A apresentar mensagens correspondentes à consulta pelourinho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens
A apresentar mensagens correspondentes à consulta pelourinho ordenadas por relevância. Ordenar por data Mostrar todas as mensagens

domingo, 25 de setembro de 2022

O PELOURINHO de GARVÃO











Desenho do Pelourinho de Garvão.

          Segundo informação do Doutor António Martins Quaresma:

          “Num tombo da câmara de Garvão, de 1826, encontra-se uma descrição do pelourinho, que acho interessante.

          Envio-lha, com o resto do que escrevia já, para poder comparar com o que tem no quintal.

          Na Praça, hoje, Largo D. Afonso III, encontrava-se a casa da Câmara, o poço da Praça e o pelourinho. Este, segundo um tombo de 1826, estava implantado, “quazi no meio da Praça do lado do poço para o poente em huma piramide feita de pedra e cal, lageada com pedras pardas, e tem tres degráos, que diminuem gradualmente, estando no meio do ultimo o pelourinho, que he de pedra mármore redondo com sua simalha quadrada, e em cima desta huma piramide mais delgada e da mesma pedra marmore, que serve de padrão desta villa, e nelle se afixarem os papeis que lhe mandão publicar [...] acharam que em cada lado do dito [primeiro] degráo tem trez varas[1], e que he quadrado”

          A descrição permite vislumbrar uma imagem, sem pormenores, do pelourinho. A plataforma, de três degraus de alvenaria lajeada de pedra escura, tinha planta quadrangular. O fuste era liso e o capitel, de faces quadrangulares, era encimado por elemento piramidal, tudo de mármore.”

             Esta informação permite visualizar o que seria o Pelourinho de Garvão e desenhar a imagem acima reproduzida.

           Sobre a existência do Pelourinho em Garvão, vários autores a ele se têm referido, nomeadamente Pinho Leal na sua obra, Portugal Antigo e Moderno,[2] obra em 12 volumes, publicados em Lisboa, entre 1873 e 1890 e de todos os outros dicionários Chorográphicos e Históricos, que se lhe seguiram.

            Como símbolo da autonomia concelhia, estava edificado no centro da vila e diante dos Paços do Concelho no Largo da Praça, hoje também denominada por Largo D. Afonso III.

          A memória da população sobre a existência física deste monumento, era nula, resumindo-se unicamente a algumas pessoas de idade avançada que, em 1974, se lembravam de algumas pedras espalhadas pelo largo e que iam sendo levadas pela população para as mais diversas obras particulares, sem, contudo, precisarem a sua proveniência ou as relacionarem com o monumento em causa.   

          Em conversa com o “Ti Vilhena”, residente no Largo da Praça, por volta de 1974, sobre o Pelourinho e depois de uma breve explicação sobre do que se tratava, respondeu mais ou menos com estas palavras: “Oh! Isso é coisa muito velha, eu já não me lembro nada disso, mas parece que havia para aí umas pedras no meio do Largo (Largo D. Afonso III) que as pessoas à medida que iam precisando iam-nas carretando, uns para uma coisa, outros para outras, até que as levaram todas”.

          E noutra ocasião da conversa na esperança de se saber mais ou menos quem as levou ou onde estariam: “Olha, onde está uma pedras dessas, que levaram fazer não sei o quê, é na rua ao pé das hortas, e aqui nestas casas (diante da actual casa Paroquial) levaram também umas para fazer as escadas para o quintal “.

          Porta essa ainda visível, mas actualmente tapada, quanto à pedra junto às hortas trata-se realmente de uma coluna incompleta, possivelmente uma parte do Pelourinho, está actualmente guardada nas casas do autor, em Garvão.

          Igualmente numas casas da Travessa do Álamo, quando se procedia ao rebaixamento de uma divisão, recentemente adquirida, para servir de garagem, encontrou-se uma pedra que se julga ser a parte superior que remata o pelourinho, embora a confirmação esteja dependente da boa vontade da proprietária que se tem mostrado intransigente até agora.









Coluna mármore.

Recolhida junto às hortas, depois do Furadoro e Estrada Real. No contexto actual da investigação, torna-se dificil associar esta coluna, incompleta, ao Pelourinho, ou se estará relacionada com a coluna que se encontra na travessa do Álamo.

