domingo, 1 de fevereiro de 2026

Livro "VACAS GARVONESAS - O Gado Bovino, a Evolução, o Sagrado e a História.



 

A raça bovina Garvonesa representa muito mais do que um simples efectivo pecuário. É a expressão viva de uma relação milenar entre o ser humano, o animal e o território, profundamente enraizada no Sudoeste Alentejano. Adaptada a condições ambientais exigentes e a sistemas agrícolas tradicionais, a Garvonesa constitui um património genético, cultural e histórico de valor incalculável, cuja preservação reflecte a própria identidade das comunidades rurais que a moldaram ao longo dos séculos.

A presença do gado bovino nesta região antecede largamente os registos históricos escritos, remontando à Proto-História, como testemunham os vestígios arqueológicos encontrados em Garvão e noutros locais do Baixo Alentejo. Desde então, o bovino assumiu um papel central na organização económica, social e simbólica das populações locais, fornecendo força de trabalho, alimento e segurança, mas também integrando rituais, crenças e representações que revelam a profunda ligação espiritual entre o Homem e o animal.

A raça Garvonesa, tal como hoje a conhecemos, resulta de um longo processo de adaptação ao meio, moldado pelas condições edafoclimáticas, pela disponibilidade de recursos e pelas práticas de maneio tradicionais. A sua rusticidade, resistência e capacidade de valorização de pastagens pobres fazem dela um exemplo notável de equilíbrio entre produção e sustentabilidade, particularmente relevante num contexto contemporâneo marcado pelos desafios ambientais e pela necessidade de modelos agrícolas mais resilientes.

Contudo, esta raça esteve, em tempos recentes, à beira da extinção. A mecanização da agricultura, a introdução de raças exóticas mais produtivas e a transformação dos sistemas de produção conduziram a uma drástica redução dos efectivos. A sobrevivência da Garvonesa deve-se ao esforço persistente de criadores, técnicos e investigadores que reconheceram o seu valor único e se empenharam na sua recuperação e conservação.

LIVRO "DANÇA DE GARVÃO"


Desde as primeiras civilizações, até aos nossos dias, foram muitos os povos que passaram pelo nosso território e fizeram dos seus costumes parte da nossa cultura, num misto de crenças, superstições, conhecimentos, arte, moral, leis e costumes.

As populações, ao perpetuar os usos e costumes dos seus antepassados, nas suas principais necessidades: religiosas, de divertimento, social ou de defesa, mantiveram e divulgavam certas tradições que se perpetuaram atá aos nossos dias.

As danças tradicionais populares, conservam ainda muito da sua autenticidade, observada nos movimentos dos dançarinos, na música e nos trajes, são danças, músicas e cantares, ligados de geração em geração, vindas muitas vezes do mundo incógnito da ancestralidade.

Ainda hoje se celebram com bastante pureza no seu ritualismo original, as festas existenciais de Inverno. São rituais de profundo significado mitológico: rituais de iniciação, celebrações de mitos e rituais do homem que o une ao tempo sagrado, valorizando a sua existência.

Às Danças Primaveris e do primeiro de Maio, executadas nas celebrações agrárias pré-cristãs da fertilidade, de que a “Dança das Voltas”, a “Dança dos Arquinhos” e a “Dança do Mastro e das Fitas”, são bons exemplos destas reminiscências do passado que se têm manifestado em Garvão há várias gerações, dá-se, igualmente, a conhecer e tenta-se recuperar a “Dança dos Guizos” e a “Dança das Espadas”, executadas, nesta vila, nas primeiras décadas do século XX e cujo conhecimento nos chegou através da lembrança dos mais velhos.


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Publicação do Livro "FEIRA MEDIEVAL DE GARVÃO - A presença Secular de Gado, Mercadores e Artesãos".




Para adquirir clique: Feira Medieval de Garvão - Bookmundo

 

A menção de 1282 sobre a “Feira de Garvão”, leva-nos a ponderar sobre o inicio desta feira num período anterior à fundação da nacionalidade. As “Cartas de Feira”, atribuídas pelos nossos primeiros reis, apenas instituíam “de lure”, situações que já existiam “de facto” e em certos casos a realidade vivida nunca teria sentido necessidade desse complemento de legalidade.

 

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

LIVRO DA FEIRA MEDIEVAL DE GARVÃO



Para adquirir clique: Feira Medieval de Garvão - Bookmundo

         Garvão, antigo concelho medieval, extinto em 1836, é uma vila situada no interior baixo alentejano, relativamente perto da raia algarvia, era uma terra de jurisdição da Ordem de Santiago, tendo-lhe sido outorgado Carta de Foral, do mesmo tipo de Ávila/Évora, no reinado de D. Afonso III, em Fevereiro de 1267. A 1 de Julho de 1512, El-Rei D. Manuel I, reforma o Foral-Velho, concedendo-lhe o Foral Novo, onde cerceia grande parte da autonomia concelhia e reforça o centralismo político e o poder régio.

