segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

AS TRAVESSIAS DA RIBEIRA


 AS TRAVESSIAS DA RIBEIRA


          Antes do nivelamento da ribeira e da cimentação do leito e das margens, o cenário que se apresentava em termos de via, ruas e travessas era totalmente diferente do actual.
De facto antes da construção daquilo que ficou sendo conhecido como “A Placa”, ou pelo menos a primeira fase deste nivelamento da ribeira que atravessa a vila, as vias para a sua travessia eram outras.


PONTE DE MADEIRA
          Se por esta altura a ponte em alvernaria, no centro da vila, já existia, tempos houve em que a ponte era construída de madeira, e a história de que, “Garvão tem uma ponte rota”, não deixa de ter alguma verdade e remete-nos precisamente para o tempo em que a travessia da ribeira no centro da vila que ligava o Largo do Poço da Praça ao Largo do Lagar, (agora Largo da Amoreira), se fazia através de uma ponte de madeira, segundo a memória popular, que se julga ser tanto para peões como para carros de tracção animal.
          De facto a ponte de madeira deveria estar de tal maneira degradada que justificou a construção de uma nova ponte em alvenaria, contudo a história da “Ponte Rota” e ainda segundo a versão popular, se relacionar com um individuo que perdido de bêbado pura e simplesmente caiu da ponte, quando se preparava para se aliviar do que tinha bebido em excesso.
          Numa fotografia do início da edificação da nova ponte, onde se observa a configuração dos dois vãos ainda em construção, nota-se, no local onde actualmente estão plantadas as laranjeiras, uma passagem rebaixada de acesso à ribeira.
          Essa mesma fotografia mostra um candeeiro de iluminação publica cuja base se encontra numa posição muito mais baixa que o novo tabuleiro da ponte em construção, o que parece levar a crer que a ponte de madeira seria mais baixa que a nova, permitindo assim tanto o acesso, de um lado para o outro, pela ponte de madeira, para pessoas ou animais e pelo leito da ribeira para cargas mais pesadas.
          Esta nova ponte, de dois vãos, apesar de superficialmente danificada pelas intempéries de 1997, foi, subsequentemente, substituída por uma nova ponte de um só vão. Encontra-se ainda no local, pregada na parede do posto da GNR a primitiva placa com que a Junta de Freguesia de Garvão homenageou o dono da moagem António de Brito Ramos em 1943, o qual não se poderá aqui deixar de prestar igualmente o devido reconhecimento a um dos industriais de Garvão, a quem muito se deve uma grande parte do vigor económico que se viveu nesta vila por essa altura.


A passagem do POÇO NOVO e a Ponte do Perú
          A antiga passagem junto ao Poço Novo, combinava passagem pedonal para pessoas, bestas e nos seus últimos dias também bicicletas, era a chamada Ponte do Perú com aproximadamente um metro de largura e possivelmente com trinta ou quarenta metros de comprimento, para compensar o vão da ribeira que aqui se alargava, muito usada por pessoas que iam ao Poço Novo abastecer-se de água, com as tradicionais quartas de água de barro cozido á cabeça ou ao quadril, quando não era em carrinhos de mão ou no dorso dos animais.
          A passagem da ribeira, pelo leito, permitia igualmente a travessia de gados, bovinos, ovinos ou caprinos quando não era também por varas de porcos e por carros de parelhas de muares para cargas pesadas, que vinham ou iam pelo “Furadouro” e evitavam assim as ingremes ladeiras do castelo.
          A criação de perus, neste local, poderá ser igualmente uma realidade, mais do que um simples lugar de passagem, de um local para o outro, destes repastos natalícios, a sua criação, no próprio leito da ribeira, alimentando-se das tenras ervas e outros arbustos, quando a corrente de água o permitia, poderá muito bem ter dado o nome á referida ponte pedonal, já que a criação destas aves em grande número, era até há bem poucos anos uma realidade que se poderia encontrar nestes lugares.