É de admitir que a origem do pelourinho remonte a época anterior à da civilização romana. Desde logo porque semelhantes estruturas com a mesma função se encontram em locais onde a presença de Roma não se fez sentir, como o Médio Oriente e a Ásia.[3]

         O que mais me dói na pátria é não haver correspondência no espírito dos Portugueses entre o seu passado e o seu presente. Cada monumento que o acaso preservou inteiro ou mutilado – castelo, pelourinho, igreja, solar ou simples fontanário – é para todos nós uma sobrevivência insólita, que teima em durar e em que ninguém se reconhece. Olhamos os testemunhos da nossa identidade como trastes velhos, sem préstimo, que apenas atravancam o quotidiano. Que memória individual ou colectiva se relembra nesta crónica ameada? Miguel Torga, Diário XIII.


[1] Vara era uma unidade de medida de comprimento antiga, utilizada até à introdução do sistema métrico. Tinha sensivelmente a medida de 1,10 metro.

[2] Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho Leal. Portugal Antigo e Moderno: Diccionário Geográphico, Estatístico, Chorográphico, Heráldico, Archeológico, Histórico, Biográphico & Etymológico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande Número de Aldeias. publicados em Lisboa pela Livraria Editora de Mattos Moreira. Volume Terceiro, 1874. P. 259/260.

[3] ROSA, António Amaro – Os pelourinhos da Lusitânia (1820-1974): do vandalismo oitocentista à reabilitação pelo Estado Novo. Dissertação de Mestrado em Estudo do Património apresentada à Universidade Aberta, Lisboa, 2014. P.12.

sábado, 26 de outubro de 2024

AÇOUGUE - A Desabar











Parte do Telhado Caiu

     Para quem passa pela Ladeira do Padre, muito dificilmente, não repara numa casinha humilde, sem grandes traços arquitetónicos, sem janela e com uma só porta, mas de uma graciosidade enorme, cuja singeleza dos seus traços medievais, nas suas paredes carregadas de cal, nas suas arestas arcaicas que os séculos teimam em moldar e se pronunciam no imponente campanário que se sobrepõe à singularidade do edifício, não deixa, não pode deixar de lamentar o abandono votado nas últimas décadas.

     Infelizmente, este edifício não tem merecido a devida atenção que merecia, para além do sino que foi retirado há cerca de quinze anos, desabou agora uma parte do telhado, estando o resto em risco de desabar.

     No quadro concelhio medieval, o Açougue com o seu sino, conjuntamente com a casa da Câmara, as igrejas e o Pelourinho, entre outros atributos concelhios, era um dos edifícios que reconheciam e simbolizavam o concelho.

     As Cartas de Foral, nomeadamente a de Garvão de 1267, são bastante proliferas em legislação sobre o Açougue: o que se vendia, as taxas a pagar e a proteção sobre a violência entre vizinhos e mercadores neste local.

     Ver este edifício desabar, (e sem sino), é vermos desabar a nossa história e a nossa cultura, mas acima de tudo é vermos fugir às novas gerações a nossa memória colectiva que sem os mais velhos e sem as referências ancestrais se enterram em cada cova.


quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

GARVÂO

GARVÃO - RESUMO HISTÓRICO


Garvão é um misto de lendas, vila Alentejana humilde, povoação antiga, onde o tempo parece que parou.

Situada em pleno Baixo Alentejo, tem como Santa Padroeira, Nossa Senhora da Assumpção, capelas de S. Pedro, S. Sebastião e a recentemente descoberta Igreja do Sagrado Espírito Santo.

Possui uma paisagem rural deslumbrante, a antiquíssima Feira de Gado, a variedade de vacas autóctones denominadas “Garvanesas”, as vastas tradições folclóricas e a imensa riqueza Histórica e Arqueológica, fazem desta vila do interior Alentejano um caso ímpar, onde todos estes componentes se associam, conjugam e equilibram harmoniosamente, o que constitui motivo de orgulho e prazer de todos os Garvanenses, amigos e visitantes desta terra.

