quinta-feira, 12 de março de 2020

UMA MATANÇA DO PORCO

RECORDANDO

A Oeste nada de novo.

A não ser a trovoada.
O frio e a geada.
Soam trompetas, arautos e fanfarras.
Era a festa.
Sem velhos arqueados do reumatismo,
Era difícil prever o estado do tempo.
Havia o canito, sempre chamado fiel.
O Gaio na gaiola, sempre chamado chico.
E o gato aos pontapés, sempre chamado Lambuças.
Rugia o cão.
Assanhava-se o gato.
Assobiava o gaio.
E morria o porco.
Copinhos de aguardente.
Moleja ainda a borbulhar.
A faca ainda a sangrar.
Na mão do matador.
… Ah, chamaste Zéi!
Na família havia muitos Zéis.
Mas morreram todos,
Enquanto a faca a pingar de sangue,
Aponta ameaçadora na sua direcção.
Estoicamente, imaginava o pedaço de telha,
Com que raspava o porco, um escudo.
Era a galhofada.
Uma mão na cabeça, a desguedelhar.
Um pedaço de pão com glândulas.
E um cocharro de água.
Era a festa.

Sem comentários:

Enviar um comentário

 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...