VILLA DOS FRANCISCOS

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Letra A corresponde ao traçado projectado da estrada.


Letra B corresponde ao traçado actual, alterado por força da intervenção arqueológica.


A vermelho **** local de maior concentração de vestígios.


 


Relatório dos Trabalhos arqueológicos na Villa dos Franciscos em Garvão.


Escavação (1981)


Síntese dos Trabalhos


 


Objetivo:


     Sondar uma vasta área (cerca de 3 hectares), com a finalidade de justificar a alteração do traçado de uma via, para o mesmo local projectada.


     Efectuar todos os trabalhos arqueológicos possíveis, no intuito de delimitar a área da estação e a respectiva potência arqueológica da villa. Os trabalhos foram motivados pela construção de uma estrada que ligará Garvão à Aldeia das Amoreiras


 


Resultado:


     Efectuou-se uma prospecção intensiva da área em causa e sequente levantamento topográfico; sondagem superficial nas áreas mais periféricas, efectuada por uma retro-escavadora, trabalho que permitiu delimitar a zona arqueológica e avaliar potencialidades estratigráficas; sondagens onde se revelou a existência de duas salas contíguas, pavimentadas a opus signinum[1], bem como parte de um tanque com 4 degraus de acesso. No estremo Norte abriu-se uma sondagem que revelou a existência de muros em pedra, e material muito escasso.


 


Teve a intervenção dos arqueólogos:


Caetano Maria de Mello Beirão


José Olívio da Silva Caeiro


Mário Varela Gomes 


Rosa Varela Gomes


 


     Como resultado desta intervenção na herdade dos Franciscos, (parte da herdade do Arzil), forçou a alteração do traçado original da estrada projectada, devido à importância dos vestígios arqueológicos descobertos.


     Posteriormente, em 1984, os arqueólogos Mário Varela Gomes e Rosa Varela Gomes relatam o “Estudo da estela proveniente da villa”: Estela epigrafada de cariz funerário, a qual foi atribuída ao Século II d.C. ou mesmo aos inícios do século III d.C..


     A estela enquadra-se no tipo de lápides encontradas no sudoeste alentejano, mantém, contudo, estreitas ligações com a epigrafia do Noroeste, sobretudo no plano onomástico, para o qual os autores encontraram sobretudo paralelos no Conventus Bracarensis.


     Segundo os autores tratou-se de um achado avulso, não se podendo saber se teria sido reaproveitado ou pelo contrário faria parte da necrópole da dita villa. A leitura da epigrafe é a seguinte: LADRONV S / DOVAI BRA CA RVS CASTEL LO/ DVRBEDE H IC/ SITVS ES T A N NO/ RV M XXX / S T T L


     O conhecimento da importância em termos arqueológicos desta zona, já era do conhecimento das entidades competentes, pois já em 1908, no Archeologo Português, José leite de Vasconcellos[2],  menciona um busto em mármore, possivelmente de Agripina Menor, descoberto nos Franciscos e guardado no Museu Regional Rainha Dona Leonor, em Beja. 


 


[1] Opus signinum é um material de construção usado na Roma Antiga e nas diversas urbes do império. É uma forma de cimento romano que utiliza cerâmica quebrada, verificando-se que reduzido a pó e temperado com cal, torna-se mais sólido e durável. A sua principal vantagem sobre outras substâncias de natureza semelhante era a sua impermeabilidade, razão da sua utilização generalizada em residências particulares e também em edifícios públicos, nomeadamente na confeção de calçadas das casas e na construção de banhos romanos, aquedutos, cisternas e quaisquer edifícios que envolvam água.


O uso do termo signine faz referência a Signia (moderna Segni), a cidade do Lácio famosa pelos seus azulejos. Contudo a técnica, provavelmente terá sido inventada pelos fenícios, está documentada no início do século VII. AC em Tell el-Burak (Líbano) e depois nas colônias fenícias no Norte da África.


 


 [2] José Leite de Vasconcelos Cardoso Pereira de Melo, nasceu a 7 de julho de 1858, conhecido simplesmente como Leite de Vasconcelos, foi um etnógrafo, arqueólogo e autor prolífico português que escreveu extensivamente sobre a filologia e a pré-história portuguesas. Foi o fundador e o primeiro diretor do Museu Nacional de Arqueologia Português.


 

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