Aqui, não existe apenas a riqueza Arqueológica ou Histórica, a Feira ou as vastas tradições Folclóricas. Existe também uma grande actividade humana, uma cumplicidade, um compromisso dissimulado entre a população que se manifesta, por vezes, espontaneamente sob as mais variadas formas.

É Vila muito antiga, com ocupação contínua desde os tempos mais remotos, conforme atestam as Antas em torno da Vila, os machados de pedra encontrados na vila, o Depósito Votivo da I idade do Ferro situado no centro da Vila, entre outros vestígios históricos.

Teve o seu primeiro foral em Fevereiro de 1267, dado em Alcácer do Sal, por D. Paio Peres Correia, mestre da Ordem de Santiago. D. Manuel I deu-lhe novo foral em 1 de Julho de 1512.

O brasão de armas é um escudo em prata, com uma árvore verde e, na parte superior duas cruzes cor de púrpura, da ordem de Santiago, uma de cada lado da árvore. Foi sede de Concelho até 1836, conservando ainda a casa da Câmara e o respectivo Brasão. Do Pelourinho, presentemente, apenas se conserva parte.

Segundo Mário Saa, no livro “As Grandes Vias da Lusitânia”, no tempo dos Romanos Garvão era designada por Aranni. Aranni chefiava um vasto distrito Romano, abrangendo uma área que hoje conta com notáveis concentrações de Arqueologia Romana e pré-romana, Aranni sucedeu à cidade Céltica de Arandis. Ainda segundo Mário Saa, aquando da chegada dos Romanos à Península, Arandis seria já uma cidade, muito antiga, ocupada por povos de origem Céltica.


 IN: Malveiro, Jose P. GARVÃO Herança Histórica. Beja, 2003, Gráfica amdbeja.

sexta-feira, 15 de agosto de 2003

GARVÃO Herança Histórica


  GARVÃO Herança Histórica

          Este livro é essencialmente uma monografia sobre a vila de Garvão, mas também um alerta para as precárias condições do património da freguesia, antigo concelho extinto em 1836: sobre a necessidade de salvaguardar e divulgar a sua história; tentar consciencializar a população para a sua riqueza arqueológica e histórica e sensibilizar as pessoas para a necessidade de protecção do seu património, como factor de desenvolvimento local e á sua medida contribuir para a criação de empregos e travar o despovoamento progressivo da vila.

          Nesse sentido mostrou-se alternativas e apontou-se os factores mestres de um projecto de desenvolvimento local:

          - O Deposito Votivo e todos os monumentos pré-históricos que circundam a vila, criando oportunidades para a criação de roteiros arqueológicos, históricos e por assim dizer também etnográficos e ecológicos, criando oportunidades para a salvaguarda dos lugares históricos, do castelo, criação de exposições arqueológicas e etnográficas e, não esquecendo a sua história ferroviária o devido reconhecimento em que se ressalva a luta sindicalista dos trabalhadores ferroviários, não esquecendo igualmente o artesanato voltado para a olaria, cestaria, gastronomia, etc.

          - O Concelho Medieval com todo o seu envolvimento nos Paços do Concelho, no Pelourinho, no Serro da Forca, nas Irmandades e Misericórdia, nas Igrejas e nos forais.

          - A Feira tradicional, não só, mas igualmente outras exibições anuais focadas nas variedades de Vacas Garvanesas, no porco alentejano, mostra de queijos, enchidos e outros produtos locais como o mel, o medronho, o vinho devidamente intercaladas e realizadas durante o ano.

          - Vacas Garvanesas. Património genético ligado á vila de Garvão e á sua feira anual. A criação de um núcleo destas vacas nos terrenos da freguesia ou camarário iria, sem dúvida, incrementar o seu estudo e divulgação com a vinda de tecnicos e outros interessados á vila.

          - A Dança como factor festivo anual promovendo encontros internacionais em que se realça a tradição Celta e Europeia e igualmente a herança Moura e Judia, não só como forma de atrair visitantes á vila, mas igualmente para criar novas oportunidades que se possam abrir aos jovens da terra.