            A feira de Garvão, realizava-se, tradicionalmente, a 9 e 10 de Maio de cada ano (atualmente, no fim de semana mais próximo desta data). Feira tipicamente rural, nela afluíam mercadores, artesãos, almocreves e feirantes em geral, das mais diversas proveniências, incluindo Lisboa e Algarve, que chegavam à feira nas mais variadas formas: caminhando ou em transportes, incluindo a carroça, dorso de animais e, mais recentemente, de carro ou de comboio, estabelecendo um intercâmbio que ultrapassava em muito o comercial.

     Sobre a antiguidade da Feira de garvão e a falta de menção no rol das Cartas de Feira atribuídas pelos primeiros reis de Portugal e das quais a historiadora Virgínia Rau na sua obra Feiras Medievais Portuguesas descreve, não implica que esta não existisse desde os tempos mais remotos e leva-nos, inclusivamente, a ponderar sobre o inicio desta feira num período anterior à fundação da nacionalidade.

     De facto, não seria um ato genesíaco ou um documento jurídico que iria criar um facto consolidado, segundo Maria Helena da Cruz Coelho, não seria a Carta de Feira, franca ou não, que iria instituir a feira nas povoações onde esta já existia.

Na realidade tais cartas, no geral, apenas instituíam “de lure”, situações que já existiam de facto. E em certos casos a realidade vivida nunca teria sentido necessidade desse complemento de legalidade. [1]

     Em 1282, no reinado de D. Dinis, surge a menção um documento que nos elucida sobre a existência da feira de Garvão desde tempos mais recuados.

     Segundo Alberto Iria. O Algarve nas Cortes Medievais Portuguesas do Século XIV (Subsídios para a sua História). Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1982:

Acontecera que, quando el-Rei D. Dinis esteve pela primeira vez no Algarve, em Silves, em 1282,[2] o Monarca firmou ali, a pedido e no interesse dos moradores do Algarve, um diploma da maior importância e que, infelizmente, parece não ter chegado até nós, relativo à cobrança do tributo da portagem pelos alcaides, meirinhos e porteiros dos lugares da Ordem de Santiago «e de todo o campo d´ourique...».[3]

      Ainda segundo Alberto Iria: 

 Tal abuso verificava-se também em Garvão - outro importante lugar do Baixo-Alentejo, frequentado pelos mercadores algarvios da época onde aliás o referido pagamento «nunca foy costume de se levar...», (...)

Determinou então o Monarca, no diploma em análise, dirigido a Estevão Domingues Falporrinho, a observância pura e simples do disposto na invocada carta del-Rei D. Dinis, dada em Silves, em 1282, como agora parece poder afirmar-se[4].

     Nas Cortes Régias de 1398, na cidade do Porto, os procuradores do concelho de Silves, com base na carta dada em 1282, pelo rei D. Dinis em Silves, devido ao abuso do tributo da portagem pelos alcaides, meirinhos e porteiros dos lugares da Ordem de Santiago «e de todo o campo dourique...», solicitaram a D. João I, que pusesse cobro ao recente abuso verificado, onde os moradores do Algarve eram obrigados a pagar indevidamente duas portagens, a «da yda» e a «da tornada...».[5]

        Dom Joham pella graça de deus Rey de Portugal e do Algarve A uos Stevem dominguez falporrinho do campo dourique (...) fazia saber a todollos alcaides, meirinhos, e porteiros ara terra da de Santiago e de todo o campo dourique que os moradores do dicto regno do algarve lhe diserom que eles lhe tomavam portagens Nos logares honde nom era custume de as tomarem (...) e em garuam hu nunca foy custume de se levar agora de pouco tenpo aaca (...) E que outrosy nom pagassem portagem em o dicto logo de garuam pois nunca fora custume de a pagarem. (...) Gonçalo annes a fez Era de mjl e iiij e trinta e seis anos – Rodericus Johanis. [6]

(Garvão e garuam a negrito sublinhado pelo autor)

 

[1] COELHO, Maria Helena da Cruz. As feiras em tempos medievais. In: “vectores de desenvolvimento económico. As feiras da Idade Média à Época Contemporânea. Actas do 3º Encontro de História”, 2005, Vila do Conde, Câmara Municipal, p. 13.

[2] (Nota 81) iria, Alberto. Da importância Geo-Politica do Algarve, na defesa marítima de Portugal, nos séculos XV a XVIII. Lisboa, 1976, p. 10.

[3] Iria, Alberto. O Algarve nas Cortes Medievais Portuguesas do Século XIV (Subsídios para a sua História). Academia Portuguesa da História, Lisboa, 1982. Pág. 75.

[4] Idem, pág. 76/77. (Nota 82) Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Cortes, Suplemento, Maço 4, pergaminho n° 25.

[5] Idem, pág. 76.

[6] Idem, pág. 112/113/114.

 

Ficha Técnica

Título

LIVRO da FEIRA MEDIEVAL de GARVÃO

Autor

José Pereira Malveiro

ISBN

9789403855462

Depósito Legal

558105/25

Data da Publicação

Idioma

Formato

2025

Português

20 cm X 20 cm

Tipo de encadernação

Capa mole - Colado

Nº de páginas

  201 - Cores

PREÇO

20€

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