionários públicos do concelho, constava o cargo de Alcaide, (do árabe al-qā'id, «o líder») com responsabilidade não só na defesa da povoação e do território, mas igualmente, como chefe das forças militares do concelho, cavaleiros, peões e besteiros, tinha a responsabilidade de organizar os fossados em terras inimigas.

              O Alcaide vivia geralmente no Castelo com a sua família, tendo igualmente a responsabilidade na sua conservação, e apesar de não responder perante o concelho, pois era de facto nomeado pelo rei, era-lhes contudo concedido terras na área do concelho para rendimento e uso próprio.

           Com o decorrer do tempo, findas as guerras com os muçulmanos, perdeu o seu carácter bélico e tornou-se gradualmente um mero magistrado judicial de nomeação régia o que causava várias dissabores entre os vizinhos concelhios, levando os procuradores dos municípios às Cortes a se queixaram ao monarca dos abusos cometidos pelos alcaides, tendo o rei então nomeado um outro alcaide, designado por alcaide menor, entre os homens-bons (vizinhos) do concelho, para vigiar a actividade do alcaide, entretanto re-designado alcaide maior.

            Ao longo dos séculos, diversas reformas foram esvaziando de poderes desta magistratura, tornando-a meramente honorífica. A distribuição de comendas foi uma importante ferramenta para que os monarcas portugueses conseguissem mais serviços de vassalagem da aristrocacia  com relevância no rendimento desta e no processo de concentração linhagística nas mesmas.

           De facto em Comendas das Ordens Militares na Idade Média, Actas do Seminário Internacional Porto, 3 e 4 de Novembro de 2008, nomeia vários titulares da comenda de Garvão da família Mascarenhas, de bisavô para bisneto e na família Moniz de pai para filho.


Fernão Martins Mascarenhas I, comendador

da Represa e Garvão, Comendador mor e

pertencente aos Treze na Ordem de Santiago,

pelo menos desde Janeiro de 1422 . Veio mais

tarde a ascender à Comenda mor desta milícia,

(Ordem de Santiago), tendo exercido estas

funções entre os anos de 1440 e 1454.

Era filho de Martim Vaz Mascarenhas Ide Évora. P.163


Fernão Martins Mascarenhas I, foi pai de

Martim Vaz Mascarenhas II, agraciado por

seu pai com a comenda de Aljustrel, a

31 de Janeiro de 1444. P. 173


Dos filhos de Martim Vaz Mascarenhas II, refira-se

Álvaro Mascarenhas II, comendador de Samora Correia

e membro dos Treze na Ordem de Santiago, que

casou com Mécia de Vasconcelos, filha de Vasco Pereira,

de quem herdou a referido comenda.

Desta união nasceu Luís Mascarenhas , que veio a receber

o hábito na Ordem de Santiago a 17 de Maio de 1510.

Mencionado como comendador de Garvão, Arrábida

e Belmonte na Ordem de Santiago. P.173


Mais informa a referida publicação, na página 180.

Sucedeu a Fernão Martins Mascarenhas na

administração da comenda de Garvão Vasco

Martins Moniz e em seguida, seu filho Cristóvão Moniz.


Surge igualmente na página 102 uma disposição do Mestre da Ordem de Santiago:

O Mestre estabelece o prazo de um ano para que na Igreja de

Garvão houvesse um missal , cortinas e armários.

(Se nesta igreja só foi apontada a falta de um missal, já em

Ourique, no ano de 1511,  foi sublinhada a falta de

outros livros, como foi o caso, por exemplo, de dois mis-

sais do costume de Évora e de um Domingal.

(IAN/TT., Ordem de Santiago, Códice nº 183, fl. 105).


        Quando da extinção do concelho de Garvão, pelo Decreto de 6 de Novembro de 1836, era comenda dos Condes de Basto.