 

TRAVESSIA JUNTO AO POÇO DA VARZEA
          Havia outra passagem que desapareceu completamente, sem qualquer alternativa viária, com a construção da primeira fase da placa, que era de facto o seguimento da Rua da Oliveira rumo às hortas e atravessava a ribeira diagonalmente imediatamente a seguir às últimas casas do lado direito e ia ter um pouco antes onde actualmente se situa o lavadouro, emborcando na rua que vinha do Largo do Lagar, (actual Largo da Amoreira), e seguindo rumo à Funcheira, com um ramal rumo à Sardoa logo a seguir ao poço da Várzea atravessando a avenida nova que ainda não tinha sido construída, (actual rua Gonçalo Nobre Valente).
          O seguimento do caminho da antiga estrada da Funcheira, (que não tem nada a ver com a moderna estrada de alcatrão), seria, assim que atravessava a ribeira, junto a esta e adjunto às últimas casas da vila. A posterior e moderna estrada para Santa Luzia acabou por atravessar esta antiga estrada e dividir as casas que aí se encontram, umas ficando a Sul do lado da vila, outras a Norte no lado da estrada que seguiria para a Funcheira e Panoias.
          Esta travessia, juntamente com a do Poço Novo, seriam as primitivas travessias da vila antes desta se ter prolongado para a outra margem da ribeira e justificado a construção da mencionada ponte de madeira.


OUTRAS TRAVESSIAS
          Outras travessias haveria, com certeza, umas mais próximas da vila, outras mais afastadas, das mais próximas há a destacar a do Curral dos Bois, a Sul, na saída da vila para o Cerro da Forca e a passagem da ribeira junto à estrada da Funcheira, a Norte, praticamente no local da nova Estada Nacional junto à parede em taipa da várzea que se estende para Norte, direito à Igrejinha de São Pedro e Estrada Real.
          De realçar igualmente a passagem da Ribeira do Arzil junto à Estação de Garvão e no sítio da localmente chamada “Ponte Romana”, (a romanidade dessa ponte, ou não, ficará para outra altura), fiquemo-nos, por agora, em realçar o caminho que ainda se nota por detrás da antiga padaria do Arreganhado, mesmo diante da Igreja de São Sebastião (para quem está de costas para a referida Igreja) e que viria, certamente, ter à Ladeira do Padre rumo à vila.



quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O CRÂNIO do DEPÓSITO VOTIVO

O CRÂNIO TRESPASSADO do Depósito Votivo de Garvão


          Uma das particularidades do Deposito Votivo de Garvão foi a descoberta de um crânio trespassado numa clara cerimónia de fundação do próprio Depósito Votivo.
          O crânio localizado na base do depósito pertenceu a uma mulher cuja idade oscilaria entre os 35 e os 40 anos (Fernandes 1986, 78).
          A morte foi-lhe provocada por três golpes desferidos na zona occipital e parietal por um instrumento contundente, pesado, dotado de um gume curvo pouco penetrante, que incidiu obliquamente sobre a cabeça da vítima.
          Foi assim reconstituído que a vítima se encontraria deitada em decúbito ventral, quando lhe foram desferidos sucessivamente três golpes. Qualquer um deles seria o suficiente para lhe provocar a morte, e certamente que com o primeiro deles ela entrou em lipotimia (perda de sentidos).
          A morfologia das lesões sugere que o instrumento utilizado terá sido um machado de pedra polida de que, aliás, se recolheu um exemplar no depósito (Antunes e Cunha 1986, 84-85).
          O crânio foi então separado do corpo; a forma como isso se deu e o espaço de tempo que mediou entre este facto e a deposição do crânio como elemento ritual na criação do depósito votivo são, no entanto, indetermináveis.
          O crânio, estava, aparentemente, associado a alguns ossos de animais o que sugere um fenómeno de libação sacralizadora associada a um sacrifício humano.
           Na sequência deste tema da trepanação, muitos outros achados provêm de depósitos de épocas subsequentes ao período mesolítico, mostrando assim a continuidade e a larga diacronia desta prática.
           Um crânio muito mais tardio encontrado em Tróia (Setúbal) «deixa a ideia de que a trepanação era um tratamento a que os habitantes da Península Ibérica tinham acesso no período romano».
           Mas entre estes tempos históricos, diversas jazidas portuguesas neolíticas e calcolíticas ou da Idade do Bronze revelaram crânios humanos com tais marcas.
Cerimónias fundacionais com recurso a despojos humanos como parece ser o caso de Garvão do século III a. C., será já epifenómenos consequentes de uma resistência de cultos e crenças profundamente enraizados que atravessam a I idade do ferro.
           Reminiscências de conceitos e esquemas de estruturação do território em que se conjugariam, num hábil sincretismo, os espaços tumulares monumentais que se construíram com os mais antigos, dando e renovando sentido à memoria de significados e significantes impregnados na paisagem.
           Todo o espólio parece implicar a existência de um eventual ritual relacionado com um sacrifício humano, próprio do culto das cabeças cortadas em contexto guerreiro, bem como do culto das cabeças inserido em rituais fundacionais e de soberania. A natureza dos objectos votivos encontrados, como a cerâmica ou as placas oculadas – na linha dos achados do Escoural, Estremoz, Vidigueira ou Évora, de épocas anteriores – e os múltiplos restos animais – a sugerir refeições e libações rituais cíclicas, como seriam as cerimónias solsticiais –, indica-nos, assim, não só a persistência de crenças, como também a presença da segunda fase deste culto céltico.
           Efectivamente, muitos achados parecem indiciar ter havido um tratamento especial dado a certos crânios, tratamento esse que pode remeter-nos para práticas rituais de cariz mítico-religioso próprio do mundo celta.
           Segundo alguns autores, para estas populações, a cabeça possuiria atributos divinos. Como tal, talvez considerada incorruptível e autónoma do corpo, teria poderes protectores – das pessoas ou colectividades, do gado ou da vegetação –, divinatórios ou proféticos, de cura e de regeneração, a cabeça seria, assim, o centro dos poderes sobrenaturais, para além de ser o local onde se acreditaria estar alojada a histeria, a loucura ou os defeitos físicos mais impressionantes – mal sagrado ou mal de santo, na máxima popular de que o que é raro é maravilhoso.