          - José Júlio da Costa. Se as Antas e outros monumentos pré-históricos em torno da vila coloca-nos nos princípios da civilização e o Concelho coloca-nos nos alvores da nacionalidade e na idade média, José Júlio da Costa leva-nos para o republicanismo, para o século XX, não só com a morte dum presidente da república mas inclusivamente para a consciencialização das miseráveis condições de vida dos trabalhadores rurais alentejanos e as subsequentes lutas pela posse da terra que se manifestaram, no Alentejo, esporadicamente durante o século XX.

              Neste livro, foram abertos novos caminhos de investigação, contudo longe de ser conclusivo, deve ser entendido como mais um contributo a outros estudos, melhor elaborados e fundamentados, a ser necessário efetuar sobre a história da vila de Garvão.

 

Ficha Técnica

Título GARVÃO - Herança Histórica
Autor José Pereira Malveiro
Depósito Legal 1111
Data da Publicação 2003
Idioma Português
Formato 210 mm X 230 mm
Tipo de encardenação Capa mole - Colado
Nº de páginas 177 - Cores

 


domingo, 11 de agosto de 2019

LOCALIZAÇÃO do SANTUÁRIO

(Proposta)

A descoberta do Depósito Votivo em Garvão, em 1983, onde as oferendas eram guardadas, depois de previamente oferecidas no local de culto pelos crentes, leva-nos a ponderar sobre a localização do santuário propriamente em si.

A descoberta deste Depósito Votivo, leva-nos igualmente a tecer considerações sobre a possibilidade da existência de outros locais de deposição das oferendas.

Não é de todo plausível que as bases de uma estrutura desta natureza, passados mais de dois mil anos, situado no primitivo núcleo urbano da vila de Garvão, numa zona densamente povoada, onde os vários períodos de construção são visíveis, ainda aflorem à superfície e sejam capazes de serem identificados com o templo em questão.

O que passou com as muralhas do Castelo, cujas pedras que constituíam as suas paredes, foram carregadas ao longo dos anos, para as mais diversas formas de construções na vila, o mesmo seria de esperar de uma estrutura elevada do solo, sem qualquer utilidade actual que justifique a sua conservação todos estes anos, como aquela que aqui se dá a conhecer.

A título meramente informativo, mais que não seja, para divulgar esta singular estrutura que se destaca das restantes construções da vila ou conhecidas na região e que por si só justifica a devida investigação, antes que se proceda a alguma remodelação construtiva que lhe provoque danos irremediáveis.

O edifício que aqui se trata, em terreno privado, existe a cerca de 50 metros do Depósito Votivo e ao mesmo nível topográfico, é uma estrutura de construção pétrea, elevada a cerca de 2.50 metros do solo, sem portas ou janelas, com o topo aplanado, sem qualquer utilidade actual ou que se conheça quem a construiu ou a que propósito, com cerca de 5 metros de comprimento por 3 metros de largura, com acesso por escadaria frontal à mesma largura da edificação.

O que se observa actualmente e caso se venha a comprovar a sua função com o santuário, seria a base desse templo, onde assentaria o resto do edifício e as duas colunas marmóreas que se encontraram nas imediações do local, poderiam estar relacionadas com esta estrutura, cuja similaridade com a base de outros templos/santuários que se encontram no mundo mediterrâneo antigo, leva-nos a tecer paralelismos e considerar esta edificação como digna da devida investigação.

De acordo com os parcos indícios que esta edificação deixa vislumbrar, a estrutura sacra incluiria, para além do templo que protegia a divindade, uma cova, situada perto do santuário. Segundo Maria Teresa Moneo,(1) este tipo de estrutura, insere-se na classe de templos urbanos de tipo “semítico”, de que são exemplo os de Alcudia de Elche (séc. VI a.C.) e da Illeta dels Banyets de Campello (séc. I a.C), com os quais mostra parecenças com algumas construções sacras do Oriente e, mais concretamente, do mundo fenício, onde alguns templos são simples recintos, não muito grandes, ao ar livre, que contêm no seu centro o santuário ou capela da divindade, com um simples bétilo, o altar dos sacrifícios e duas colunas que eram símbolos da divindade.