           Assim, esvaziado das suas funções iniciais, o alcaide da reconquista, dará lugar ao comendador nos séculos seguintes, cargo honorífico com que o rei procurava agraciar os nobres, cavaleiros e aristocracia em geral. No século XVIII D. Maria I procurando sanar o aumento do número de concessão de hábitos e o consequente desprestígio que as ordens adquiriram, institui uma hierarquia nas principais Ordens do Reino,  Cristo, Aviz e Santiago, criando, para além dos já existentes cavaleiros, os comendadores e grão-cruzes, que perfaziam uma ordem hierárquica. Com isso, enquanto a Coroa podia continuar a distribuir em profusão os hábitos de cavaleiros, a nobreza poderia resguardar para si títulos distintos e mais valiosos hierarquicamente: de comendadores e grão-cruzes, o que permitia a Coroa angariar muitos serviços sem desprestigiar por completo as ordens. 

                Estes cargos, mediante compensação financeira, eram concedidos inclusivamente àqueles que não tinham condições para serem cavaleiros, aqueles que nela investissem garantiam para si e para seus filhos o direito de requerer o hábito de comendador. Quando a comenda era concedida, o agraciado deveria investir-se do hábito. Este era a insígnia que tornava possível a exibição no ambiente social do símbolo distintivo. Constituía-se de manto e medalhas da ordem à qual o cavaleiro pertencia. Com a reforma de D Maria I, foram instituídas distinções entre as medalhas e mantos de cavaleiros, comendadores e grão-cruzes.   

             Dos vários factores que terão contribuído para que indivíduos pertencentes à nobreza, procurassem ingressar nas Ordens Militares, são de salientar, entre outros, os seguintes:

          - A fragmentação da propriedade decorrente das partilhas igualitárias, praticada pelo menos até finais do séc. XIV, que contribuiu para a diminuição dos recursos que os diferentes beneficiados poderiam usufruir;

           - A institucionalização do morgadio, que por impossibilitar a divisão do núcleo patrimonial, determinava que apenas o filho primogénito varão fosse o único beneficiário, ficando os restantes herdeiros cerceados, muitas das vezes, de meios de subsistência;

          - A subida ao poder da Dinastia de Avis, e a entrega da administração das Ordens Militares aos Infantes que levou, muitos sectores da nobreza a olhar para o ingresso nestas instituições como uma possibilidade de aceder a cargos e a dignidades de relevo, aos centros de decisão – a Corte – e à principal fonte do poder – o Rei.

            - A possibilidade de quem ingressava nestas instituições poder dar continuidade a uma das suas principais funções – a guerra –, orientada para luta contra o Infiel, inimigo do nome de Cristo;

           - As reformas de que foram alvo algumas destas instituições – Avis e Cristo – que ao isentar os seus freires cavaleiros do voto de castidade, as tornou mais atractivas a determinados sectores da sociedade que viam nestas restrições um entrave de peso, para nelas ingressar;

      - E o acesso a novas fontes de rendimento, e a possibilidade de administrar, muitas vezes a título vitalício, vastas áreas geográficas pertencentes a estas instituições – ou seja, as Comendas.


O CIRCUITO ARQUEOLÓGICO DA COLA

ENQUADRAMENTO  LOCAL

           O Castro da Cola, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1910, traduzindo assim a sua importância em termos nacionais. Difere dos restantes itinerários arqueológicos devido à forma como foi planificada a sua promoção e organização da visita, já que abarca circuitos, que conduzem o visitante a diversos pontos de interesse turístico.

             Situa-se no interior do Baixo Alentejo, mais exactamente no concelho de Ourique, num território onde o Rio Mira e as suas margens abrigaram populações desde os tempos mais remotos, desenvolvendo actividades ligadas à agricultura, as quais estabeleciam um ténue contacto entre a terra e o rio que fertilizava  “uma zona pouco povoada, onde algumas aldeias dispersas pelo território (o Castro da Cola foi uma delas até ao século XIII) organizaram o povoamento” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 9). Neste contexto destacam-se as pequenas explorações agrícolas complementadas com pequenas casas, formando o tão conhecido monte alentejano.