In: Gabriela Morais, Contributos Portugueses Para O Estudo Do Culto Das Cabeças

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Garvão o “Cerro do Castelo”




   O “Cerro do Castelo” em Garvão é uma elevação de topo aplanado com uma cota máxima de 124,5m, encaixada entre duas linhas de água, afluentes do Sado.
          Na parte média da encosta Leste do cerro, foi localizado em 1982 um grande depósito secundário de peças votivas. Para a instalação deste depósito, foi aberta na encosta uma fossa de planta irregular, grosseiramente ovalada, com 10 por 5m cuja abertura parece ter aproveitado um estreito patamar da encosta do cerro. A parte central desta fossa foi grosseiramente coberta por lajes de xisto entre as quais se produziu um dos achados mais interessantes da escavação: um crânio humano destacado do restante esqueleto, a que voltaremos.
          Sobre o nível de fundação do depósito foram colocados grandes contentores de cerâmica, produzidos manualmente, cheios de outras peças cerâmicas, cuidadosamente empilhadas. Os espaços entre estes contentores e entre eles e a margem da fossa foram também preenchidos por peças cerâmicas empilhadas. Por último algumas peças foram ainda depositadas sobre todo este conjunto, chegando, ou originalmente ou por força da acção da sedimentação das terras, a sair ligeiramente da fossa, e foram por sua vez cobertas por blocos de xisto (Beirão et al. 1985, 56-60 e 94-103).
          Parece certo que, no topo do Cerro do Castelo de Garvão, existiu o santuário a que o depósito secundário corresponde. Tal santuário faria parte de um povoado de origem antiga e de longa sobrevivência. As cronologias mais antigas para o povoado de Garvão são dadas pelas cerâmicas do Bronze Final recolhidas à superfície e na escavação dos níveis arqueológicos subjacentes ao depósito (camadas 7 e 9 da escavação de 1982/3: Beirão et al. 1985, 59-60), a este período se associando um molde de fundição de armas de bronze. A sobrevivência para além da Idade do Ferro e até ao período romano está documentada por achados numismáticos (Dias e Coelho 1977, nº 1) e por estruturas templares do período romano com as quais se relacionariam duas colunas de mármore recolhidas na vila (Beirão et al. 1985, 49, Correia 1996c).
          Recentemente, a extensão do povoado da Idade do Ferro pôde ser precisada, graças a escavações levadas a cabo na plataforma a Sul do Cerro do Castelo, que permitiram identificar uma muralha e fosso que parecem ter delimitado o povado, bem como uma pequena área industrial, onde se identificou um forno atribuível à Idade do Ferro. A extensão da área do povoado pode ser estimada em cerca de 6 hectares, tornando provável que tenha sido um núcleo populacional de carácter propriamente urbano (Correia 1995, 250 n. 3).
         Estamos assim perante uma eloquente demonstração da forma como um povoado nucleado, ainda que suficientemente modesto para nos fazer hesitar antes de o classificar como cidade, concentrava no seu perímetro, para além do efectivo demográfico, que poderia roçar os dois milhares de habitantes, e da competência artesanal e tecnológica que lhe estava associada, outras vertentes de nucleação do território e entre elas a religiosa, obviamente.