Quanto à construção subterrânea, que na Lenda do Flos Sanctorum de 1513 é mencionada como «poço do peego de Santa Eyrea» 64 , tratar-se-ia certamente do que habitualmente se designa “depósito votivo”. Estas estruturas desempenhavam um papel fulcral no culto de Astarté, sendo expressamente mencionadas por Avieno (OM. 241-243, 314-315) como «covas». Estruturas deste tipo descobriram-se noutros santuários ibéricos de clara influência semita, como os do Cerro do Castelo (Garvão, Ourique), do séc. III a.C e os de El Amarejo (Bonete, Albacete), de La Alcudia e de Tossal de San Miguel de Liria. (2)


Esta estrutura destaca-se das restantes construções da zona, pela singularidade da sua construção, imponência, situada num lugar elevado e como se referiu, mesmo que se venha a verificar a sua não conformidade com o templo a que as oferendas no Deposito Votivo se referem, tem todo o interesse a ser devidamente investigado, como estrutura imponente que sobressai das restantes construções típicas da zona.

A coluna “Romana” que se encontra numa das ruas da vila, foi localizada no leito da ribeira relativamente perto deste local, assim como o fragmento de uma outra coluna, que se encontrava junto às hortas e recolhida pelo autor, também se localizava nas imediações do local desta estrutura, (sobre este fragmento de coluna subsiste a dúvida se faria parte do Pelourinho que se encontrava no largo junto aos Paços do Concelho).


(1) Maria Teresa Moneo, Santuarios urbanos en el mundo ibérico, em Complutum, 6, 1995, Madrid, p. 249. IN: Luís Mata. O «cais» de Santa Iria, uma reflexão sobre uma velha questão. Revista Lusófona De Ciência Das Religiões – Ano VI, 2007 / n. 11, Lisboa. P. 271.

(2) Luís Mata. O «cais» de Santa Iria, uma reflexão sobre uma velha questão. Revista Lusófona De Ciência Das Religiões – Ano VI, 2007 / n. 11, Lisboa. P. 284.

sexta-feira, 1 de julho de 2022

O PREGOEIRO









(Desenho de Pregoeiro Medieval)

JOAQUIM POMBO

O Último Pregoeiro de Garvão

Ainda há relativamente pouco tempo, subsistia em Garvão um uso herdado dos tempos mais recuados em que Garvão era concelho. Um dos funcionários da Câmara, para além do Escrivão, Vereadores, Tesoureiro e Procurador do concelho entre outros, havia também o pregoeiro. Num reino cuja população era, na sua quase totalidade, analfabeta, tornava-se fundamental anunciar as decisões que se passavam a escrito.

Este costume municipal, apesar da extinção do Concelho de Garvão em 1836, persistiu até aos anos sessenta do século XX, já não a anunciar e a apregoar as decisões camarárias, mas a pregoar ou anunciar as várias transações ou trocas entre os populares que pretendiam, vender, trocar ou comprar alguns bens supérfluos ou que necessitavam, a carne no açougue ou a venda de produtos frescos era também anunciada pelo pregoeiro.

Este não só apregoava, nos locais públicos da povoação, as decisões tomadas pela Câmara, mas anunciava igualmente as diversas arrematações dos bens concelhios, o que era permitido ou proibido e cujo interesse era necessário divulgar entre a população.

Na Idade Média tudo se apregoava: novidades do dia, decisões de polícia ou de justiça, levantamentos de impostos, leilões ao ar livre na praça pública, mercadorias para venda, geralmente junto aos paços do concelho ou junto do pelourinho,

Em Garvão, a lembrança leva-nos até aos princípios da década de sessenta do século XX, quando o último pregoeiro, Joaquim Pombo, no alto do serro do castelo pregoava os vários bens que a população pretendia vender, comprar ou alguma coisa perdida ou achada, assim como os taberneiros mandavam apregoar o vinho novo.

Seria. sem dúvida, homem de garganta poderosa e boa memória visto não ter nada escrito e ter de memorizar o que pretendia apregoar ou anunciar, começava por chamar a atenção com o barulho de umas matracas feitas em madeira que produzia um som que se ouvia na povoação e tinha uma rima própria com que anunciava o pretendido, começava por “escutem bem, escutem bem o que tenho a dizer” e depois de relatar o que pretendia, terminava com a frase “por hoje é tudo, amanhã há mais, se calhar”.

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...