         Integram este circuito um conjunto de quinze sítios:

Fernão Vaz 1 - Neo-Calcolítico (Monumento Funerário Megalítico);

Fernão Vaz 2 - Neo-Clacolítico (Monumento Funerário Megalítico);

Cortadouro – Idade do Ferro e época indeterminada (Povoado);

Nora Velha 1 - Neo-Calcolítico, com reutilizações nas Idades do Bronze e Ferro (Monumento Funerário Megalítico);

Alcaria 1 – A e B - Idade do Bronze (Necrópole e estrutura associada);

Alcaria 2 - Idade do Bronze (Necrópole);

Atalaia - Idade do Bronze (Necrópole);

Fernão Vaz - Idade do Ferro, com uma ocupação posterior Medieval/Islâmica (Povoado);

Porto das Lajes - Idade do Ferro (Povoado);

Fernão Vaz - Idade do Ferro (Necrópole);

Casarão - Idade do Ferro (Monumento Funerário);

Pego da Sobreira - Idade do Ferro (Monumento Funerário);

Vaga da Cascalheira - Idade do Ferro (Necrópole);

Nora Velha 2 - Idade do Ferro (Necrópole);

Castro da Cola - Neolítico até à Época Medieval (Povoado).

            Este sítios ilustram diversas épocas e revelam a evolução humana ao longo dos tempos, numa área onde o clima era seco e no qual a água era um bem precioso e raro. Os pontos de interesse inseridos no itinerário arqueológico encontram-se dispersos em torno de um deles, que dá o nome ao próprio Circuito – o Castro da Cola.

           O CIRCUITO ARQUEOLÓGICO

           O circuito possui quinze pontos de relevância (já referidos), mas nem todos estão disponíveis para o visitante comum, devido aos difíceis acessos. Deste modo, o IPPAR pretende adquirir, num futuro próximo, um jipe para colmatar tais dificuldades, garantindo assim o acesso a todos os sítios mesmo os mais complicados como é o caso da Alcaria de Fernão Vaz, ainda não disponível ao comum turista/visitante.

           Face ao exposto, passaremos a descrever somente o que nos foi possível visitar – o Castro da Cola, ou seja o ponto central. Mesmo aqui encontrámos inúmeras dificuldades, nomeadamente a própria leitura (imediata) das ruínas dada a existência de inúmeras ervas que coabitam, descontroladamente, com os vestígios, pouco perceptíveis aos olhos do turista.

           PRECARIEDADE DO PERCURSO E SINALÉTICA EM DIFÍCIL ACESSO

          O difícil acesso e a deficitária leitura das placas dispostas pelo Castro da Cola, quase inviabilizam a compreensão do sítio. Torna-se imperativo o acompanhamento efectivo de um guia para que seja possível usufruir do local.

         O PERCURSO E AS PLACAS EXPLICATIVAS NO CASTRO DA COLA.

          As placas explicativas apresentam a mensagem principal escrita apenas em português. Os desenhos referentes ao que se está a visualizar no terreno não são de fácil apreensão, devido à projecção de números que identificam os compartimentos do Castro, o que poderá conduzir a umas interpretações desajustadas.

            INTERVENÇÃO E  MUSEALIZAÇÃO

           O Castro da Cola,  “foi um dos sítios arqueológicos portugueses que primeiro despertou a atenção dos antiquários” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 7). Foram muitas as investigações realizadas neste terreno. No entanto, recorda-se a primeira escavação efectuada, a qual  “deve-se a Abel Viana (...) ao longo de muitos anos, e em condições (...) de uma extraordinária  dificuldade e de grande sacrifício pessoal, este investigador, notável pela sua capacidade de compreensão da realidade humana em que trabalhava (...) escavou o castro e vários monumentos ao redor” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 7).