In: “Algumas considerações sobre os centros de poder na Proto-história do Sul de Portugal”. Virgílio Hipólito Correia, Revista de Guimarães, Volume Especial, II, Guimarães, 1999, pp. 699-714

segunda-feira, 1 de junho de 2015

MUSEU de ETNOLOGIA (contribuições)

Peças de valor Etnográfico, na posse de particulares residentes em Garvão destinadas ao  "Museu Etnográfico de Garvão".








 

MUSEU ARQUEOLÓGICO (contribuições)

Contribuições para o MUSEU ARQUEOLÓGICO na Vila de Garvão

          Peças de interesse arqueológico encontradas em Garvão.

          Algumas encontram-se na vila, em poder de particulares, outras encontram-se nos serviços oficiais de arqueologia.

          O objectivo desta página é dar a conhecer as peças encontradas na freguesia, e efectuar, também, um registo virtual para a concretização do Museu Arqueológico de Garvão.





 

FAMÍLIA MALVEIRO





José Malveiro e esposa Maria Antónia Pereira

(Informação sobre as fotos, no post de 12 de Março de 2019)

FAMÍLIA MALVEIRO

     A ideia de que a origem da família de apelido Malveiro, poderá ter diversas origens e estratos sociais, parece-se dissipar quando se estuda a genealogia desta família, pois todos os registos de Malveiros encontrados até agora são relacionados uns com os outros.

     De facto, o que este estudo revela é que todos os indivíduos portadores do nome Malveiro, pelo menos nesta parte do Sudoeste Alentejano, estão relacionados entre si e não se observa a disseminação deste apelido por várias famílias que poderão ter tomado o nome da herdade dos Malveiros, em Santa Luzia, por lá terem residido ou trabalhado.

     Em termos de estratos sociais e detentores de alguma riqueza, nota-se, de facto, serem no século XVIII, proprietários de várias herdades, uma delas o Monte da Serra em santa Luzia adjunto da Herdade dos Malveiros, (sem, contudo, ter ainda aparecido um documento que dá esta família como proprietária desta herdade), contudo, nas gerações posteriores, vamos encontrando uma certa perda de riqueza e de estatuto social, se nos registos mais antigos constam como proprietários, posteriormente vamos encontrando para seareiros, almocreves e moleiros (entre outras profissões) e depois, maioritariamente no século XIX, para trabalhadores, moirais e tratadores de gado, embora alguns membros desta família ainda esteja na posse de algumas propriedades, como se verá adiante.

     Entre as várias hipóteses avançadas, nomeadamente a opinião de José Maria Ferreira em WWW.geneall.net, abaixo mencionado, a origem do nome poderá estar associado à vila de Malva em Espanha junto à raia nordestina portuguesa, pois nos anos de 1430/1450, aparece a viverem na mesma altura na cidade de Évora tanto o apelido Malveiro com um individuo de apelido Da Malva[1] que poderá ser um ascendente ou familiar do anterior, com origem na localidade espanhola com esse mesmo topónimo e que terá imigrado para Évora de Espanha por várias razões, acompanhando a transumância dos rebanhos ou motivados pelo comércio e contrabando de panos e gado, ainda segundo a informação de José Maria Ferreira.

          A hipótese militar não poderá igualmente ser descartada, embora o primeiro relato escrito, do nome Malva, surja em 1430/1450, dois séculos depois da reconquista portuguesa, nada impede que por motivos militares, se tenham radicalizado em Portugal mais cedo. Em Espanha a luta dos reis católicos contra o reino de Granada prolongou-se praticamente até ao século XVI, (1492).

          O topónimo Malveiro aparece igualmente noutras regiões, segundo Luís Soveral Varella[2], nomeadamente a Norte de Lisboa onde existem as localidades da Malveira da Serra no concelho de Cascais e Malveira no concelho de Mafra, afamada pela sua feira do gado. 

          Aqui a hipótese de algum habitante de Malva, ou já portando o apelido Malveiro, se ter radicalizado e dado o nome à Malveira/Mafra, por motivos comerciais sai reforçada, ainda mais tendo em consideração que existe uma certa coincidência entre Garvão e Malveira/Mafra, materializadas ambas nas suas antiquíssimas feiras de Gado. Aqui sai reforçada igualmente a hipótese judia, na origem dos primeiros Malveiro, pois, os judeus, não só habitavam a raia espanhola como são reconhecidos pela sua aptidão comercial.