            Este investigador foi o impulsionador da descoberta e posterior inventariação das peças recolhidas. A sua obra foi continuada pelo arqueólogo Caetano de Mello Beirão o qual, na década de 70, realizou descobertas importantíssimas sobre a Idade do Ferro. Pode-se, pois, afirmar que  “a este arqueólogo se deve a primeira ideia de um parque arqueológico, hoje materializada no Circuito Arqueológico da Cola.” (IPPAR - Roteiros da Arqueologia Portuguesa: 2002; 7)

             Deste projecto a maior intervenção realizada consistiu na construção do Centro de Acolhimento e de Interpretação e no planeamento de um circuito delineado em pontos arqueológicos de indiscutível interesse. Todas estas intervenções ajudaram na concretização dos principais objectivos que fundamentam a definição actual do  Museu-Território.

               OS  VISITANTES

           Em reposta a este novo tipo de musealização, surge um visitante mais exigente em novos aspectos museológicos e informativos. Deste modo, teremos que criar estratégias apelativas e promocionais a fim de cativar os turistas, promovendo a sua deslocação ao circuito arqueológico estudado. Com base na perspectiva e testemunho do guia do circuito, é preciso aplicar métodos promocionais mais agressivos, promover conjuntamente este produto com outras potencialidades da região e, apostar fortemente na formação de recursos humanos, ou seja, em guias.

         Assim como exemplo, atrever-nos-íamos a afirmar que o Circuito Arqueológico da Cola é um espaço, actualmente, pouco apelativo e acessível. Graças ao recente Centro de Acolhimento e Interpretação e ao esforço na planificação do circuito, pretende-se num futuro próximo, com a aquisição de jipes, ou dos meios de transportes adequados que seja dada a possibilidade ao turista de sentir-se motivado e atraído para este tipo de produto.

           Com base na tipologia de Alberto Angela (1988) 15 e na experiência e testemunho do nosso guia/recepcionista ao Castro da Cola, podemos afirmar que os tipos de mercado correspondentes ao circuito são as  famílias , incluindo as  crianças , integradas nas visitas escolares ou nas famílias.

             Baseado no inquérito enviado ao Circuito Arqueológico da Cola identificamos uma grande oscilação no número de visitantes anuais, realçando o decréscimo registado no ano de 2003 e a posterior retoma no ano seguinte.

             É fulcral salientar o facto de não existir uma avaliação de mercado que nos possa auxiliar na importância do investimento que o IPPAR tem vindo a efectuar nos últimos 5 anos, com o objectivo de valorizar e estreitar a relação patrimonial entre o público e a população local. Como tal é urgente criar meios de análise que conduzam à avaliação e/ou adopção de estratégias eficazes para atingir o fim principal – atracção de turistas/visitantes.

          De acordo com a análise SWOT realizada durante a visita ao sítio arqueológico evidenciamos como principais fragilidades:

- A falta de sinalética durante o percurso exterior;

- A inexistência de informação turística noutras línguas estrangeiras;

- A precaridade nos acessos.

            Contudo, no inquérito preenchido pela entidade denotámos algumas disparidades comparativamente com a nossa análise. Por exemplo, quando a entidade refere a existência de idiomas na sinalização, que não detectámos, ou de placas identificativas no decorrer do percurso possibilitando a realização de trilhos autoguiados. De facto foi extremamente difícil realizar a visita sem o auxílio do guia/recepcionista do Centro de Acolhimento e Interpretação.

In: Sítios Arqueológicos E Centros De Interpretação, Em Portugal – Alentejo E Algarve

Patrícia Mareco, 2007


 



DISSABORES DE UM ACAIDE PEQUENO

Ao efectuar uma prisão











Documento da Chancelaria de D. Afonso V, Livro 30, fólio 12.

             Segundo Luís Miguel Duarte, Justiça e Criminalidade no Portugal Medievo. Em Garvão (…), pai e filho, avisados de uma rixa, "sayram com senhas lanças nas mãaos pêra averem d'estremar" os desavindos. E encontraram alguns homens "apegados em huum Estevam Junqueiro seu primo parecendo lhe que davam nelle e lhe[s] diseram que o leixassem e elles o leixaram nom cuidando que elle estava presso".