          Contudo quanto à suposição de ter sido um Malva ou Malveiro a dar o nome às várias localidades que portam o nome Malveiro na região a norte de Lisboa, o contrário também se aplica e poderá ser verdade, e famílias desta região, (dando o nome à Malveira/Mafra ou dela tirando o nome), acompanhando ou não o circuito comercial das feiras ou da transumância dos gados poderão ter dado o nome a outras localidades situadas mais a sul.

          Portando, pessoas oriundas da Malveira/Mafra poderão ter dado o nome à herdade dos Malveiros/Santa Luzia como proprietários, e por sua vês a herdade dos Malveiros terá dado o nome a várias famílias de trabalhadores agrícolas que lá moraram, (isto aplica-se, como é obvio, a outras herdades ou locais denominados Malveiro ou Malveiros, sem, contudo, se poder afirmar, com certeza, que a área de irradiação primitiva seja a Malveira/Mafra ou outra).


MALVEIROS e o Arzil, Laborela, Columbaes e o Montenegro

Surge igualmente várias informações sobre os Malveiros em várias páginas na internet, nomeadamente: http://esmesmojosuee.blogspot.pt/2008_07_01_archive.html e http://www.geneall.net .

“Ao que parece este apelido surge no Sul numa família nobre que no séc. XVI morava na Vila de Panóias. Esta família, ligou-se por casamentos, aos Britos, Cansados, Pais, Jorges e Falcões. Continuou através dos tempos detendora de várias propriedades na região, entre elas destacam-se o Arzil, os Malveiros a Laborela e o Montenegro. Algumas dessas propriedades ainda pertencem a seus descendentes, na família Brito Pais. No século XIX, a herdade da Laborela era pertença de um descendente dos Malveiros, chamado Francisco Jorge que esta aqui no Genea em http://www.geneall.net/P/per_page.php?id=189670[3]

Igualmente sobre a herdade da Laborela têm sido postadas valiosas informações, pela mão de José Maria Ferreira, em http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=264826

Escreve Maria Matos:

“A Herdade da Laborela pertencia no Séc. XVII a Manuel Gomes Malveiro cc. Maria Jorge[Silva] e em 1829 pertencia a Francisco Jorge Silva…)”

“Os descentes Bárbara da Conceição Malveiro e seu irmão Joaquim Eduardo Julio são ambos meus trisavós vistos os seus filhos, primos direitos terem casado entre si. São eles: Teresa Eduarda da Conceição de Jesus Maia e Carlos Júlio pais da minha avó Mariana Prazeres da Maia Júlio.”

Responde José Maria Ferreira

“O que eu tenho sobre a sua tretavó Maria do Espírito Santo Malveiro é que ela era filha de António Francisco e Teresa Malveiro de Garvão e foi casada com Eduardo Rodrigues [Júlio].

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] … baptizava muito em nome do espírito Santo ou não fosse ele casado com uma Maria do Espírito Santo, cuja família Malveiro pertencia à confraria do Espírito Santo!!!

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] era assim, ainda primo irmão de Eduardo de Brito Júlio, pai de José Júlio da Costa que assassinou Sidónio Pais, pois eram ambos netos de Joaquim Rodrigues do Vale e Maria Júlia de Santa Luzia.

O seu tretavô Eduardo Rodrigues [Júlio] foi também padrinho em Panoyas de Amélia Costa que casará mais tarde com Manuel da Costa, irmão de José Júlio da Costa.”

Portanto no primeiro quartel do séc. XVII a Herdade da Laborela, assim como a Herdade do Arzila (sic) e muitas outras herdades nos arredores e termo de Garvão, estão na posse dos Malveiros. Malveiros que em 1618 já eram moradores na Vila de Panoyas, onde Manuel Gomes Malveiro deu fiança a André Machado, morador na Vila de Garvão, para poder desempenhar o ofício de escrivão dos órfãos.

No entanto os lavradores que se ficaram pela Laborela, Arzil e Columbaes permaneceram ligados ao culto do Espírito Santo e ainda nos século XVIII e XIX faziam parte da Irmandade do Espírito Santo: António Malveiro, André Malveiro, Joaquim Malveiro, Joaquim José Malveiro, António Pedro Malveiro, Francisco José Malveiro.

São todos descendentes de Manuel Guomes Malveiro morador na Vila de Panoyas.”[4]



MALVEIROS de GARVÃO

No livro da Misericórdia e do Espírito Santo da vila de Garvão consta a menção a vários Malveiros:         

André Malveiro, 22 Maio 1734

Manoel Lopes Malveiro, 20 Março 1792

Antonio Malveiro, 7 Setembro 1769

Joaquim Malveiro 18 de Dezbro. de 1797

Joaquim Jozé Malveiro 15 de Fevrº de 1808.

Francisco Jozé Malveiro 17 d'Agto de 1814

Joaquim Jozé Malveiro 17 d'Agto de 1814

Antonio Pedro Malveiro 33 de Obrº de 1834

Francisco Jozé Malveiro 33 de Obrº de 1834.

António Pinto Malveiro 15 de Junho de 1881.

Francisco Malveiro e sua mulher Gertrudes Maria Canellas (ou Capella, tem de confimar) 13 Julho 1884


Surge igualmente a informação de M. Rosa Leitão: [5]

“O meu bisavó materno era António Pinto Malveiro nascido na vila de Garvão 1848, casado com Amélia Barbara das Neves Dinis, filho de José Pinto Malveiro natural de Garvão e de Teresa se Jesus, neto de António José Pinto e de Leonor Malveiro. o meu bisavó foi regedor em Garvão.”

Como se observou na lista do livro da Misericórdia e do Espírito Santo, existe um António Pinto Malveiro, no ano de 1881.

De João Barroca surge-nos igualmente a informação:[6]

“Ao pesquisar Garvão no ano de 1909, vi este nome, cito: ANTÓNIO PINTO MALVEIRO - Hospedaria em Garvão (Ourique)”

A informação foi retirada do Anuário de 1909,estes Anuários trazem os nomes e profissões das pessoas de Portugal, Ilhas e ex-colónias.

Deixo-lhe mais esta nota que referenciei no Anuário de 1908, cito:

JOSÉ ANTÓNIO MALVEIRO - Thesoureiro da Misericórdia e Hospital de Garvão.

Deixo-lhe os nomes das pessoas que faziam parte da Misericórdia e Hospital de Garvão em 1908/1909, cito:

- FRANCISCO ANTÓNIO TOGEIRO – Médico

- MARIA IGNÁCIA – Enfermeira

- JOSÉ ANTÓNIO MALVEIRO – Thesoureiro

- ANTÓNIO ANASTÁCIO DINIZ GAGO – Escrivão

- ANTÓNIO GONÇALVES MOREIRA – Párocho”


          Não deixa de ser interessante, o facto do Livro da Misericórdia e do Espírito Santo de Garvão, ter a última entrada por volta de 1890 e após as convulsões socais provocadas pelo liberalismo a Misericórdia de Garvão manteve a sua estrutura e continuou a ter alguma organização que se prolongou pelo século XX, até praticamente à República.

   

NOTAS:

[1] No inventário dos apelidos de família na obra " Évora na Idade Média" de Maria Angelica Rocha Beirante, regista o primeiro indivíduo de apelido MALVEIRO naquela cidade no período de 1430-1450, o qual poderá corresponder a Afonso Martins Malveiro, referido na mensagem anterior pelo confrade Luís Soveral. De notar que naquele mesmo período morava naquela cidade alentejana um indivíduo de apelido DA MALVA. In: http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[2] Lista de lugares com o nome Malveiro ou Malveira que poderão ter a ver com os deste apelido. Bairro da Mata da Malveira, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Casal da Malveira, localidade do concelho de Alcobaça, distrito de Leiria Casal do Malveiro, localidade do concelho de Sintra, distrito de Lisboa Malveira da Serra, localidade do concelho de Cascais, distrito de Lisboa Malveira de Cima, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, freguesia do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Mafra, distrito de Lisboa Malveira, localidade do concelho de Santiago do Cacém, distrito de Setúbal Malveira, localidade do concelho de Almada, distrito de Setúbal Malveiro, localidade do concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa Malveiros, localidade do concelho de Ourique, distrito de Beja Quinta da Malveira, localidade do concelho de Aljezur, distrito de Faro Quinta da Malveira, localidade do concelho de Cascais, distrito de Lisboa. Segundo Luís Soveral Varella em https://geneall.net/pt/forum/24825/fam-malveiro/

[3] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[4] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=264826

[5] http://www.geneall.net/P/forum_msg.php?id=57136&fview=e

[6] idem





 Jornal de Garvão nº 35 - Páscoa 2026 JORNAL de GARVÃO Nº 35 - Páscoa 2026 2- Editorial 2- Encontro de Gerações 3- Municipando – Dr. Marcelo...