            O alcaide, Estêvão Luís Viseu presenciou o incidente. Mais tarde, "foram dizer" ao juiz da vila que pai e filho tinham tirado o preso, Estêvão Junqueiro, da posse do alcaide. O juiz manifestou o propósito de prender de imediato os dois, ao que o suplicante, Afonso Eanes Carrasco (o filho) respondeu "que nom avia porque porque elle nom sabia que o Junqueiro estava preso nem o tirara salvo quanto lhe parecera que davam nelle e que hy estava o dicto Estevam Junqueiro que elle juiz bem poderia mandar prender o que elle juiz fazer nam quisera por nom teer delle querella nem denunciaçam algua soomente porque diziam que alevantara arroydo".

            A candura do relato é prejudicada pelo facto de, contra Afonso Eanes Carrasco, penderem mais três acusações de violência - mas fica a história (Chanc. Af. V, L. 30, fól. 126).

            A figura do Alcaide, como representante do rei, governador de vilas dotadas de fortificações depois da reconquista cristã em Portugal aparece amiúde na Carta de Foral de Garvão. A denominação derivou, contudo, do árabe, Al-Kaid ou Al-caid, pois na altura da presença muçulmana conheciam-se como alcaides os governadores de províncias ou de praças.

               A partir da época cristã, os alcaides (também chamados, num período inicial e por inspiração romana, de pretores, e depois de alcaides-mores ou maiores) viram a sua jurisdição alargada até abranger os territórios vizinhos.

               Estes funcionários pertenciam à nobreza e tinham como missão a defesa militar da vila e o desempenho de funções judiciais e administrativas, prestando contas diretamente ao rei. Nas alturas em que se tinha de ausentar da vila, era nomeado para o substituir um alcaide-pequeno ou alcaide-menor.

                O rei D. Dinis chegou a emitir forais em que impedia os alcaides de desempenhar funções judiciais, restringindo-os às militares. O título de alcaide era hereditário e tornou-se, a partir do século XVII, apenas sinal de honra e prestígio, visto que as funções que tradicionalmente desempenhara deixaram de existir. Estas mesmas funções, de gestão e coordenação, fizeram com que o título fosse assimilado em outros âmbitos, como a justiça (alcaide da vara), a educação das crianças da nobreza (alcaide dos donzéis) e os ofícios marítimos (alcaide do navio), por exemplo.

               Em relação aos presos o Foral de Garvão determina que o alcaide manteria na sua posse os bens do detido mesmo que apresentasse fiador antes ou depois do encarceramento no castelo, contudo, como se observou, só aos juízes cabia a ordem de captura, assim como teriam de ter conhecimento se à sua revelia alguém fosse preso e teriam de investigar, ao alcaide se não obedecesse às ordens dos juízes era-lhe vedado o direito de receber direitos de carceragem, “Todo homem que o alcayde prende e der fiador ante que ao Castello uaa daremno com todo o seu. E se fiador non acha e o leuam ao Castello depoys que der fiador daremno com todo seu. e se poys lly podem poer perante os juizes que feytor é daquillo que li apoem dê V soldos de aliubádigo e se llo non podem poer non nos dê.” (fl. 7r)

                  Contudo, as pelejas causadas pelos vizinhos nos termos da vila ou fora da área do concelho, os mesmos costumes estipulam igualmente de que terão de ser resolvidas pelo alcaide, no lugar dos Juizes, desde que estes não fossem capazes de o resolver, “Peleia que pelegem vezinos na villa ou fóra da uila se foren y os juyzes emfiinnos pera dereyto que façam dereyto perantelles. e se os juyzes se sy non acertarem traue en eles o alcayde e enfiios pera dereyto dos juyzes. e se for de morte non nos dê por fiadores e uiirem os juyzes e fazerem y com no alcayde todo dereyto aquelo que iaz en sa carta.”. (fl. 7r)


 

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